Redução na oferta impulsiona cotações do boi gordo e suíno vivo; frango se mantém estável

Publicado em 30/05/2016 08:55 e atualizado em 30/05/2016 19:00
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Boi Gordo: Mercado pouco movimentado com frigoríficos fora das compras

Por Juliana Serra, médica veterinária da Scot Consultoria

Mercado do boi gordo com baixa movimentação. Poucos foram os negócios nesta sexta-feira pós-feriado.

Das trinta e uma praças pesquisadas pela Scot Consultoria, houve alta em apenas duas, considerando o macho terminado.

Em função do feriado da quinta-feira (26/5), a maioria dos frigoríficos paulistas optaram por não abater também na sexta-feira. As programações de abate atendem entre três e quatro dias.

Nas praças de Araçatuba-SP e Barretos-SP a arroba do boi gordo está cotada em R$154,50 e R$153,50, à vista, respectivamente. Alta de 4,4% e 4,8%, na mesma ordem, desde o início deste ano.

Já a margem de comercialização das indústrias que fazem desossa (Equivalente Scot Desossa) está em 13,1%. Queda de 11,6 pontos percentuais desde janeiro de 2016.

Para o curto prazo a expectativa é de preços firmes, com possíveis valorizações, porém, o lento escoamento da carne bovina deve ser um fator limitante para grandes altas.

Frango Vivo: Mercado fraco e alta nos custos preocupam setor

Por Larissa Albuquerque

As cotações do frango vivo no mercado independente permaneceram estáveis nesta semana, sem forças para alta. O fraco consumo interno e o excesso de oferta têm dificultado a elevação nos preços.

Segundo o alerta semanal do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) as cotações reais do animal vivo neste mês, são as mais baixas desde maio/15 em todas as regiões pesquisadas.

Nas granjas paulistas, a mais de três semanas a cotação do animal vivo segue estável em R$ 2,50/kg, mesmo valor observado em Minas Gerais após o recuo de 1,96% na semana anterior.

O levantamento semanal do Notícias Agrícolas apontou também que no Rio Grande do Sul a referência permanece em R$ 2,45/kg, no Paraná e Santa Catarina, a cotação é de R$ 2,40/kg, menor valor registrado.

"A perspectiva é por reajustes dos preços do frango vivo ao longo da primeira quinzena de junho, período que conta com maior apelo ao consumo", avalia o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias.

Custos

Enquanto os valores de todos os elos da cadeia estão em queda, os preços dos principais insumos da atividade (milho e farelo de soja) seguem em fortes altas, agravando a situação econômica do setor.

Segundo Cepea, "colaboradores afirmam que alguns avicultores já teriam desistido da atividade e que parte das indústrias alega diminuição nas margens", destaca.

De acordo com levantamento do Notícias Agrícolas, ao menos quatro agroindústrias já anunciaram redução na capacidade de abate, férias coletivas ou encerramento total das atividades.

Com unidades em seis estados brasileiros, a Globoaves está com dificuldade na aquisição de matéria prima para ração. Segundo a ACAV (Associação Catarinense de Avicultores) o plantio de Lindóia do Sul (SC) está paralisado há 90 dias, sem repasse aos integrados.

A indústria BR-Aves com sede em São Carlos (SP) deu férias coletivas os funcionários, visando um enxugamento na estrutura produtiva. Também no interior de São Paulo, a integradora Itabom informou que está reduzindo a capacidade de abate em 35%, por conta da dificuldade no escoamento da carne.

Na última semana outra unidade frigorífica de aves no noroeste do Paraná informou que fechará as portas a partir de 1º de junho, deixando mais de 1,5 mil pessoas desempregadas.

Exportações

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), divulgados na segunda-feira (23), até a terceira semana de maio – 15 dias úteis - o país exportou 252,8 mil toneladas de carne de frango 'in natura', com uma média de 16,9 mil t/dia.

Considerando o igual período de abril/16 e maio/15, o volume corresponde a uma queda de 11% e aumento de 15,5% respectivamente.

Em receita, os embarques resultaram um saldo de US$ 374,1 milhões - equivalente a US$ 24,9 milhões/dia.

De acordo com o presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, o bom desempenho registrado pelas exportações de carne de frangos tem equilibrado a oferta interna de produtos, com a redução dos níveis de consumo em decorrência à crise econômica no país.

Neste sentido, há receio por parte dos exportadores quanto aos efeitos de uma eventual mudança no patamar do dólar. O câmbio acima de R$ 3,50 auxilia no equilíbrio das contas, uma queda acentuada do dólar, entretanto, agravaria ainda mais a necessidade de reposicionamento nos preços internacionais em curso.  Esta elevação não acontece rapidamente, e pioraria a situação de várias empresas que já estão no vermelho”, destaca Turra.

“Se apresentarmos preços mais elevados neste momento do mercado, nossos concorrentes internacionais absorveriam parte da vantagem competitiva que conquistamos ao longo destes anos.  Isto poderia refletir num menor desempenho dos embarques”, explica.

Suíno Vivo: Semana encerra positiva, mas custos ainda superam valorizações

Por Larissa Albuquerque

A semana encerrou com valorização em sete praças de comercialização. E embora positiva, as valorizações não correm na mesma velocidade em que os custos sobem.

De acordo com levantamento da APCS (Associação Paulista dos Criadores de Suínos) atualmente é possível comprar com uma arroba suína apenas 1,4 sacas de milho com o quilo do animal vivo no mercado paulista, enquanto que tradicionalmente a relação era de 2,4 scs/@.

"Na região de Campinas (SP) a saca do cereal é comercializada a R$ 53,00, o farelo de soja em torno de R$ 1.500,00/t. Assim, o custo de produção chega a R$ 75,00 por arroba", explica o presidente da Associação Valdomiro Ferreira.

Em Santa Catarina, o presidente da ACCS (Associação Catarinense dos Criadores de Estado), Lozivânio Lorenzi, afirma que os suinocultores estão trabalhando no vermelho após alta de R$ 2,00 por saca de milho e R$ 300,00 na tonelada do farelo de soja.

“O custo na região está acima dos R$ 4,00/kg enquanto que o preço de comercialização nesta semana está em R$ 3,20/kg", explica Lorenzi.7

De acordo com o alerta de mercado do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) as altas recentes melhoraram o poder de compra do suinocultor frente aos principais insumos da atividade (milho e farelo de soja).

"Esse cenário, verificado em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea, traz certo alívio aos produtores, que, há um mês, vinham negociando o animal vivo num dos menores patamares", explica o Centro.

A menor disponibilidade de animais terminados e o aumento da demanda interna pela carne, favorecida pelo clima frio, são os fatores fundamentais para a dinâmica atual do mercado.

Nesta semana o levantamento de preço do Notícias Agrícolas apontou alta em sete praças. Em Minas Gerais a pesquisa MERCOMINAS apontou um cenário positivo para comercialização, sugerindo o preço de referência para essa semana em R$ 3,90/kg, alta de R$ 0,40 (11,43%) por quilo do animal vivo.

No Paraná o avanço foi de R$ 0,02 (0,71%) no quilo do animal vivo, conforme indicou a APS (Associação Paranaense de Suínos). Assim, a referência semanal saiu de R$ 2,81/kg para R$ 2,83/kg.

No mercado gaúcho, a bolsa de suínos da Acsurs (Associação dos Criadores e Suínos do Rio Grande do Sul), informou alta de R$ 0,14 (4,24%) na referência da semana, passando de R$ 3,30/kg para R$ 3,44/kg. Essa é a terceira valorização semanal, após um longo período de queda.

Segundo a APCS, em São Paulo, a referência para a semana ficou em R$ 73,00 a R$ 75,00/@, que representam respectivamente R$ 3,89 a R$ 4,00/kg vivo. Esse novo patamar representa um ganho de R$ 8,00 a R$ 10,00 (12,04%) por arroba em relação ao preço praticado na semana passada.

No atacado também foram verificadas altas nos preços na última semana. A carcaça especial está cotada, em média, em R$5,60/kg, aumento de 1,8% no período. Desde o início do mês, a carcaça subiu 21,7%, segundo levantamento da Scot Consultoria.

No curto prazo, com a entrada do novo mês, a Consultoria espera novas valorizações tanto do animal vivo, quanto no atacado.

Em Santa Catarina a semana encerrou com referência em R$ 3,35/kg, alta de 11,67%. Seguido do Mato Grosso com valorização de 9,62% cotado a R$ 2,85 e Goiás que fechou em R$ 3,90/kg, avanço de 11,43% no período.

Para a ABCS (Associação Brasileira dos Criadores de Suínos) o cenário para o setor de carne suína do Brasil tende a melhorar nos próximos meses, com entrada da safrinha e do inverno.

O diretor executivo da Associação, Nilo de Sá espera que “a entrada da safrinha deve reduzir o preço do milho entre 20% e 30%, mesmo com a quebra (na produtividade) observada no Centro-Oeste”, disse. “Já o preço do suíno vivo vem crescendo nas últimas semanas, observando sazonalidade similar a 2015", acrescentou.

Crise do milho

A crise no abastecimento do milho já traz reflexos a cadeia suinícola do país.

No município de Chapecó (SC) a produtora independente, Cidiane Cela, que também produz de ovos, irá encerrar produção de suínos independentes e eliminará dois lotes de aves, devido à dificuldade em arcar com os altos custos do milho.

“Na sexta-feira (27) vamos carregar o caminhão com os suínos e encerrar as atividades, porque não conseguimos mais bancar a saca de milho a R$ 60,00”, relata.

Segundo ela, nem mesmo as recentes altas no mercado suinícola trouxeram alívio para atividade. “Às vezes a bolsa sinaliza alta, mas o produtor só vai receber quando as agroindústrias resolvem reajustar o preço, e nem sempre isso é rápido”, explica Cela.

O levantamento da Embrapa apontou que o custo dos suínos subiu 2,95% em abril.

O ICPSuíno chegou a 224,24 pontos, novo recorde histórico do índice. Mais uma vez, o aumento dos custos com nutrição (2,71%) foi o maior responsável pela alta. Também influenciaram os gastos com transporte (0,23%). Em 2016, o índice acumula uma inflação de 9,89%. Nos últimos 12 meses, a elevação do índice chega a 24,63%.

Diante desse cenário, o presidente da APCS Valdomiro Ferreira, afirma que muitas granjas já estão deixando de alocar e abatendo matrizes e, entregando animais mais leves, fatores que criando um desequilíbrio de oferta.

"Assim, projetamos para o segundo semestre uma redução no volume de carnes disponível no mercado interno. Porém, o consumo - em função da crise econômica - não deve impulsionar os preços", destaca Ferreira.

Exportações

De acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (23) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), até a terceira semana de maio (15 dias úteis) o país exportou 39,1 mil toneladas de carne suína 'in natura', com uma média de 2,6 mil t/dia.

Considerando o igual período de abril/16 e maio/15, o volume corresponde a uma queda de 1,5% e 28% respectivamente.

Em receita, os embarques resultaram um saldo de US$ 80,2 milhões - equivalente a US$ 5,3 milhões/dia.

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Fonte: Notícias Agrícolas + Scot

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