EUA reabrem mercado de carne bovina "in natura" para o Brasil, diz ministra

Publicado em 21/02/2020 17:43
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Ministra Tereza Cristina diz que a notícia traz o reconhecimento da qualidade da carne brasileira por um mercado tão importante como o americano

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SÃO PAULO (Reuters) - Os Estados Unidos reabriram o mercado de carne bovina "in natura" para exportações do Brasil, disse a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em vídeo publicado em sua conta no Twitter nesta sexta-feira.

"Hoje recebemos com muita satisfação uma notícia esperada por nós já há algum tempo, a reabertura do mercado de carne bovina 'in natura' do Brasil para os Estados Unidos", afirmou a ministra, sem fornecer detalhes.

Os EUA haviam paralisado as importações de carne bovina "in natura" do Brasil em junho de 2017, sob alegações de que embarques haviam falhado em testes de segurança alimentar.

Os norte-americanos queixavam-se de reações provocadas nos animais, os abscessos, como consequência de vacinações contra febre aftosa.

A medida tem efeito imediato, mas alguns passos precisam ser seguidos, incluindo o envio pelo governo brasileiro de uma lista de empresas aprovadas a exportar para os EUA, disse uma fonte à Reuters.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) não respondeu de imediato a um pedido de comentários.

As ações de frigoríficos como Marfrig, JBS e Minerva aumentaram ganhos na bolsa após a publicação da notícia pela ministra no Twitter.

Boa notícia: reabertura do mercado dos EUA para carne bovina in natura do Brasil. Mais um bom resultado para nossa economia. Reconhecimento da qualidade do produto brasileiro. 🇧🇷 Parabéns, presidente @jairbolsonaro. #agro pic.twitter.com/aJZ0IQUMUG

— Tereza Cristina (@TerezaCrisMS) February 21, 2020.
Ao jornal O Estado de S. Paulo, ela confirmou a decisão. “É uma ótima notícia para o Brasil. O mercado americano não é tão representativo para nós em termos de volume, mas é muito importante conceitualmente, por termos esse mercado aberto”, disse.

Vendas suspensas

A suspensão estava em vigor desde junho de 2017, quando o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, travou a compra do produto brasileiro, segundo ele, por causa de “preocupações recorrentes” com a segurança do produto destinado ao mercado americano. 

Na ocasião, ele informou que a medida continuaria em vigor até que o Ministério da Agricultura do Brasil adotasse ações “corretivas” para atender as exigências do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

A decisão era encarada como um revés significativo para os exportadores de carne brasileiros, que haviam conseguido abrir o mercado americano para seus produtos em junho de 2015. O primeiro embarque, no entanto, ocorreu apenas em setembro de 2016. Embora o volume de exportação ainda não chegasse a ser relevante, o mercado americano, por ser um dos mais exigentes, servia de referência para que outros países decidissem comprar a carne brasileira.

Na época, o então ministro Blairo Maggi tentou reverter a decisão, sem sucesso, e chegou a declarar que era preciso entender que o Brasil estava exportando carne “para o maior concorrente que temos no mundo” e que, por isso, havia pressão grande de produtores americanos para que o embargo fosse efetivado.

A reabertura, portanto, tem significado simbólico porque, como diz o comunicado, é um importantíssimo voto de confiança em nossa inspeção e defesa pecuária. Politicamente também é significativo, pois significa um sinal de aproximação com os EUA.

Repercussão: Péricles Salazar (Abrafrigo):

"Notícia que estava sendo aguardada com muita ansiedade. 

Impactos positivos para todos da cadeia produtiva. Mas , lembro, são poucos os frigoríficos habilitados . 

Mas como é um mercado exigente, sinaliza positivamente para outros países compradores".

NOTA MAPA:  Brasil poderá começar a enviar carne bovina in natura  a partir de hoje

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e o Serviço de Inspeção e Inocuidade Alimentar (FSIS) informaram nesta sexta-feira (21) ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) a abertura de mercado para carne bovina in natura do Brasil para os Estados Unidos a partir de hoje.

"Hoje recebemos com muita satisfação uma notícia esperada há muito tempo: a reabertura do mercado de carne bovina in natura do Brasil para os Estados Unidos. Uma notícia que esperávamos com ansiedade há algum tempo e que hoje eu tive a felicidade de receber. É uma ótima notícia, porque isso traz o reconhecimento da qualidade da carne brasileira por um mercado tão importante como o americano", disse a ministra Tereza Cristina. 

O Brasil poderá começar a enviar produtos de carne bovina in natura derivados de animais abatidos a partir de hoje. No comunicado encaminhado ao Mapa, o FSIS disse que o Brasil corrigiu os problemas sistêmicos que levaram à suspensão e está restabelecendo a elegibilidade das exportações de carne bovina in natura para os Estados Unidos a partir de hoje. Além disso, o FSIS encerrará os casos pendentes de violação de pontos de entrada associado à suspensão de 2017.

Antes da primeira remessa, o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Mapa (Dipoa) deve enviar uma lista atualizada de estabelecimentos elegíveis certificados. 

As compras de cortes bovinos do Brasil foram suspensas pelos Estados Unidos em 2017, devido às reações (abcessos) provocadas no rebanho, pela vacina contra a febre aftosa.

Desde o início do ano passado, a ministra tem feito diversas reuniões com o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, para tratar do assunto. Em junho de 2019, uma missão veterinária dos Estados Unidos esteve no Brasil para inspecionar frigoríficos de bovinos e suínos. A missão retornou em janeiro deste ano. 

Boi gordo: Embora calmo, o mercado está firme, diz Scot Consultoria

Em São Paulo, nessa sexta-feira de pré-Carnaval, a cotação do boi gordo na praça paulista encerra a semana com preços estáveis na comparação feita dia a dia.

Normalmente, o último dia da semana é de mercado calmo, com frigoríficos ofertando menos pela arroba, o que se intensificou nesta sexta, às vésperas do feriado nacional.

O cenário é de preços travados, com oferta restrita e dificuldade de escoamento.

Apesar do consumo ainda deixando a desejar, a disponibilidade comedida de boiadas, e as programações de abate enxutas, deixam pouco espaço para preços abaixo da referência.

Minas Gerais

Na região de Belo-Horizonte, a cotação do boi gordo subiu 1,6% na comparação dia a dia, ou R$3,00/@, e ficou cotada em R$195,00/@, considerando o preço bruto, à vista, R$194,50/@, com desconto do Senar, e R$192,00/@ com desconto do Funrural e Senar.

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Fonte:
Reuters/Mapa/Scot

1 comentário

  • carlo meloni sao paulo - SP

    Essa e' espetacular...

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    • LUIZ GENTIL PASTORE Toledo - PR

      Lula deveria estar na cadeia e devolver tudo que roubou em vez de falar do ministro Guedes e do General Heleno.... o maior problema do Brasil é o Maia e os deputados corruptos...

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