Exportador de carne de cavalo de olho na China

Publicado em 30/12/2009 12:10 1899 exibições

A exemplo do que acontece com a carne bovina, outro elo da cadeia de proteína animal que o Brasil tem relevância no mercado internacional está sendo bastante influenciado por barreiras impostas por importadores. Desde 2006, as exportações brasileiras de carne de cavalo in natura entraram em declínio e o movimento foi ainda mais acentuado em 2009, fazendo com que os embarques voltassem aos níveis do início da década. A expectativa é que as vendas externas do ano sejam inferiores a 25 mil toneladas, uma queda de 10% em relação a 2008.

O principal motivo para o recuo é que a União Europeia, destino de 70% das exportações brasileiras de carne de cavalo, passou a ser mais rigorosa com suas compras. Em 2009, o bloco definiu novas regras para a importação de carne equídea oriunda de terceiros países e passou a exigir dos exportadores projetos para controle de resíduos, uso de medicamentos e outras substâncias, que serão analisados e aprovados pela Comunidade Europeia. Na prática, os europeus querem impor para as vendas de carne de cavalo regras parecidas com as cobradas para a rastreabilidade bovina já existente.

"Fazer uma rastreabilidade para exportação de cavalos no Brasil é algo muito difícil, porque não temos uma criação comercial. A carne vendida é proveniente de animais que são descartados do uso diário nas fazendas", afirma Roberto Arruda de Souza Lima, professor do Departamento de Economia da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

Apesar das exigências europeias, Souza Lima considera que o mercado mundial de cavalos está em expansão e o Brasil tem espaço para crescer. Para ele, o governo precisa trabalhar mais para reduzir as barreiras ao produto nacional e oferecer incentivos para os frigoríficos que atuam no segmento, a exemplo do que acontece com a indústria de carne bovina, onde o BNDES tem participação societária nas principais companhias. Do lado privado, o especialista critica a pequena disponibilidade de informações por parte dos frigoríficos do ramo e as poucas garantias para a sustentabilidade do sistema de produção, incluindo as questões de bem-estar animal.

As importações mundiais de carne de cavalo concentram-se em cinco países. França, Bélgica, Itália, Rússia e Suíça representam 81% de todas as compras mundiais do produto, que, na maioria dos casos, é adquirido por esses países para ser exportada na forma de embutidos ou em produtos com maior valor agregado. Com isso, os maiores importadores também estão na lista dos grandes exportadores. Mas, se forem excluídas as re-exportações, o Brasil aparece como quarto maior fornecedor, com participação de 10,9% no total, atrás de Argentina (28,7%), Canadá (24,6%) e Polônia (14,6%).

Existem no Brasil sete frigoríficos habilitados pelo Ministério da Agricultura para exportar carne de cavalo - Três Fronteiras (PR), Miramar (RS), Pomar S/A (MG), Frigorífico Itapetininga (BA), Floresta (RS), Rei do Gado Fazendas (PR) e Companhia Ítalo Brasileira (MG). Mesmo fazendo parte de uma lista pública, as empresas não gostam de ter seus nomes relacionados ao abate de cavalos, pelo fato de os animais serem vistos no país como companhia, não para consumo.

"Não existe consumo no mercado interno e as empresas não passam informações sobre suas vendas nem sobre suas dificuldades", diz Pio Guerra Júnior, presidente da Comissão Nacional de Equinocultura na Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Mesmo com maiores exigências pra exportação e uma queda na demanda por conta da crise internacional, Guerra considera que 2010 pode ser um ano melhor para o setor no Brasil do que foi 2009. Segundo ele, os frigoríficos estão trabalhando no aperfeiçoamento dos sistemas de rastreabilidade e o governo, junto com a iniciativa privada, está atuando na abertura do mercado chinês, fato que pode reaquecer as exportações.

"Temos ótimas condições para oferecer a carne de cavalo a um baixo custo", afirma Guerra. Para o professor Souza Lima, da Esalq, o Brasil poderia aumentar sua participação no mercado mundial ocupando espaço hoje ocupado pela Argentina. "Temos competitividade para isso e podemos aumentar nossa produção destinada ao abate", afirma.

 
 
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Fonte:
Valor Econômico

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