La Niña: Fenômeno tem foco no Sul do Brasil e castiga lavouras de grãos

Publicado em 03/01/2012 08:49 e atualizado em 03/01/2012 13:54 3095 exibições
O Brasil está sob influência do La Niña mais uma vez. Caracterizado pelo resfriamento das águas do oceano Pacífico, o fenômeno causa uma severa seca na região Sul do país e também em partes da Argentina e do Uruguai. Os estados brasileiros mais afetados são o Rio Grande do Sul, o Paraná e o Mato Grosso do Sul, três importantes produtores de grãos.

Nas lavouras gaúchas, a cultura mais afetada é a do milho. As chuvas, que registram uma média histórica de 145 mm neste mês em municípios como o de Passo Fundo, devem receber algo entre 20 e 30 mm apenas na primeira quinzena de janeiro. A soja precoce, o feijão,a batata e mais alguns outros hortifrutis também sofrerm com os efeitos da estiagem.

No Paraná e no Mato Grosso do Sul a situação também é bastante grave. Nas cidades de Cascavel/PR e Dourados/MS, as precipitações também devem ficar entre 20 e 30 mm até o dia 15 de janeiro. As chuvas, no entanto, serão insuficientes para aliviar o estresse causado pelo déficit hídrico registrado em dezembro nos dois estados e que foi prolongado por mais de 20 dias.

Mato Grosso - No Mato Grosso, por outro lado, a situação climática é favorável e a colheita da soja já foi iniciada em algumas cidades. O estado, que é o maior produtor nacional da oleaginosa, deve receber as chuvas típicas de verão.

As precipitações devem ser intercaladas e com largos períodos de sol e tais condições são propícias para a entrada das colheitadeiras no campo. Nos primeiros quinze dias desse mês, as terras matogrossenses devem receber de 130 a 150 mm de chuvas, podendo chegar a 350 mm.

Safrinha - Os produtores, principalmente da região Centro-Oeste do Brasil, devem ficar atentos também ao clima na época das safrinhas. Segundo o meteorologista Paulo Etchichury, as chuvas do primeiro semestre não devem se estender até maio e isso poderia comprometer a produção em alguns pontos.

O alerta é para que não se extrapole a janela de plantio de culturas como o milho e o algodão por conta do risco climático. No ano passado, os produtores de algodão do MT registraram baixas na produção depois de terem ampliado a janela de plantio. A produtividade e a qualidade foram comprometidas depois que as chuvas necessárias não chegaram nem no fim de abril e nem no começo de maio.

A previsão da meteorologia para o primeiro semestre de 2012, de forma geral, é bastante semelhante ao mesmo intervalo de 2010. Porém, as incertezas devem se expressar mias no segundo semestre do ano.

Entretanto, essas condições adversas do clima na América do  Sul devem dar suporte ao mercado de grãos, tanto o doméstico quanto o internacional. No último pregão de 2011 na Bolsa de Chicago, na sexta-feira (30), os futuros da soja, do milho e do trigo fecharam com boas altas. A oleaginosa fechou o ano com ganhos de mais de 10 pontos nos contratos mais próximos. Os negócios na CBOT foram retomados nesta terça-feira (3) e a tendência é de que os mercados continuem avançando.

Com informações do Valor Econômico.

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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