Clima: Sec. de Agricultura dos EUA prevê mudanças na produção agrícola

Publicado em 06/05/2014 16:31 e atualizado em 07/05/2014 19:12 2668 exibições

Um novo relatório divulgado hoje (6) pelo governo de Barack Obama detalha os drásticos efeitos das mudanças climáticas já sentidos no clima e na agricultura dos Estados Unidos 

O secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Tom Vilsack, divulgou uma nota sobre o relatório Avaliação Nacional do Clima (NCA, sigla em inglês):

“A NCA confirma que as mudanças climáticas estão afetando todas as regiões do país e setores críticos da economia, como a agricultura. Esta avaliação fornece uma visão sem precedentes de como as condições climáticas extremas podem impactar o setor rural da América... A administração Obama continua a tomar medidas para reduzir a poluição de carbono de forma responsável, reduzir os efeitos das alterações climáticas e apoiar uma economia baseada nas energias renováveis. No USDA, nós estamos trabalhando em estreita colaboração com os agricultores da nossa nação, fazendeiros e proprietários de áreas florestais para ajudá-los a gerenciar os impactos negativos das alterações climáticas, reduzir seus custos de energia, e fazer crescer a bioeconomia para criar empregos na América rural.

Pela primeira vez na história, a Avaliação Nacional do Clima examinou os efeitos das alterações climáticas sobre as comunidades rurais dos EUA. As comunidades rurais são extremamente resistentes a ideia de mudanças climáticas, mas terão de enfrentar obstáculos importantes e prepararem-se para os riscos das alterações climáticas. Em particular, o isolamento físico, a diversidade econômica limitada e as taxas de pobreza mais elevadas, combinado com o envelhecimento da população, tendem a aumentar a vulnerabilidade das comunidades rurais.

Em todo o país, agricultores estão vendo um aumento nos riscos para as suas operações devido a incêndios, os aumentos de pragas invasoras, secas e enchentes. No Meio-Oeste, os períodos produtivos estão se estendendo, a época de incêndios é agora mais longa e as florestas estarão cada vez mais ameaçada por surtos de insetos, incêndios, secas e tempestades nos próximos 50 anos. Estes eventos ameaçam o abastecimento de alimentos dos Estados Unidos e são caros para os produtores e as economias rurais. Apenas nos EUA, os custos da seca foram avaliados em os EUA US$ 50 milhões entre 2011 e 2013. Tais riscos têm implicações não só para os produtores agrícolas, mas para todos os americanos”.

As agências federais dos EUA estão trabalhando com o estado, governos locais e outros parceiros em um plano nacional para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas na agricultura.

USDA está tomando medidas imediatas para ajudar as áreas em todo o país afetadas pela seca crônica. Em fevereiro, o presidente Obama e o secretário Vilsack anunciaram uma ajuda financeira para os produtores da Califórnia.

 

Mudanças climáticas já afetam agricultura nos EUA, aponta relatório

Os efeitos das mudanças climáticas na agricultura estão sendo fortemente debatidos nos Estados Unidos nos últimos dias. Hoje (6) a administração de Obama divulgou um relatório que detalha os efeitos já comprovados das mudanças do clima no desenvolvimento e na produtividade das safras. 

De acordo com o conselheiro especial da Casa Branca, John Podesta, a avaliação "será a mais competente e abrangente fonte de informação científica já produzida sobre como as mudanças climáticas vão impactar todas as regiões dos Estados Unidos e setores-chave da economia nacional".

Entre os efeitos apontados pelo relatório, estão:

- Efeitos na agricultura: Muitos produtores norte-americanos podem conseguir adaptar sua produção às intempéries climáticas ao longo dos próximos 20 a 25 anos, principalmente porque o aumento da concentração de CO2 na atmosfera pode beneficiar temporariamente algumas culturas. Porém, este cenário não deve durar muito tempo. O aumento da temperatura e clima mais seco devem provocar fortes impactos negativos nos campos e na criação de animais. 

Ainda hoje, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que uma forte seca está prejudicando o desenvolvimento da safra de trigo no país. A proporção de plantios avaliados como “bons ou excelentes” caiu 2% na semana passada e “as plantas estão em sua pior condição desde 1996”, segundo o banco alemão Commerbank.  
   
- Calor e seca no sudoeste dos EUA: A seca sem precedentes registrada este ano no estado da Califórnia, que causou inúmeros incêndios florestais, chamou atenção do mundo para os efeitos das mudanças climáticas. O relatório indica que nos próximos anos, o cenário poderá ser ainda mais preocupante. A Califórnia e o Arizona devem ficar mais quentes e o clima no sul da região tende a ficar mais seco, ocasionando mais incêndios.  
 
- Ártico: O Ártico é a região do mundo que mais registra aumento de temperatura, por isso, o Alaska – estado norte-americano localizado no Ártico – tem registrado aquecimento gradual nos últimos 60 anos. A tendência é que este padrão continue no futuro. 

- Áreas costeiras em perigo: O furacão Sandy, que afetou os estados de Nova Iorque e Nova Jersey no final do ano 2012, indica o que pode acontecer quando tempestades fortes, aliadas ao aumento do nível do mar, atingem grandes cidades. O relatório estima que mais de 164 milhões de norte-americanos que vivem nas áreas costeiras (mais da metade da população do país) correm risco de enfrentar mais enchentes nos próximos anos. 

O relatório, conhecido como Avaliação Nacional do Clima (NCA, sigla em inglês), é produto de anos de pesquisas realizadas por um grupo de mais de 200 cientistas. O primeiro relatório foi divulgado no ano passado, mas apenas agora foi aprovado e assinado pelo governo federal e pelo Comitê Consultivo para o Desenvolvimento dos Estados Unidos. 

Veja aqui o relatório original, na íntegra: NCA 
 

Estudos da Monsanto detalham efeito das mudanças climáticas na agricultura

Robert T. Fraley, vice-presidente e diretor de tecnologia da Monsanto, publicou um artigo hoje no site norte-americano The Huffington Post, em que descreve os estudos da empresa de biotecnologia sobre os efeitos das mudanças climáticas na produção agrícola e o que está sendo feito para minimizá-los. 

Leia abaixo um resumo de seu artigo:

Recentes relatório publicados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) demonstram que há um consenso científico em torno de duas das mais importantes questões do século 21: as mudanças climáticas e a segurança alimentar.

As mudanças do clima podem levar a altas nos preços de alimentos, fome em diversas partes do mundo e outras calamidades. Mas ainda há tempo para reverter o cenário: adotando inovações e estratégias agrícolas, além de trabalhar para limitar as emissões de gases de efeito estufa. Pode-se levar até 20 anos para desenvolver novas variedades agrícolas e adaptar rebanhos a novas condições.

Problemas de escassez de água, causados pelas secas, já estão reduzindo a produtividade de safras, segundo o IPCC “As mudanças climáticas já causaram efeitos negativos sobre a produtividade do milho em diversas regiões do mundo... As mudanças no clima deverão aumentar progressivamente a variabilidade inter-anual de rendimento das culturas em muitas regiões e estes impactos previstos ocorrerão em um momento em que a demanda por alimentos estará em pleno crescimento”. 

O relatório do IPCC mostra que até 2015, o mundo terá 9,6 bilhões de pessoas, o que representa um aumento de 33% em relação á população atual. Até lá, milhões de consumidores serão de classe média, portanto, irão consumir alimentos em maior quantidade e de melhor qualidade, o que deverá colocar ainda mais pressão e complexidade ao cenário de demanda por comida. “Todos os aspectos da segurança alimentar são afetados pelas mudanças climáticas, o que inclui o acesso aos alimentos, sua utilização e a estabilidade dos preços”. 

Estudos da Monsanto
A Monsanto tem estudado os efeitos das mudanças climáticas na agricultura desde 2006, quando formou um painel de cientistas e especialistas de todo o mundo. Depois de 6 meses de pesquisas, o painel conclui que as mudanças do clima já ameaçam a produção agrícola.

Em 2013, o painel concluiu que as mudanças estão mais rápidas do que era previsto por modelos mais conservadores e que os impactos a curto prazo na agricultura seriam ainda maiores. 

Entre as ameaças diretas, estão: 

- Disponibilidade de água - Áreas desertas ou propensas à seca vão expandir. Por outro lado, a frequência e a intensidade das tempestades severas, que danificam culturas já estão aumentando. 

- Estresse térmico - Ondas de calor extremas já estão causando prejuízos significativos nas culturas e devem ficar piores em muitas regiões produtivas importantes, como as Grandes Planícies no sul dos Estados Unidos.

- Doenças e pragas – Insetos, pragas e doenças já representam desafios importantes para a produção agrícola mundial, com o aumento de temperatura e o desenvolvimento de novas variedades. Os insetos podem espalhar doenças que são agravadas por temperaturas mais quentes. Devido ao aumento da temperatura, a localização do cinturão de milho dos EUA já se mudou para o norte em uma média de 20 quilômetros por década. Agricultores já começaram a experimentar surtos maiores de doenças que reduzem os rendimentos, como a ferrugem asiática da soja e ferrugem do café. 

Em face a essas ameaças, Fraley explica que a Monsanto trabalha com o melhoramento de plantas, cujos avanços estão ajudando cientistas a desenvolver novas sementes que estão melhor adaptadas às mudanças climáticas tensões. Novas variedades são capazes de suportar condições climáticas mais extremas, resistir às pragas e doenças que vêm com a mudança climática. 

Leia mais sobre o assunto:

Clima: Relatório sobre mudanças climáticas apresentado por Obama é rebatido pela organização CFACT

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Por:
Fernanda Bellei
Fonte:
Notícias Agrícolas

1 comentário

  • João Alves da Fonseca Paracatu - MG

    Este noticiário a respeito do clima é muito polêmico,mas tem uma coisa aí, que é verdade tanto nos EUA como no BRASIL ou em quase todo mundo, que é o envelhecimento da população rural e se é fato que problemas climáticos empobrecem o agricultor é muito mais verdade que isso afetará a todos,pois o setor primário gera dinheiro para que outros setores girem,sem a vaca não tem leite,queijo,embalagem,transporte ,remédio veterinário,contabilidade,cooperativa ,fábrica de ração,detergente,fiscalização,etc,se quiserem ,escrevo mais duzentos itens associados a um simples produtor de leite...ah, se tivéssemos competência para divulgar isto!

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