Tempo: Primavera começa e traz irregularidade; início de outubro será de baixos volumes no BR central

Publicado em 24/09/2018 10:40
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A primavera começou no Brasil na noite do último sábado (22). A estação pode ser marcada pela ocorrência do fenômeno climático El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas da superfície do oceano pacífico. Se confirmado, provavelmente, será de curta duração e intensidade baixa ou moderada, mas influenciará no tempo em quase todo o país.

Essa condição causa preocupação em parte dos produtores porque pode promover irregularidade das precipitações em áreas produtoras, começando já em outubro. O plantio da safra de verão está no início em áreas do Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Nos estados de Goiás e Minas Gerais, o plantio será liberado a partir do dia 30.

"A maioria das áreas do Brasil terá mais dias quentes do que com temperatura baixa. A chuva retorna ao país, mas o processo de formação do El Niño será um complicador para a chuva. A chuva da primavera já é normalmente irregular e não beneficia igualmente uma grande região. O aquecimento que ocorre no Pacífico vai aumentar esta irregularidade espacial", explica a Climatempo.

Anomalias médias da temperatura da superfície do mar (TSM) (° C) nas últimas semanas - Fonte: The Climate Prediction Center/NOAA 17/09
Anomalias médias da temperatura da superfície do mar (TSM) (° C) nas últimas semanas - Fonte: The Climate Prediction Center/NOAA

Ainda assim, segundo a empresa meteorológica, os maiores impactos da chuva na primavera deste ano 2018 serão mais sentidos nos setores de abastecimento de água para as populações e para a geração de energia do que na agricultura.

O mês de outubro começa nos próximos dias e a condição de chuva mais irregular já poderá ser vista. Segundo a Climatempo, no período, é esperado muito calor na região central do país e temperaturas abaixo do normal apenas no Sul. As chuvas devem ficar dentro a abaixo da média em quase todas as áreas do país. A maior parte cai apenas na segunda quinzena do mês.

Segundo o mapa do centro de previsão da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, mostra uma tendência de o mês de outubro já começar com baixos volumes de chuva sobre a maior parte da região central do Brasil, onde fica a maior parte das áreas produtoras. Apenas o Sul e Norte do país terão precipitações mais volumosas.

Veja o mapa com a precipitação acumulada para o período de 23 de setembro até 09 de outubro:

Mapa com a precipitação acumulada para o período de 23 de setembro até 09 de outubro - Fonte: National Centers for Environmental Prediction/NOAA
Fonte: National Centers for Environmental Prediction/NOAA

Climatologicamente, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a primavera é caracterizada por ser um período de transição entre as estações seca e chuvosa no setor central do Brasil. "Há o início da convergência de umidade, que define a qualidade do período chuvoso sobre as regiões Centro-Oeste e Sudeste, bem como a parte centro-sul da Região Norte", explicou em prognóstico o instituto.

O mapa de previsão probabilística do Inmet , divulgado neste mês de setembro, também mostra uma condição de chuvas abaixo do normal à dentro da normalidade para os próximos três meses (outubro, novembro e dezembro). Áreas de Minas Gerais e Mato Grosso, inclusive, tendem a ter níveis muito abaixo do normal.

Veja o mapa com a previsão probabilística para outubro, novembro e dezembro:

Mapa com a previsão probabilística para  outubro, novembro e dezembro - Fonte: Inmet
Fonte: Inmet

Veja a previsão dos principais institutos meteorológicos para os próximos meses:

Climatempo

Destaques da chuva no BR para a primavera 2018 - Climatempo
Fonte: Climatempo

Destaques de temperatura no BR para a primavera 2018 - Climatempo
Fonte: Climatempo

Outubro

Temperatura: Muito calor na região central do país. Temperatura abaixo do normal apenas na região Sul.

Precipitação: De normal a abaixo da média, em quase todas as áreas. A maior parte da chuva cai na segunda quinzena. No oeste do Sul e no sul do Centro-Oeste chove um pouco mais que a média.

Novembro

Temperatura: Calor diminui com relação à outubro, com o aumento da nebulosidade e da chuva, mas ainda é intenso.

Precipitação: Abaixo da média na maior parte do Sudeste, Nordeste e Norte. Acima da média no Sul, interior de SP e sul e leste de MS.

Dezembro

Temperatura: Calor intenso na maior parte do Brasil. Normal no Norte.

Precipitação: Abaixo da média em grande parte do País. Ligeiramente acima do normal no RS, SC e em parte do Norte e do Nordeste.

Somar Meteorologia

REGIÃO SUL

Primavera com chuva forte no Rio Grande do Sul: A primavera registrará chuva acima da média no Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina e Paraná, a chuva também passará a média, mas sua distribuição será irregular, com meses mais chuvosos alternados com meses mais secos.

A chuva irregular trará calor excessivo entre outubro e novembro. A temperatura da estação ficará mais elevada que o normal sobretudo no Paraná. No Rio Grande do Sul, os dias nublados deixarão a temperatura mais baixa que o normal, enquanto que em Santa Catarina, não há previsão de desvios muito significativos.

Temperatura na região Sul: Outubro será um mês mais quente que o normal, mas isto não quer dizer que não fará frio. Logo nos primeiros dias do mês, a temperatura declinará nos três Estados. Posteriormente, especialmente ao longo da segunda quinzena, o calor será persistente sobretudo no noroeste do Paraná.

Em novembro, boa parte da Região receberá chuva entre a média e acima da média, sendo que a maior parte acontecerá na primeira metade do mês. Na segunda quinzena, a chuva forte será mais persistente no oeste do Rio Grande do Sul. A temperatura permanecerá acima da média na costa dos três Estados, mas permanecerá próxima do normal no interior pela maior quantidade de nuvens.

Apesar da pouca precipitação em parte do mês, dezembro terá temperatura próxima da média no Paraná e Santa Catarina e abaixo da média no interior do Rio Grande do Sul.

REGIÃO SUDESTE

Primavera com calor e chuva irregular no Sudeste: A primavera terá chuva acima da média no oeste e sul de São Paulo, mas sua distribuição será irregular, com meses mais chuvosos alternados com meses mais secos. No Rio de Janeiro, Espírito Santo e boa parte de Minas Gerais, a chuva ficará dentro da média, mas igualmente irregular, enquanto que no norte de Minas Gerais, choverá menos que o normal!

A melhor precipitação é esperada para um curto período de tempo dentro do segundo decêndio do mês.

Temperaturas acima do normal: O calor será intenso na segunda metade do mês, enquanto que na primeira metade de outubro, a temperatura não será tão elevada, especialmente nas capitais e litoral.

Em novembro, todas as simulações trabalham com chuva acima da média em São Paulo e abaixo da média em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo com a maior parte da precipitação acontecendo na segunda metade do mês nos quatro Estados da Região. O calor torna-se mais persistente com temperatura acima da media nos quatro Estados.

O mesmo padrão de distribuição de chuva é esperado para dezembro com chuva acima da média em São Paulo e abaixo da média em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A temperatura, no entanto, será mais elevada que o normal somente em Minas Gerais.

REGIÃO CENTRO-OESTE

Pancadas de chuva de forma irregular no Centro-Oeste: A previsão é para uma primavera de chuva acima da média no oeste e sul de Mato Grosso do Sul, mas sua distribuição será irregular, com meses mais chuvosos alternados com meses mais secos. Em Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso, o acumulado de chuva não será suficiente para alcançar a média histórica.

A chuva irregular trará calor excessivo entre outubro e novembro. A temperatura da estação ficará mais elevada que o normal nos três Estados da Região.

Primavera de muito calor em Goiás e Mato Grosso: O calor será persistente e intenso em Goiás e Mato Grosso. Já em Mato Grosso do Sul, há previsão de queda na temperatura longo nos primeiros dias de outubro.

Em novembro, novamente há previsão de chuva acima da média em Mato Grosso do Sul e abaixo da média em Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal, apesar do acumulado bem mais elevado em todos os Estados comparando-se com outubro. Em Mato Grosso do Sul, a chuva será mais intensa na primeira quinzena, enquanto que em Goiás e Mato Grosso, a precipitação virá na segunda metade do mês.

O mesmo padrão de distribuição de chuva é esperado para dezembro com chuva acima da média em Mato Grosso do Sul e abaixo da média em Mato Grosso e Goiás. A temperatura, no entanto, será mais elevada que o normal somente no leste de Goiás e Distrito Federal.

REGIÃO NORDESTE

Chuva abaixo da média na primavera: Novamente, a chuva ficará abaixo da média, embora a precipitação se torne mais intensa no fim da estação. Em outubro, choverá menos que o normal na maior parte do Nordeste, o que não implicará em ausência total de precipitação. Somente no sul da Bahia, uma frente fria será capaz de trazer chuva mais intensa que o normal na primeira metade do mês.

O calor predominará com temperatura acima da média especialmente na Bahia, Maranhão e Piauí

Em novembro, o calor aumenta com temperatura acima da média na Bahia, Sergipe, Pernambuco e Piauí.

Somente em dezembro, as simulações indicam chuva forte e acima da média para a maior parte do Nordeste com a precipitação acontecendo na primeira metade do período.

O calor ainda mais intenso que o normal na Bahia, mas diminuirá nos demais Estados.

REGIÃO NORTE

Primavera com calor e chuva irregular no Norte: A primavera será caracterizada pelo aumento da chuva entre o Tocantins e Acre e enfraquecimento da precipitação em Roraima. Entretanto, o retorno da precipitação não será regular. A chuva alternará com períodos de tempo seco e quente.

A temperatura permanecerá mais elevada que o normal no mês de outubro

Em outubro, por exemplo, há previsão de chuva abaixo da média na maior parte da Região. Apesar disso, o acumulado projetado para o Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima será suficiente para manter ou até mesmo aumentar a umidade do solo nestes Estados.

Novembro será semelhante à outubro, com chuva inferior a média na maior parte dos Estado, mas com acumulado acima dos 100mm no Pará, Amazonas, Rondônia, Acre e Amazonas.

Somente em dezembro, a chuva será mais intensa que a média com acumulados acima dos 200mm em Rondônia, Amazonas, Pará e Tocantins.

A temperatura permanecerá mais elevada que o normal com maiores desvios ao longo do mês de outubro.

Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia)

REGIÃO NORTE

As maiores quantidades de chuva durante os meses de junho a agosto ocorreram sobre o Estado de Roraima e norte do Amazonas, com volumes superiores a 700 mm. Entretanto, grande parte da região apresentou chuvas abaixo da média, principalmente no noroeste do Pará e Amapá. Também foram registrados diversos episódios de friagem, durante os meses de inverno (junho a agosto), que atingiram o Acre, Rondônia e sul do Amazonas. Destaca-se ainda que a baixa umidade favoreceu a ocorrência de incêndios florestais em localidades dos estados de Roraima e Tocatins.

Para a Primavera, os modelos climáticos indicam que a Região Norte deve apresentar forte variabilidade espacial na distribuição de chuvas, com significativa probabilidade de áreas com chuvas dentro da faixa normal ou abaixo. É importante destacar que, normalmente existe uma redução das chuvas no meio norte do Pará, Roraima e Amapá, ficando abaixo de 400 mm, durante os meses de outubro e dezembro. Já na parte oeste dos estados do Amazonas, Roraima, Acre e Rondônia, bem como o extremo sul do Pará haverá possibilidade de chuvas acima da média. As temperaturas serão de normal a acima da média.

REGIÃO NORDESTE

Na Região Nordeste, durante os meses de inverno, as chuvas registradas foram abaixo da média em grande parte da região. Contudo, mesmo na costa leste do Nordeste, em que o trimestre mais chuvoso corresponde aos meses de maio a julho, a ocorrência de chuvas na maioria deste período não resultou em acumulados elevados. Já no interior do nordeste, mais precisamente na região chamada de MATOPIBA (Maranhão, Piauí e Bahia, além do Tocantins), sul do Ceará e parte leste de Pernambuco, os totais de chuva ocorreram dentro da normalidade, com valores inferiores a 50 mm.

A previsão do modelo estatístico do INMET para a primavera, indica o predomínio de áreas com maior probabilidade de chuvas próximas a média ou ligeiramente abaixo durante a estação. Ressalta-se que, o trimestre de outubro a dezembro é o mais seco da parte leste do nordeste. As temperaturas estarão mais elevadas sobre a região sul do Maranhão e do Piauí e no oeste da Bahia.

REGIÃO CENTRO-OESTE

A Região Centro-Oeste apresentou chuvas de normal a ligeiramente abaixo da normal durante o inverno, segundo sua característica climatológica, que é de baixa ou nenhuma pluviosidade. Com a permanência das massas de ar seco e quente durante os meses de junho a agosto, as temperaturas médias foram acima da normal climatológica e favoreceu a ocorrência de queimadas e incêndios florestais, principalmente nos estados do Mato Grosso e Goiás. Em alguns dias entre os meses de junho a setembro, a umidade relativa do ar apresentou valores abaixo de 20% nos horários com temperaturas mais elevadas. Já em localidades no sudoeste do Mato Grosso e leste do Mato Grosso do Sul, as temperaturas médias foram abaixo da média, devido a entrada de algumas massas de ar frio que passaram pelo Brasil.

A previsão para a Primavera indica alta probabilidade das chuvas ocorrerem de normal a ligeiramente abaixo da normal em grande parte da Região Centro-Oeste, exceto no sudoeste do Mato Grosso do Sul e extremo norte mato-grossense, em que as chuvas serão mais regulares. As temperaturas serão acima da média, principalmente no sul do Mato Grosso do Sul.

REGIÃO SUDESTE

Na Região Sudeste, a ação dos sistemas de alta pressão que atuaram nos meses de junho e julho sobre grande parte do Brasil, inibiu o avanço de sistemas frontais nesta região e a distribuição espacial das chuvas seguiu as suas características típicas para o período, com baixa ou ausência de precipitação. Entretanto, as chuvas dos primeiros dias de agosto de 2018 igualaram ou ultrapassaram a média climatológica. Além disso, houve alguns episódios de geadas, com intensidade variando de fraca a forte, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, principalmente nos meses de julho e agosto.

A previsão para os próximos três meses, indica que devem permanecer áreas com chuvas abaixo da faixa normal nesta estação, exceto em algumas áreas de São Paulo em que podem haver chuvas mais fortes, principalmente no mês de novembro. De modo geral, o modelo climático do INMET indica que as temperaturas devem permanecer acima da média em grande parte da região no mesmo período.

REGIÃO SUL

Durante os meses de inverno, os maiores volumes de chuva ocorreram no centro-leste do Rio Grande do Sul e sudeste de Santa Catarina. Logo nos primeiros dias de junho, deu-se o início da temporada de temperaturas abaixo de zero grau. A atuação das massas de ar frio ao longo do trimestre junho-julho-agosto, causaram queda na temperatura e formação de geadas, com intensidade variando de moderada a forte, em áreas serranas e planalto. Destaca-se que durante a primeira semana de julho e também de agosto, houve registro de neve na serra catarinense. De modo geral, o inverno seguiu um comportamento típico da estação.

O indicativo de um possível retorno do evento El Niño durante esta primavera, aliado a um aumento da temperatura no oceano Atlântico sobre a costa da Argentina e sul do Brasil, contribuem para o aumento das precipitações em grande parte da Região Sul. Portanto, o prognóstico da Primavera indica que as chuvas deverão ficar acima da faixa normal nos três estados da região, enquanto que as temperaturas médias devem predominar dentro da normalidade no Rio Grande do Sul e acima da média no restante dos estados.

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Por:
Jhonatas Simião
Fonte:
Notícias Agrícolas

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