EUA: Previsões indicam temperaturas mais amenas na próxima semana

Publicado em 16/07/2019 11:09 e atualizado em 16/07/2019 11:41
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"O clima na semana passada esteve OK, mas se continuarmos neste padrão de tempo quente e seco, me preocupo de que o stress hídrico possa aumentar. Na última semana eu disse que uma semana de condições como estas seriam boas para as lavouras, duas semanas teriam um impacto neutro e três poderiam começar a causar efeitos negativos. Estamos começando agora a semana três e as previsões indicam mais condições como estas, especialmente no centro e  noroeste do Corn Belt", explica o PhD norte-americano Michael Cordonnier sobre as últimas previsões climáticas para as regiões produtoras norte-americanas. 

Neste momento, o que se observa nos Estados Unidos são temperaturas bastante elevadas e esse calor intenso podendo se estender, pelo menos, até este domingo, 21 de julho, segundo o Commodity Weather Group (CWG) em sua previsão atualizada. Na sequência, no período dos próximos 6 a 10 dias - de 21 a 25 de julho -, as temperaturas já deverão ficar mais amenas, aliviando os problemas causados agora. 

E este padrão de um calor já não tão intenso deverá continuar, ainda de acordo com o CWG, no intervalo de 26 a 30 deste mês. Nos dois intervalos, porém, as chuvas deverão ser limitadas, de volumes não tão grandes e acontecendo pontualmente. Os mapas abaixo ilustram estas condições tanto para as temperaturas, quanto para as precipitações. 

Mapas CWG

"Algumas pancadas de chuvas nos próximos dois dias são esperadas no leste do Meio-Oeste americano, enquanto algumas tempestades rádidas podem ser registradas, também nos próximos dois dias e ainda na sexta e no sábado, no noroeste do Meio-Oeste", diz o Commodity Weather Group. 

No curto prazo, se observa condições mais secas para Illinois e de maior umidade paera Iowa. Entre os próximos 6 a 15 dias, as previsões mostram chuvas melhores no sul de Iowa, leste do Missouri, centro e sul de Illinois e sul de Ohio. 

Confirmado este cenário, a polinização do milho que já ocorre em áreas do sul de Iowa, Missouri, sudoeste de de Illinois, sudeste de Nebraska e no Kansas - correspondendo a cerca de 10% do cinturão produtivo - está sob risco agora, alerta o instituto de meteorologia. "Para Illinois, as preocupações aumentam no período do final do mês", dizem as previsões. 

Ao mesmo tempo, "o padrão de chuvas na região do Delta preocupa, com pontos de umidade excessiva", afirmam os especialistas do CWG. 

E para o médio prazo, de 31 de julho a 14 de agosto, o que o Commodity Weather Group prevê são condições de temperaturas dentro da normalidade para todo o Corn Belt e chuvas abaixo do normal para a época em pontos localizados do cinturão, como partes partes das Dakotas, Illinois, Indiana e Ohio. 

Mapas CWG 16 a 30 dias

Essas condições de "clima OK" registradas na última semana nos Estados Unidos, a que se refere Cordonnier, permitiu que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) elevasse em 1 ponto percentual o índice de lavouras de soja e de milho em boas ou excelentes condições em seu reporte semanal de acompanhamento de safras quando todo o mercado apostava em uma nova redução. 

Até o último domingo, de acordo com o reporte semanal de acompanhamento de safras, o total de lavouras em bom estado passou de 53% para 54%, enquanto as expectativas dos traders variavam de 51% a 52%. São 34% das plantações em condições regulares, contra 35% da semana anterior, e 12% em situação ruim ou muito ruim, mesmo número da semana passada. 

Sobre o milho, o USDA informou no boletim que são 58% dos campos em boas ou excelentes condições, contra 57% da semana anterior e expectativas que variavam de 55% a 56%. Ainda segundo o USDA, o total de lavouras em condições regulares passou de 31% para 30% e em condições ruins ou muito ruins ainda são 12%. 

Leia mais:

>> USDA surpreende e eleva índice de soja e milho em boas condições nos EUA em 1%

No entanto, as condições de clima agora muito desuniformes no país provocam reações também desiguais das lavouras nas diversas regiões produtoras, como explica o especialista. "O tempo mais quente e seco ajudou algumas áreas nos últimos dias, mas prejudicou outras", diz Cordonnier. E para as próximos dias e próximas semanas, as irregularidades também o preocupam. 

"A umidade trazida pelo furacão Barry (ocorrido no último final de semana) será importante, principalmente para a soja no curto prazo. Mas, estou mais preocupado com o centro e o sul de Iowa, onde os níveis de umidade do solo estão entre 20% e 40% mais ajustado, e também com o norte do Missouri e oeste de Illinois. 

REAÇÕES DO MERCADO

Nesta terça-feira (16), os futuros dos grãos negociados na Bolsa de Chicago seguem recuando diante das especulações de que essa melhora climática na próxima semana poderia, de fato, trazer um alívio às plantações norte-americanas. Somente entre as cotações da soja, perto das 11h (horário de Brasília), as baixas passavam de 12 pontos nos principais contratos. 

"Uma atualização e uma extensão dos modelos (climáticos) mostram a chegada de uma nova frente fria vinda do Canadá, que poderia trazer alívio para as lavouras a partir de segunda-feira que ve, Além disso, o furacão que passou pelo Golfo está trazendo mais chuvas para a parte leste do cinturão, que está muito atrasada no desenvolvimento das lavouras", explicou o analista de mercado Eduardo Vanin, da Agrinvest Commodities. 

Assim, ele completa dizendo que "esta frente fria passa a ter uma importância muito grande em uma manutenção das condições de produtividade ou até uma melhora. Mas, caso não aconteça, ou as chuvas venham em menor volume, ou as temperaturas sigam acima do normal, as coisas mudam. Assim, temos ainda essa produtividade muito indefinida". 

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

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