Esclarecimentos da Embrapa sobre o lançamento do feijão transgênico / cultivar BRS FC401 RMD (Resistente ao Mosaico Dourado)

Publicado em 13/04/2019 06:01 e atualizado em 15/04/2019 11:19
3052 exibições
- Esclarecimentos Oficiais

A Embrapa, como empresa pública, entende que a oferta do feijão transgênico RMD é uma opção para o controle efetivo do mosaico dourado, principal doença que afeta a cultura, com maior impacto econômico para o produtor e para toda a cadeia de feijão. Este impacto está relacionado a um menor uso de defensivos, menos riscos para a produção, oferta mais regular em uma cadeia com fortes oscilações de preços e viabilidade da produção em algumas regiões do país.

Ao contrário de outras doenças do feijoeiro, nunca foi encontrada uma fonte natural de resistência ao mosaico-dourado. Isso quer dizer que não existem plantas de feijoeiro comum que sejam imunes. Para evitar os prejuízos, resta ao agricultor tentar controlar a infestação de mosca-branca em sua lavoura. O principal método de controle é o uso de inseticidas químicos, que são utilizados em larga escala conforme o nível de infestação. É importante frisar que nem sempre o controle químico é totalmente eficiente, além de resultar em altas doses de inseticidas aplicados na cultura.

Assim, a alternativa para solucionar este problema é o desenvolvimento de cultivares de feijão comum geneticamente modificadas para expressarem resistência ao mosaico dourado por meio de engenharia genética. Em 2011, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) concedeu a liberação comercial do evento RMD (Embrapa 5.1). Todo o processo foi público e está disponível para consulta.

Para chegar ao feijão RMD resistente ao vírus do mosaico dourado a empresa usou da estratégia de RNA interferente (RNAi) para inserir um fragmento de DNA derivado do vírus no genoma do feijão. Quando o vírus invade, já existe dentro das células da planta esse gene que interfere no processo de multiplicação viral que ocorreria normalmente, impedindo sua replicação e, por consequência, o aparecimento dos sintomas da doença. Como resultado, tem-se uma planta “vacinada” contra essa doença. Diferentemente de outros transgênicos existentes no mercado nacional, o feijão RMD não está associado à expressão de uma proteína específica.

A Embrapa prepara o lançamento da BRS FC 401 RMD (primeira cultivar de feijão RMD) para o primeiro semestre de 2019. Será ofertada ao mercado brasileiro por meio de empresas de sementes parceiras via licenciamento. Será feita uma oferta pública para selecionar parceiros que atendam a requisitos de qualidade, gestão responsável e experiência no mercado de feijão. Essas empresas integrarão a estratégia de monitoramento comercial estabelecida pela Embrapa, permitindo o correto acompanhamento da tecnologia ao mercado. A Embrapa multiplicará sementes com estes parceiros no plantio de inverno (até maio de 2019) visando atender ao mercado na safra de final de ano (2019/2020), com plantio a partir de outubro.

A BRS FC401 RMD será mais uma opção para o agricultor dentro de um portfólio de cultivares da Empresa. A Embrapa não deixará de ofertar materiais convencionais e de outras classes comerciais. A genética BRS ocupa atualmente cerca de 60% do mercado nacional de sementes de feijão. Ao longo dos últimos 35 anos de pesquisa a Embrapa lançou 60 cultivares para a cultura. Algumas dessas cultivares se tornaram referência para o mercado, como por exemplo, a cultivar Pérola (mais plantada durante 20 anos) e a BRS Estilo (atualmente o padrão de qualidade do mercado). Outros materiais BRS se destacam no mercado como a BRS FC104 (a primeira superprecoce, ciclo de 65 dias) e a BRSMG Madrepérola (de escurecimento lento).

A cultivar BRS FC401 RMD tem produtividade potencial de 3.600kg por hectare, similar às cultivares convencionais ofertadas hoje no mercado. Em relação à  qualidade de grãos, apresenta o mesmo padrão comercial da cultivar Pérola, importante referência no mercado. É fruto de um programa de melhoramento que seleciona materiais com base em qualidade de grãos, produtividade e resistência a doenças (além do mosaico-dourado). Isso garante a oferta de produtos que atendam a demanda dos mercados.

Ensaios de manejo em campo utilizando a BRS FC401 RMD concluíram que ela pode contribuir de forma eficiente para a sustentabilidade da cultura do feijão-comum no agronegócio brasileiro e para a estabilidade da oferta e do preço dos grãos no mercado nacional. Assim, representa uma importante ferramenta para o manejo integrado da mosca branca e viroses por ela transmitidas na cultura do feijão. No que se refere ao valor da tecnologia, ensaios de validação indicaram uma lucratividade média 38% superior com o uso da BRS FC401 RMD em comparação à obtida com o uso da BRS Estilo, a cultivar testemunha convencional. Já a lucratividade média com o uso de BRS FC401 RMD, considerando áreas com alta incidência de mosca branca, foi 78% superior em relação ao lucro auferido com o uso da BRS Estilo. Já existem todas as informações técnicas necessárias para a recomendação de cultivo e posicionamento da BRS FC401 RMD considerando seu lançamento no Brasil Central.

Durante todo o período entre a liberação comercial e o lançamento da cultivar, a Embrapa adotou medidas e um programa de gestão responsável na produção de sementes para evitar “vazamentos” deste material no mercado.

A Embrapa também emprega esforços no desenvolvimento de novas cultivares competitivas de outras classes comerciais além das carioca e preto, como por exemplo, Dark Red Kidney, Light Red Kidney, Jalo, Branco, Rajado, Calima entre outros. E também reforça seu compromisso com o avanço tecnológico da agricultura brasileira, deixando claro que vai trabalhar com todos os agentes da cadeia interessados em promover o crescimento mútuo e a organização do setor.

O feijão RMD representa uma oportunidade para o agricultor estabelecer um manejo eficiente e com impacto financeiro muito menor para a doença do mosaico dourado. Atualmente o controle da doença é responsável por até 20 (vinte) operações de aplicação de inseticidas, que chegam a custar, cada uma, por volta de R$ 100,00 (cem reais) por hectare. Além disso, o uso contínuo e crescente de inseticidas acaba por gerar uma seleção natural de insetos mais resistentes, o que torna o problema cada vez maior.

Com a adoção da tecnologia RMD o agricultor pode ganhar tanto no custo de produção, com a redução de uso de químicos, quanto na produtividade, sem a ocorrência da doença. Além disso, a tecnologia tem um potencial de controle de custos de produção que permitirá ao agricultor obter melhor margem de lucro, além de possibilitar uma melhor oferta do produto ao longo do ano para o mercado, resultando num feijão mais barato para o consumidor.

A Empresa entende que ainda existem elos da cadeia que não conhecem a fundo a tecnologia RMD e pretende conversar com todos eles para esclarecer dúvidas e chegar a um bom nível de compreensão antes da oferta do produto aos agricultores, o que deve acontecer ao final do ano.

Entende-se que para o consumidor a possibilidade de ter um produto com menor custo final (devido a melhor oferta e menor custo de produção) é uma grande vantagem e possibilita ofertar produtos acessíveis à população (segurança alimentar).

A adoção do produto continuará a ser uma opção para o produtor e para o consumidor final. A Embrapa manterá o seu forte e bem-sucedido programa de cultivares convencionais (não transgênicas) e desenvolverá, em paralelo, a opção de produto geneticamente modificado para as regiões de maior incidência da doença mosaico dourado.

O feijão RMD é seguro para a população, seguro para o meio ambiente e seguro para a sociedade. A Embrapa estará sempre disposta a prestar quaisquer esclarecimentos sobre essas questões para a população brasileira.

Câmara Setorial do feijão demonstra medo com o transgênico da Embrapa. Acompanhe debate com Marcelo Luders

Podcast

Entrevista com Marcelo Eduardo Lüders - Presidente do IBRAFE sobre o Feijão Transgênico

Download

LOGO nalogo

A Embrapa pretende lançar em breve o primeiro feijão transgênico do Brasil, a cultivar RMD, que é resistente ao vírus do mosaico branco.

Contudo, Marcelo Eduardo Lüders, presidente do IBRAFE, detalhou em entrevista ao Notícias Agrícolas que acredita não ser vantajoso o lançamento dessa variedade porque "não vai agregar ganhos" ao produtor.

Ele ressalta que jamais seria contra uma tecnologia que agregasse, mas diz que uma tecnologia dessas só faria sentido na década de 2000. Hoje, na visão de Lüders, existem outras tecnologias no mercado capazes de substituir.

Lüders ainda ressalta que não foi feita uma pesquisa com o consumidor a respeito desse feijão. Grande parte dos empacotadores não concordam em comercializar essa cultivar, já que ela é mais escura e não deve agradar nas gôndolas.

Assim, o presidente detalha que o lançamento dessa tecnologia criaria um desgaste e poderia afetar nas exportações brasileiras de feijão - em um momento no qual há uma tentativa de aumentar o consumo deste.

Medo de tecnologia ameaça o feijão carioca, por Natalia Pasternak

 (presidente do Instituto Questão de Ciência)

Imagem mostra lavoura de feijão comum infectado pelo vírus (esquerda) e o modificado (direita)

Imagem mostra lavoura de feijão comum infectado pelo vírus (esquerda) e o modificado

Arroz e feijão são a marca registrada da alimentação brasileira, com o feijão do tipo carioca respondendo por 70% do consumo da leguminosa no país.  É um produto típico brasileiro: não há importação de feijão carioca, apenas do preto. Se quisermos continuar a ter  feijão carioca no prato, temos que garantir a produção nacional.

O consumidor já deve ter notado que o preço do feijão carioca andou subindo bastante, chegando, em algumas regiões, a até R$ 14 - R$ 16  o quilo. O motivo? Uma praga chamada vírus do mosaico dourado.

Esse vírus é transmitido pela mosca branca, e uma lavoura infectada pode sofrer perda de 40%-100% da produção. A infestação de mosca branca acomete as lavouras principalmente das regiões centrais do Brasil (MT, GO, DF, BA, PE, MG, SP, PR), de clima mais quente. Apenas o Rio Grande do Sul escapa da praga, graças ao clima mais frio, mas em tempos de aquecimento global, esse cenário pode mudar rapidamente.

As plantas infectadas pelo vírus não crescem, ficam amareladas, o que forma um “mosaico” de verde e amarelo nas folhas. As vagens e os grãos ficam inviáveis. A mosca prolifera rapidamente. Pode-se contabilizar até 300 insetos por planta. O ciclo de vida é de apenas 19 dias, do ovo ao inseto adulto. As ninfas, os insetos que acabaram de sair dos ovos, já são capazes de transmitir o vírus, sugando a seiva da planta. Quando uma mosca adquire o vírus de uma planta contaminada, passa o resto da vida com a capacidade de transmiti-lo para outras plantas. O feijão é especialmente suscetível.

Com a queda na produção do feijão carioca, cresceram as importações do feijão preto.

Medo de tecnologia

A Embrapa desenvolveu, com tecnologia nacional, um feijão geneticamente modificado resistente ao vírus (feijão RMD). Após uma longa jornada desde o seu desenvolvimento, em 2004, e sua aprovação pela CTNBio, em 2011, o feijão RMD foi liberado para comercialização no final de março deste ano.  Mas a decisão já está ameaçada.

A Câmara Setorial do Feijão convocou uma reunião para discutir o feijão RMD, motivada por uma nota conjunta do Ibrafe– (Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais) e do CBFP (Conselho Brasileiro do Feijão e Pulses). As associações manifestaram “a necessidade de que as sementes oriundas das experiências fossem incineradas para que se eliminássemos, assim, o risco de que essa cultivar chegasse de alguma forma a ser plantada”.

Os motivos alegados sugerem um profundo desconhecimento da tecnologia empregada e um medo exagerado da reação do público. Entre eles, menciona-se uma suposta falta de evidências sobre a segurança alimentar de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs)  e o lobby negativo de ONGs e associações anti-OGMs. Quanto ao primeiro ponto, já há consenso científico de que alimentos geneticamente modificados são tão seguros para o consumo humano como suas contrapartidas convencionais.

O problema

Informações da Embrapa Arroz e Feijão estimam que a perda de produção causada pelo ataque da mosca branca seria entre 90 mil e 300 mil toneladas. Isso é suficiente para alimentar entre 6 e 15 milhões de pessoas. A única maneira de combater o mosaico dourado, na ausência do feijão resistente ao vírus, é eliminar a mosca branca com inseticidas.

O custo dos inseticidas indicados – no plural – é alto. Não bastam um único inseticida ou uma única aplicação. Para proteger sua produção, o agricultor precisa usar um coquetel de venenos (uma combinação de três ou quatro princípios ativos), e de 15 a 20 ciclos de aplicação. O preço do tratamento gira em torno de R$ 80 a R$ 150 por hectare, por aplicação. A toxicidade dos produtos utilizados também é alta. O impacto ambiental do uso excessivo de inseticidas – por exemplo, na mortalidade de abelhas – causa preocupação. Além do custo financeiro e do dano ambiental, a medida não é totalmente efetiva. O uso prolongado e excessivo de inseticidas acaba selecionando populações de moscas brancas resistentes, capazes de sobreviver às diversas aplicações.

Esse cenário gera um risco que, muitas vezes, o produtor não está disposto a assumir. Assim, temos dois desfechos: ou o produtor paga o preço dos agrotóxicos e garante a produção, ou ele desiste de plantar feijão na primeira safra (no início do ano, nos meses mais quentes), e o substitui por outra lavoura. Ambas as decisões resultam em aumentos expressivos no preço para o consumidor final, seja para cobrir os custos da produção, seja para cobrir a oferta menor. Além disso, se o produtor, mesmo utilizando as diversas aplicações do coquetel de inseticidas, perder parte da produção, essa perda também será computada no preço final.

A solução

Mas existe um feijão resistente ao vírus, que dispensa inseticida contra mosca branca, criado por cientistas brasileiros.

A equipe da Embrapa, liderada por Francisco Aragão e Josias Faria, utilizou uma estratégia chamada RNA interferente (RNAi). Trata-se, basicamente, de imitar um mecanismo de silenciamento de genes que já existe naturalmente. Na natureza, quando um feijão é infectado pelo vírus, ele desenvolve o que chamamos de pequenos RNAs de interferência (siRNA), que nada mais são do que uma resposta imune da planta à infecção.

Infelizmente, o processo natural demora para ocorrer, e a planta acaba desenvolvendo sintomas severos da doença. O mesmo ocorre com humanos em várias doenças infecciosas: o sistema imune responde, mas às vezes a doença é muito agressiva, e o paciente morre. Para muitas doenças infecciosas graves em humanos, temos vacinas. O que Aragão e sua equipe fizeram é uma técnica muito semelhante: uma vacina para o feijão!

O feijão resistente ao mosaico produz esses pequenos RNAs - que impedem que o vírus se replique na planta - de modo mais rápido e eficiente que a planta comum. Isso não somente salva a planta, mas controla a propagação do vírus, impedindo que a doença circule, que contamine mais moscas e, consequentemente, mais lavouras. Em humanos, chamamos isso de “imunidade de rebanho”; quando grande parte da população está vacinada, a doença não consegue mais circular.

Essa é considerada a medida mais efetiva no controle de doenças. Como acontece com todos os OGMs, o feijão foi submetido a todos os testes exigidos pela legislação brasileira, e aprovado pela CTNBio em 2011.

Vários países adotaram a mesma técnica, gerada no Brasil, para criar plantas resistentes a outros tipos de vírus, como o milho (África do Sul), o tomate (Cuba) e a mandioca (EUA). Nosso feijão também foi escolhido como modelo de biossegurança, no projeto internacional “GMO Environmental Risk Assessment Methodologies (GMO-ERA)”, para a aplicação de uma metodologia nova de análise de políticas públicas chamada Formulação do Problema e Avaliação das Opções (em inglês, PFOA).

Debate

A proposta do PFOA é uma metodologia de análise que leve em conta a participação de governo, cientistas e cidadãos. O feijão da Embrapa foi selecionado como modelo no debate porque ainda estava em fase de testes, representava um alimento essencial do hábito brasileiro e envolvia tanto pequenos como grandes produtores.

O grupo de estudos contava com a presença de representantes de supermercados, associações de donas-de-casa, consumidores, ambientalistas, cooperativas agrícolas, produtores, pesquisadores de sociologia rural. O grupo emitiu um parecer favorável ao feijão RMD, assinalando as vantagens para o produtor e consumidor final, com a redução do uso de agroquímicos, e a necessidade de transparência para o consumidor, respeitando o direito de escolha.

Ou seja, o feijão foi avaliado por um conjunto diversificado e representativo de diversos grupos de interesse da população brasileira, e foi aprovado. Até mesmo associações notoriamente contrárias ao uso de alimentos geneticamente modificados, representadas no grupo de estudo, concordam com a aprovação do feijão RMD.

Menos agrotóxicos

Uma pesquisa conduzida pela Associação Brasileira de Cerealistas (ABRACE) mostrou que 76% dos produtores de feijão enfrentam o problema do mosaico dourado, e apenas 38% destes conseguem controlar a praga. Oitenta e seis por cento enxergam a possibilidade de contar com um feijão GM resistente como positiva, e declaram que pretendem adquirir a semente quando estiver disponível no mercado. Entre os comentários nas respostas, destacam-se “os custos estão altos, as vezes inviabiliza o plantio; para poder viabilizar plantio nos meses de janeiro a março; teremos um feijão mais saudável na mesa dos brasileiros”.

Os empacotadores estão mais divididos: 50 % declaram que comprariam o feijão resistente. No entanto, há que se notar que as justificativas dos 50% que estão receosos com a comercialização do feijão baseiam-se no medo da rotulagem, e da reação do consumidor final, motivada pelo forte movimento anti-OGMs do Brasil. Os empacotadores alegam que o consumidor ainda tem dúvidas sobre a segurança de alimentos geneticamente modificados, e temem a pressão do lobby negativo feito pelas ONGs.

A questão da segurança é uma falsa controvérsia: não há motivo para pressupor, em princípio, que alimentos geneticamente modificados sejam menos seguros que os desenvolvidos por técnicas consideradas “naturais” de melhoramento, e cada OGM individual passa por baterias de testes e estudos que representam um nível de exigência inexistente em outros ramos da agricultura. O feijão da Embrapa cumpriu todas essas etapas.

O cientista social Sheldon Krimsky, em seu livro sobre a interface entre ciência e sociedade na questão dos OGMs, intitulado “GMOs Decoded”, aponta, como principais causas da resistência aos OGMs, a percepção de que haveria incertezas e riscos excessivos advindos da transferência de genes entre organismos muito distantes uns dos outros na árvore da vida (vegetais e animais, por exemplo) e questões de natureza econômica – a “venda casada” de agrotóxicos, o apoio à monocultura e a “modelos neoliberais” de produção agrícola, etc.

Abstraindo, por um momento, o mérito dessas objeções (a percepção de risco, por exemplo, é falsa), o fato é que o  feijão resistente ao mosaico dourado da Embrapa não se enquadra em nenhuma delas. O RNAi expresso pela planta modificada é o mesmo que já existe na planta comum infectada pelo vírus; não há nenhuma molécula “alienígena” criada pela alteração genética.

Além disso, a variedade não foi  desenvolvida por multinacionais “malvadas", não está acoplada à venda de defensivos – muito pelo contrário – e, por fim, o feijão carioca certamente não é um produto visado pelo agronegócio monopolista global. Não restam, portanto, desculpas para manter o feijão RMD fora do mercado nacional.

Natalia Pasternak é pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, coordenadora nacional do festival de divulgação científica Pint of Science para o Brasil e presidente do Instituto Questão de Ciência

Fonte: Embrapa/Inst. Questão de Ciência

1 comentário

  • carlo meloni sao paulo - SP

    Eu gostei dessa explicaçao colocada como esclarecimento a muitos comentarios desse espaço----Apesar de arroz e feijao ser a base da comida de todos, eu tenho a impressao que ela e' mais presente nas classes menos favorecidas----Entao quem plantar arroz e feijao deve partir da premissa que esta e' comida preferencialmente de pobre, portanto ninguem pode almejar grandes lucros--

    10