Suíno Vivo: Preços seguem em alta com demanda aquecida e semana encerra positiva nas principais praças de comercialização

Publicado em 05/08/2016 18:20
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O mercado de suíno vivo teve mais uma semana de valorização em grande parte das regiões. Nesta sexta-feira (05), as cotações em Santa Catarina voltaram a subir e passam para R$ 3,80/kg. No início da semana, a praça já havia trazido valorização de R$ 0,20, após semanas de estagnação.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Allan Maia, o mercado começou a esboçar reação, depois de um longo período de pressão de preços. O cenário é reflexo da regulação da oferta de animais e também da demanda mais aquecida no período.

O Cepea (Centro de Economia Aplicada em Estudos Avançados) também confirma que a redução da oferta de animais deu ânimo aos preços, fruto de uma estratégia adotada pelos produtores para eliminar gastos nas granjas. "Além disso, o aumento pontual na demanda interna e as exportações em patamares recordes (apesar do recuo de 2% em julho) também sustentam a alta nas cotações", explicam os pesquisadores.

Apesar da recuperação de preços nos últimos dias, o cenário ainda é de apreensão com custos de produção, visto que insumos essenciais continuam com cotações em alta. Mesmo com o período de colheita da segunda safra de milho, os preços continuam subindo em diversas regiões, devido as adversidades climáticas que prejudicaram a produção e reduziram a oferta esperada.

"De um mês para cá, a saca recuou apenas em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul o preço ficou estabilizado, mas subiu 20,7% no Mato Grosso, 14,1% no Paraná, 11,6% em São Paulo, 12,2% em Goiás, 6,5% em Minas Gerais", avalia Maia.

Importação e Leilão

Com isso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) anunciou nesta semana que liberará a importação de 1 milhão de toneladas de milho proveniente dos Estados Unidos. Para a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) a medida pode aliviar o cenário de escassez que tem prejudicado as granjas de todo o país, visto que o cereal é o principal insumo da ração.

“Os Estados Unidos estão colhendo uma grande safra e tem excedentes consideráveis. Além disto, as estimativas de preços de compra feita por lá são mais atraentes do que o praticado em nosso mercado interno, ou mesmo junto aos países do Mercosul.  Será um grande alívio para todo o setor”, destaca o presidente da ABPA, Francisco Turra.

Além disto, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) realizará dois leilões de vendas de estoques públicos, já na próxima terça-feira (09). Com total de 50 mil toneladas do cereal, a oferta será destinada apenas para criadores de aves e suínos.

Preços

O levantamento semanal de preços realizado pelo economista do Notícias Agrícolas, André Lopes, aponta que o maior reajuste ocorreu em Santa Catarina – após as duas últimas altas –, com 15,5% de valorização. Já no Rio Grande do Sul, os preços subiram 5,19% na semana.

A ACSURS (Associação dos Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul) aponta que a média de preços para a semana ficou em R$ 3,65/kg, uma alta de R$ 0,18 em relação ao último levantamento. Para os integrados, a média de negócios segue em R$ 2,85/kg.

Em São Paulo, a semana foi de preços 4,17% mais altos, após a bolsa de suínos definir referência entre 73 a R$ 75/@ – o mesmo que entre R$ 3,89 a R$ 4,00 pelo quilo do vivo. Porém, a APCS (Associação Paulista de Criadores de Suínos) aponta que já há negociações acima deste valor, com registros de vendas a R$ 80/@.

O presidente da APCS, Valdomiro Ferreira, explica que há uma mudança grande no mercado nos últimos dias, além de também existir altas nos frigoríficos. "A procura por animais vivos é enorme, provocando em alguns pontos, falta do animal pronto para abate. Tendência é de novos realinhamentos de preços a curto prazo", explica.

Em Minas Gerais e em Goiás, as cotações subiram 2,50% nos últimos dias, com negociações em R$ R$ 4,10/kg. Há algumas semanas, as praças de comercialização não havia tido acordo com os frigoríficos, mas sinalizavam cotações a R$ 4,00/kg.

Exportações

Os embarques de carne suína in natura fecharam julho em alta, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Em 21 dias úteis foram exportados 52,3 mil toneladas, com média diária de 2,5 mil toneladas.

Os números apontam para um crescimento de 2,7% em relação aos embarques de junho e aumento de 4,3% em comparação com o mesmo período do ano passado. Já em receita, os embarques somam US$ 111,6 milhões, com valor por tonelada em US$ 2.134,6.

A ABPA aponta que os embarques de carne suína seguem com dados positivos no acumulado do ano. Nos sete primeiros meses foram exportados 353,4 mil toneladas de carne suína in natura, uma alta de 42,2% em comparação com o mesmo período de 2015.

“A principal queda nos embarques mensais ocorreu na Rússia, em cerca de 50%. Ao mesmo tempo, China e Hong Kong mantiveram o ritmo dos embarques.  A proporção entre a retração dos embarques para a Rússia e o resultado mensal mostra que o setor tem conseguido diminuir a dependência de um único mercado, ampliando a participação de outros exportadores no saldo geral”, destaca Ricardo Santin, vice-presidente de mercados da ABPA.

» Acesse as cotações na íntegra para o suíno vivo

 

Por Sandy Quintans
Fonte Notícias Agrícolas

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