Sistema livre de gaiolas, um novo desafio para produção de ovos do Brasil

Publicado em 18/01/2017 09:43
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Em resposta a crescente valorização do público consumidor quanto à necessidade de praticas de bem-estar animais nos sistemas produtivos, gigantes do setor de alimentos correm para se adaptar as novas exigências. Entre as novas políticas está o sistema free-range – termo em inglês utilizado para se referir a criação de aves fora de gaiolas.

O confinamento de galinhas “poedeiras” em gaiolas é considerado por muitos, uma das práticas de maior crueldade contra os animais nos manejos de produção. Assim, muitas empresas de todos os segmentos do setor de alimentos nos Estados Unidos, Canadá e União Europeia e América do Sul, já anunciaram planos de não mais admitir em suas operações o uso de ovos provenientes de sistemas que operam com confinamento em gaiolas.

No Brasil, Burger King, McDonald’s, Subway, Spoleto, Bob’s, GRSA, Sodexo e outros líderes de mercado anunciaram compromissos de fazerem a transição para só trabalharem com ovos 100% free-range em suas cadeias de suprimentos.

Os anúncios segue uma tendência mundial que atende ao apelo de consumidores por produtos que prezem pelo bem-estar. E Embora não sejam imediatas, com transição nas cadeias de fornecimento previstas até 2025, as medidas acendem alerta para granjas brasileiras, onde 95% da produção concentram-se em gaiolas de arame - chamadas gaiolas em bateria.

A FAI Farms do Brasil, uma das empresas pioneiras na produção de ovos provenientes de galinhas criadas fora das gaiolas, em parceria com a empresa Korin Agropecuária, afirmou ser totalmente possível a transição da produção brasileira para o sistema free-range.

De acordo com o diretor executivo da companhia em entrevista a SNA (Sociedade Nacional Agricultura), Murilo Quintiliano, o Brasil possui excelentes condições técnicas, científicas, ambientais e econômicas para implantar qualquer tipo de sistema, seja ele convencional ou alternativo na produção de ovos.

Mas, ressaltou que os sistemas alternativos geralmente demandam maior cuidado, atenção e presença física da equipe de trabalho no dia a dia: “Também há maior dificuldade de automação, apesar de existirem soluções para isto também. O espaço necessário por ave também é maior”, diz.

A substituição de gaiolas por sistemas que priorizem o bem-estar das aves é expressada também em protocolos mundiais. A transição, porém, não será um processo simples, alertam criadores.

"Essas mudanças representarão um custo de produção no mínimo 30% maior, resultando em ovos mais caros para o consumidor", lembra o criador Daniel Bampi, e coordenador da comissão de postura comercial da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).

A Diretiva 1999/74 da União Europeia determina as condições que devem ser seguidas nesse sistema alternativo às gaiolas dentro do bloco. (Confira o quadro).

Exigências para o sistema livre de gaiolas - UE

Por outro lado, as modificações já se tornaram tendência mundial e passam a ser uma exigência obrigatória. "O mercado está dizendo como ele quer comprar. E isso é mais forte do que qualquer regra determinada por lei", diz Anderson Herbert, produtor e integrante do comitê gestor do programa Ovos RS.

A Brazil Fast Food Corporation (BFFC), que opera aproximadamente 1.250 restaurantes no Brasil, incluindo Bob's, Yoggi, Doggis, Pizza Hut e KFC, anunciou que comprará apenas ovos livres de gaiolas em toda a sua cadeia de fornecimento até 2025.

A International Meal Company (IMC), grupo que controla o Viena, Frango Assado, Red Lobster, Wraps e outras marcas, se junta a outros líderes de mercado e adota política que eliminará o uso de ovos de galinhas confinadas em gaiolas em toda sua cadeia de suprimentos até 2025.

Nova política que eliminará o uso de ovos de galinhas confinadas também chegou ao Grupo Trigo, que controla as marcas Spoleto, Koni Store e Domino’s Pizza, e se comprometeu até 2025 somente adquirir produtos de fornecedores que seguem as medidas de bem-estar animal.

Uma das maiores hoteleiras do mundo, a Accor Hotels, do mesmo modo, selou uma parceria com a organização não governamental Humane Society International (HSI) para a implantação da política em sua cadeia global de fornecimento.

Por: Larissa Albuquerque
Fonte: Notícias Agrícolas

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