Demanda por carne de frango e suína segue sustentada, mas isolamento em linha pode trazer impactos

Publicado em 26/03/2020 14:00 1836 exibições
Segundo especialista, continuidade de isolamento total pode trazer risco de recessão econômica: "Vai morrer mais empresa do que gente"

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"As pessoas estão em casa, mas não pararam de comer", explica o consultor Osler Desouzart, da ODConsulting. segundo ele, apesar da "política de terra arrasada que está sendo feita pela TV", a indústria brasileira segue produzindo, e as demandas interna e externa continuam "muito bem, obrigada". Apesar do cenário atual de manutenção da produção de alimentos e de consumo, Desouzart alerta que, se as medidas de isolamento em linha continuarem a serem impostas por prefeitos e governadores, há risco de impacto na demanda e recessão econômica.

"A possibilidade de haver impacto na nossa indústria só vai acontecer se bares e restaurantes se mantiverem fechados. O que me preocupa em relação à indústria não é esse momento, mas sim o risco de que, depois da onda do coronavírus, venha uma recessão econômica. Vai morrer mais empresa do que gente. ", disse.

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Caso estas medidas forem mantidas e haja, de fato, uma recessão econômica, o consultor afirma que há o risco de impactar a demanda por proteína animal, já que, com poder aquisitivo menor, a população opta em adquirir produtos mais básicos.

"Em um período de recessão, a última coisa que as pessoas deixam de consumir é alimentos, e quando a recessão acaba, o primeiro setor a sair da crise é justamente o de alimentos. É possível que enquanto o pessoal das conservas vai sofrer, o pessoal do arroz, feijão e macarrão vão festejar". 

Outro ponto importante apresentado por Desouzart é a questão logística, elencada como fundamental para garantir o abastecimento. 

"Pelas falas do João Dória Júnior (governador de São Paulo), oficinas estão fechadas, restaurantes de beira de estrada estão fechados, e o que faz o caminhoneiro caso precise de algum serviço desses? Essas medidas que são lineares, tenho a impressão de que é mais com o objetivo de tentar mostrar competência do que resolver o problema".

Desouzart cita o caso da Itália que passa por uma fase aguda na pandemia do Covid-19, especialmente no norte do país. Segundo ele, é nesta região que estão concentradas as indústrias de carne suína e de aves.

"Mesmo sendo o país que mais está sofrendo com a doença, em momento nenhum a produção parou, e a única coisa que está acontecendo é que eles não estão conseguindo atender a toda a demanda feita pelos supermercados. Assim também está ocorrendo em Portugal Estados Unidos, Espanha".

Ele explica que, por medidas de prevenção, se aumenta o distanciamento entre os funcionários de uma linha de produção, diminuindo assim a velocidade de abate, mas não para de produzir, já que há demanda para atender.


MERCADO EXTERNO

No atual cenário, ele explica que, ao contrário do que era esperado, as exportações de frango e suínos foram excelentes no primeiro bimestre, e números preliminares apontam que o mês de março também deve ter resultado positovo. 

"A China consumiu muito seus estoques de proteína animal nos últimos meses. A vida lá está voltando à normalidade, e o país vai ter que recompor estes estoques", disse. 

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Por:
Letícia Guimarães
Fonte:
Notícias Agrícolas

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1 comentário

  • Flavio Schirmann Formigueiro - RS

    Vão morrer mais empresa do que gente... Veja a Itália morreu quase 1.000 pessoas hoje. Quantos empresários? Que vai ser de suas empresas?

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    • Osler Desouzart São Paulo - SP

      Olhem à sua volta e verifiquem quantos comércios, restaurantes, sapateiros, chaveiros, consertos de celulares, tv, etc, venda de tecidos existem próximo a você... Moro ao lado de um centro comercial na grande São Paulo, onde há pelos menos duas centenas de pequenas empresas numa área equivalente a quatro quadras.... 90% deles vão fechar ou não vão reabrir as portas. Há no Brasil 24 milhões de trabalhadores autônomos, será que esses não serão afetados? 41,3% da população ocupada está em trabalho informal. As pequenas e médias empresas são as responsáveis por mais de 2/3 do emprego formal no Brasil. Normalmente quando se fala de empresas sempre pensamos nas grandes empresas com a nossa Gerdau, Tramontina e tantas outras. Mas a grande empresa que engrandece o Brasil e o faz exportar está num país onde a base do emprego depende da pequena e média empresas. Saudações gaúchas, saudades dos pagos e tudo pelo Rio Grande e tudo pelo Brasil

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    • Osler Desouzart São Paulo - SP

      As micro e pequenas empresas representam, no Brasil, 99,1% do total registrado, segundo o Sebrae. São mais de 12 milhões de negócios, dos quais 8,3 milhões são microempreendedores individuais (MEI). Os pequenos negócios também respondem por 52,2% dos empregos gerados pelas empresas no país. ... Apesar disso, o segmento ainda tem participação um pouco tímida no Produto Interno Bruno (PIB, a soma de bens e serviços produzidos) do setor empresarial, gerando 25% do total. Em países como o Reino Unido, a Alemanha, Itália e Holanda, essa participação na formação no valor adicionado ao PIB está acima de 50%.

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