Quem “puxa” o preço do frango vivo: boi ou milho?

Publicado em 22/11/2010 08:22 461 exibições
Procurando deixar claro que os preços do frango vivo vêm sendo “puxados” por fatores extrínsecos ao próprio setor, a avicultura e analistas de mercado têm se servido de dois argumentos para justificar o incremento anual de (cerca de) 20% na cotação do produto: a evolução do preço do boi e da carne bovina ou, então, a elevação dos preços do milho, principal fator de custo do frango.

A primeira justificativa tem como base o velho adágio “onde o boi vai, o frango vai atrás” e tem por princípio o fato de que, historicamente, o boi é o principal formador de preços das carnes. Assim, se nos últimos 365 dias o boi em pé valorizou-se cerca de 45% (R$76,00/@ em meados de novembro de 2009; R$119,00/@ na última sexta-feira, 19), nada mais lógico que o frango tenha merecido no mesmo período um incremento de preços no momento próximo de 20% (R$1,60/kg em 21 de novembro de 2009; R$1,90/kg atualmente).

Mas há também quem mencione que a recente evolução de preços do frango está direta e particularmente atrelada à evolução de seu principal fator de custo, o milho. E uma vez que, em um ano, o grão apresentou variação da ordem de 50% (R$19,50/saca no final de novembro de 2009; atualmente, R$29,30/saca, em média), é absolutamente imprescindível que os preços do frango acompanhem os custos, sem o que a já baixa rentabilidade do produto se tornará negativa.

Mas se um ou ambos os fatores explicam (e justificam) a alta do frango, porque então as cotações do produto apenas repetem, com variação quase linear (gráfico abaixo), o mesmo comportamento observado um ano atrás, nesta mesma ocasião? Mais: por que essa repetição se, há um ano, os dois fatores atuais não estavam presentes?

Aceitando-se que preço do boi e/ou do milho determina o preço do frango, seria de se supor que no decorrer do tempo todos os preços evoluíssem concomitantemente. Mas nos últimos dois anos observa-se variação de 22% para o boi, de 45% para o milho e de apenas 9% (ou seja, menos que a inflação) para o frango.

Ou seja: os argumentos de que o frango nada mais faz que acompanhar a evolução de preços de seu insumo-chave ou, então, de que aumenta conforme evolui o preço da principal proteína animal parecem não ter fundamento. Pois a experiência demonstra que o produto apenas “imita” o ocorrido há um ano. Tanto que, comparados os preços correntes nas últimas cinco quartas-feiras (20 e 27 de outubro; 2, 10 e 17 de novembro), a diferença de preços em relação ao mesmo dia do ano passado fica em exatos 30 centavos.

Dito de outra forma isso significa que enquanto de 1º de outubro até 19 de novembro boi e milho registraram aumento de, respectivamente, 20% e 25%, o que se fez com o frango foi simplesmente adicionar linearmente (para facilitar?) um valor praticamente fixo sobre o que foi pago no mesmo dia do ano passado.

Parece, pois, que a possível influência do boi ou do milho sobre os preços do setor não passa de “conversa pra boi dormir”.

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Fonte:
AviSite

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