Fazendas de GO tentam compensar falta de pasto na entressafra de leite

Publicado em 13/06/2011 08:25 253 exibições
Nessa época, a produção cai e o preço pago ao produtor sobe. É entressafra no centro-sul do Brasil.
Estamos na entressafra do leite na região centro-sul do Brasil, época em que a produção cai e o preço pago ao produtor sobe. Confira como as fazendas de Goiás estão trabalhando para compensar a falta de pasto.

Em uma fazenda que fica em Bela Vista de Goiás, a 40 quilômetros de Goiânia, o pecuarista Wagner Cunha tem 30 vacas em lactação. Os animais ainda estão no pasto, o que, nas contas do produtor, deve durar menos de um mês.

Nesta época, em Goiás, o produtor de leite já está com a vacada fechada, se alimentando de silagem, mas Wagner diz que, esse ano, não fez e não vai comprar silo. Quando não tiver mais pasto, vai dar cana com ureia para os animais. “É apenas o volumoso, não dá aquele retorno que daria se eu tivesse com meu gado no cocho ou tratando com silo hoje. Cana com ureia é bem mais barato, é mais em conta”, afirma o produtor. Com essa situação, Wagner está vendo a produção de leite cair a cada dia.

Quem se preparou para a entressafra fez a silagem e está conseguindo manter a produção. Em outra fazenda também em Bela Vista de Goiás, o pecuarista Alaor Carrara de Almeida preparou 300 toneladas de silo, que devem durar até fevereiro de 2012.

Das 20 vacas em lactação, Alaor tira hoje trezentos litros de leite por dia. A produção dele não teve redução. “O litro de leite deve estar custando, para a gente produzir, em torno de R$ 0,60. Eu entreguei na cooperativa, na última vez, a R$ 0,79”, diz.

O leite de Wagner e de Alaor é entregue na cooperativa dos produtores Bela Vista de Goiás, que tem 400 pecuaristas associados. A cooperativa registrou uma queda de 8% na captação de leite. Chegam na cooperativa, todos os dias, 50 mil litros.

O presidente da cooperativa, João Batista da Paixão Júnior, explica que o preço pago ao produtor pelo litro do leite varia de acordo com a quantidade e a qualidade do produto entregue. Hoje, o máximo é R$ 0,89. Ele diz que o preço é bom, mas, se for feita uma comparação com a entressafra de 2010, o produtor, esse ano, está gastando mais. “Eu acredito que sobrou mais dinheiro para o produtor ano passado do que nesse ano. Esse ano, tudo está mais caro”, afirma.

Ainda segundo o presidente da cooperativa, quem complementa a alimentação do gado com ração está gastando 66% a mais com o milho em comparação com o ano passado. Já o farelo de soja subiu quase 40% em um ano.

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Globo Rural

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