Produtores de leite sofrem com estiagem e frio registrados no PR

Publicado em 15/07/2011 08:33 182 exibições
Após passar por aproximadamente 40 dias de estiagem e sofrer com as geadas decorrentes das baixas temperaturas, o Paraná teve uma queda na produção de leite. A previsão feita pelo Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), é que a queda na produção possa chegar a 20% em virtude disso. Os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina já calculam perdas de 5%, além dos prejuízos da entressafra, em comparação ao mesmo período de 2010.

Nas bacias leiteiras do Paraná, onde a tecnologia de produção de leite é mais avançada e a alimentação dos animais é estocada, os produtores não sofreram tanto. Por outro lado, em regiões onde a produção leiteira é realizada de forma extensiva, por meio de pastagens, os prejuízos foram maiores.

A queda na produção, acentuada pela entressafra, já contribui para um aumento dos preços pagos aos produtores, o que acaba por refletir no bolso do consumidor final, conforme aponta o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PR), que registrou alta de 2,94% no valor do leite em junho em relação ao mês de maio. Outro motivo para a alta dos preços é a queda na produção das lavouras de milho utilizado na composição da dieta das vacas leiteiras.

Em relação ao mês de janeiro deste ano, o acréscimo nos valores pagos por litro de leite até junho foi de 13%. Na comparação junho de 2010 com junho de 2011, o acréscimo no valor pago por litro de leite foi de 9,6%. “Em agosto, a pastagem de inverno deve estar recuperada e a produção de leite pode ser normalizada. Isso se o tempo colaborar”, prevê Wilson Tissen, presidente do Sindicato dos Produtores de Leite (Sindileite).

Emprego

A produção, a industrialização e o transporte do leite são responsáveis pelo maior número de empregados do setor privado no Brasil. A conclusão é da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (ABPL – Leite Brasil), que contabilizou quase 4 milhões de trabalhadores nas diferentes etapas da cadeia produtiva do leite em 2010.

Somente a produção responde por um total de 3,8 milhões de trabalhadores distribuídos em aproximadamente 1,2 mil propriedades leiteiras em todo o País. Somente no Estado são estimadas 118 mil propriedades leiteiras. “Dez anos atrás o Paraná tinha 40 mil produtores de leite. Hoje, segundo o Ipardes, o Estado conta com mais que o triplo de propriedades”, relata Tissen. Os segmentos da indústria do leite, a industrialização e o transporte da cadeia do leite, juntos correspondem a 150 mil postos de trabalho.

Estes números dão ao segmento o primeiro lugar no ranking de empregabilidade no setor privado no Brasil. Com 45% de trabalhadores a mais do que a construção civil, e 50% a mais que o setor têxtil.

O mercado de leite no Brasil passa por um bom momento, prova disso é o aumento 5% na produção em 2010 em relação ao ano anterior. A produção total foi de 30,6 bilhões de litros de leite. Já em 2009 foram produzidos 29,1 bilhões de litros.

Dentre as propriedades leiteiras, 88,3% são compostas por pequenos produtores (responsáveis por até 100 litros por dia), e representam 18,9% da produção total de leite do País.

Consumo em alta

Uma pesquisa realizada pela Tetra Pak Dairy Index revela um aumento no consumo de leite de 30% na década de 2010/2020. A projeção é de que o consumo dos chamados LDP (do inglês liquid dairy products) saia dos atuais 270 bilhões de litros no ano para 350 bilhões de litros em 2020.

Segundo a pesquisa, esse aumento no consumo deve ocorrer graças ao crescimento econômico nos mercados emergentes, especialmente a Ásia. Os chamados LDP incluem leite e outros produtos lácteos líquidos, como iogurte, leite condensado e leite aromatizado.

A pesquisa aponta ainda que a demanda por lácteos líquidos devem aumentar quase 45% na região Ásia-Pacífico, de 140 bilhões de litros em 2010 para 200 bilhões de litros em 2020. Também crescerá de forma expressiva na África no mesmo período, de 15 bilhões para quase 25 bilhões de litros.

A expectativa é de que o Brasil prossiga no avanço do mercado para lácteos e somente este ano, o consumo do chamado leite branco (líquido ou em pó) deva aumentar 2% a 3% em relação a 2010.

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Fonte:
O Estado do Paraná

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