Produtores de leite do Rio Grande do Sul aumentam investimentos para tentar reverter queda na produção

Publicado em 26/07/2011 07:33 392 exibições
Chegada do inverno e aumento das chuvas estão afetando as pastagens do Estado e a concorrência com países do Mercosul.
Em comparação ao ano passado, a produção de leite no Rio Grande do Sul está abaixo do esperado. Os produtores tentam driblar o clima que afeta as pastagens e a concorrência com países do Mercosul.

A produtora rural da cidade de Estrela, Elaine Maria Zwirtes, está se recuperando de uma fase de baixa produção. As 40 cabeças de gado que possui produzem em média 610 litros de leite por dia. Com a chegada do inverno e das chuvas, a quantidade diminui para 300 litros.

– A gente nunca fez o custeio da lavoura, mas este ano estamos fazendo. É o primeiro ano que fazemos, principalmente, para conseguir fazer um seguro da lavoura – disse Elaine.

A produtora fez investimentos na propriedade, contratou nutricionistas para cuidar da alimentação do gado e, assim, espera recuperar as perdas.

–A expectativa é boa, mas temos que cuidar para não fazer dívida demais. Porém todo mundo faz e estamos com esperança de fazer uma boa colheita de novo para poder repor o que a gente está pegando agora – falou Elaine.

O programa Leite Gaúcho, previsto no Plano Safra Estadual, pretende capacitar cinco mil produtores e tem por meta ampliar a produção de leite no Rio Grande do Sul. Porém, para avançar, depende de verba e do aval da Assembléia Legislativa.

– Acho que o produtor de leite é a cadeia que mais está necessitando, e a produção é a primeira atividade no Estado. Se nós tivéssemos um produtor bem treinado, um produtor com créditos acessíveis, compatíveis com a atividade - que de certa forma, tem, mas há dificuldade de tomada desse dinheiro - e tivesse uma assistência técnica boa, com certeza nós poderíamos duplicar ou triplicar a produção do Estado em um curto espaço de tempo – frisou Ernesto Enio Budke Krug, presidente da Associação Gaúcha de Laticinistas (AGL).

De acordo com o presidente da AGL, a queda na produção em 2011 chega a um milhão de litros de leite por dia. Além do clima, outro fator contribui para esta redução, as importações do Uruguai e Argentina.

– O governo está preocupado com isso. Está tentando renovar o acordo que existe entre Brasil e Argentina de estabelecimento de cotas de leite importado. Igualmente tem que ser feito um acordo similar que foi feito com Argentina e Uruguai, senão, sobra para o produtor brasileiro e a indústria brasileira. O cenário é bastante preocupante, e se isso não for estancado imediatamente - embora as cotas com Argentina tenham sido prorrogadas - nós vamos ter grandes problemas – observou Ernesto Enio Budke Krug.
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Canal Rural

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