IAC lança nova variedade de triticale com redução de mais de 60% na aplicação de defensivos e produtividade 6% superior a outros

Publicado em 31/08/2012 09:13 e atualizado em 09/03/2020 14:02
O lançamento será realizado em 5 de setembro durante a XII Reunião Técnica de Cereais de Inverno, em Capão Bonito, interior de São Paulo.
Um novo material de triticale resistente as principais pragas da cultura, com redução de mais de 60% na aplicação de defensivos agrícolas e 6% mais produtivo será lançado pelo Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, em 5 de setembro, às 9h, durante a XII Reunião Técnica de Cereais de Inverno, em Capão Bonito. O evento será realizado pelo IAC, em parceria com o Polo Sudoeste Paulista/APTA Regional, unidade da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA). O triticale é um cereal oriundo do cruzamento do trigo com o centeio, bastante usado para a produção de ração e com boa quantidade de proteína podendo ser superior a 16%, enquanto o trigo varia de 6% a 16%, de coloração branca – que serve inclusive para clarear a farinha de trigo – além de ser utilizado na mistura para a produção de massa de pizza e quibe.

O Triticale IAC-6 Pardal é mais resistente à brusone do que os outros materiais no mercado, ao oídio e à ferrugem das folhas – consideradas as principais doenças da cultura do trigo. Com essa característica, o produtor pode reduzir em mais de 60% a aplicação de defensivos agrícolas. “Dependendo do material utilizado pelo produtor rural, é necessário até três aplicações de agrotóxicos na lavoura de triticale. Nos testes realizados para o lançamento desta nova variedade do IAC foi preciso apenas uma aplicação”, afirma João Carlos Felício, pesquisador do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

A nova variedade que será lançada pelo Instituto Agronômico tem produtividade média de 4.905 kg por hectare, 6% a mais do que o IAC 3 e IAC 5 que produzem, cerca de 4.618 kg por hectare. “O IAC 6 Pardal tem bom rendimento de grãos nas condições de cultivo em sequeiro e com irrigação por aspersão. Devido à alta produtividade e resistência à doenças, esperamos que substitua gradativamente a IAC 3 e seja plantada em conjunto com a IAC 5, explica Felício.

O triticale é bastante utilizado para a produção de ração para aves e suínos por conter lisina – substância que auxilia no crescimento. “Com a utilização de ração com triticale, é possível reduzir e até mesmo parar com o uso de indutor de crescimento dos animais”, afirma o pesquisador do IAC. Além da ração, o triticale possui múltiplos propósitos na alimentação animal na forma de forragem verde e feno. O grão é ainda utilizado como complemento à farinha de trigo, plantado na entressafra em substituição ao milho e à soja e na formação de cobertura vegetal para proteção do solo.

“A mistura da farinha de triticale com farinha de trigo é bastante utilizada. Na indústria, a mistura de farinha para panificação tem até 20% de triticale e é usada para quebrar a força do glúten – quando se tem uma farinha muito forte e necessita-se de outra que tenha menos força – para o clareamento, quando o trigo apresenta coloração que tende para o amarelo, e na suplementação de proteína a farinha de trigo”, afirma Felício.

Felício explica que a cor branquinha do miolo do pão atrai o consumidor final e, consequentemente, os moinhos, que compram mais rapidamente em razão da preferência por farinhas com coloração branca. A nova variedade do IAC possui também esta característica. O aparelho que classifica a cor, chamado Minolta, registra variações de zero (cor preta) a 100 (cor branca), e o IAC-6 Pardal tem classificação 94, o que lhe garante alto potencial para coloração branca. “Entre 92 e 94 na escala, a farinha é branca, menos que isso já é um pouco avermelhada. 

O triticale IAC-6 Pardal poderá ser usado na mistura com o trigo, o que garante uma farinha mais branca. A aparência da farinha tem relação direta com a comercialização. O consumidor brasileiro gosta de pão com miolo bem branquinho e 55% da farinha no Brasil é usada pela indústria de panificação. Se o produto for amarelado, a dona de casa o considera ‘velho’”, afirma o pesquisador do Instituto Agronômico.

Segundo Felício, o Triticale IAC-6 Pardal pode ser cultivado nos seguintes Estados: São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, consideradas as regiões tritícolas brasileiras. O ciclo do material é considerado normal, de 135 a 145 dias. O pesquisador do IAC explica que devido ao ciclo da cultura, o produtor consegue traçar uma estratégia para não perder a lavoura devido à ocorrência de geada. “O milho, por exemplo, não suporta geada e o triticale, na fase vegetativa, suporta. Então, como o cereal é plantado de maio a julho e tem sua fase vegetativa justamente na época de ocorrência de geadas, o produtor pode plantar as duas culturas e não ter esse tipo de problema”, afirma.

Outra característica importante do triticale é sua rusticidade e resistência à acidez do solo. “Os solos ácidos limitam o desenvolvimento das plantas em terras cultiváveis no mundo e predomina nas regiões produtoras de cereais de inverno no Sul do Brasil e nas regiões do Cerrado. A IAC-6 Pardal tem tolerância ao alumínio, característica que herdou do centeio, que tolera nível mais alto de alumínio em soluções nutritivas que as variedades de trigo”, explica Felício.

O material foi ainda desenvolvido para a colheita mecanizada – que corresponde ao método utilizado em quase 100% das lavouras do cereal. “A nova variedade tem porte de 105 a 120 cm. As variedades de triticale tendem a ter porte alto, pois são mais resistentes ao acamamento (tombamento). Além disso, o triticale é bastante utilizado em rotação de cultura em áreas de plantio direto na palha, por isso, a importância de ter o porte alto”, explica Felício.

O triticale é bastante plantado no Leste Europeu, sendo a Rússia o principal país produtor. O Brasil já teve maiores áreas de plantio do cereal, mas, atualmente, não se destaca pela grande produção. O Estado brasileiro que mais produz triticale é o Paraná, mas é São Paulo que se sobressai pela qualidade dos grãos. De acordo com Felício, o Instituto Agronômico é muito procurado pelos produtores rurais para aquisição de sementes de triticale. As sementes da IAC-6 Pardal já estão sendo comercializadas pelo Instituto.
 
XII Reunião Técnica de Cereais de Inverno
 
A XII Reunião Técnica de Cereais de Inverno será realizada em 5 de setembro, a partir das 9h, em Capão Bonito, interior de São Paulo. O evento, promovido pelo IAC e APTA Regional, terá uma palestra sobre avaliação de ensaios de trigo, regulamentação técnica do trigo, com informações a respeito da Instrução Normativa n.º 38 e suas perspectivas futuras, além de visitas aos campos demonstrativos de experimentos de trigo, triticale, aveia branca, aveia preta e cevada.
O evento tem como público-alvo produtores rurais, engenheiros agrônomos, pesquisadores e demais interessados no cultivo de cereais de inverno.
 
Serviço
 
XII Reunião Técnica de Cereais de Inverno e lançamento do Triticale IAC-6 Pardal
Data: 5 de setembro
Horário: A partir das 9h
Local: Polo Sudoeste Paulista/APTA Regional
Endereço: Rodovia Sebastião Ferraz de Camargo Penteado – SP 250 Km 232
 
Programação
 
9:00 h – Inscrições
9:15 h – Lançamento da cultivar de triticale IAC – 6    João C. Felício (IAC)
9:45 h – Avaliação dos ensaios de Trigo em 2012    João C. Felício (IAC)
10:15h – Café
10:30h – Regulamentação Técnica do Trigo – Instrução Normativa n.º38 e suas  perspectivas futuras – Conrado Mariotti Neto (Moinho Anaconda)
11:30h –  A cultura da aveia - Vitor Dante Poletto (SL Alimentos)
13:00h – Visita aos campos demonstrativos e experimento de  trigo,  triticale, aveia  branca, aveia preta e cevada.
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Fonte:
IAC

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