Cenário mantém preços firmes para o arroz

Publicado em 17/09/2012 07:58 411 exibições
O mercado brasileiro de arroz encerrou mais uma semana com variação positiva para os preços pagos ao produtor pelo cereal. A conjuntura é favorável à manutenção de preços firmes, com baixa oferta do grão no mercado nacional, ótimo desempenho das exportações, importações limitadas e previsão de um estoque menor do que o estimado pelos órgãos oficiais em fevereiro de 2013. A expectativa de uma safra menor no Rio Grande do Sul por falta de água para a irrigação, que também afetará o Mercosul, principalmente o Uruguai, também concorre para essa trajetória altista.

Segundo o indicador de preços do arroz em casca Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias – BM&F/Bovespa, depois de valorizar 15,82% em agosto, para R$ 35,50, nos 13 primeiros dias de setembro a saca (58x10), à vista, alcançou cotação média de R$ 37,98 no Rio Grande do Sul. A valorização acumulada no mês é de 6,99%. Em dólar o produto colocado na indústria equivaleu a US$ 18,79, na cotação cambial do dia. Operações de venda futura de arroz verde, principalmente para indústrias do Mato Grosso e Goiás, similar às realizadas com soja, tiveram um impulso na segunda metade de agosto na região central gaúcha, mas reduziram à medida que os preços não pararam de subir. Há negócios agendados na faixa de R$ 33,00 em março/abril de 2013.

Entre os produtores, é grande a expectativa de que os preços batam na casa dos R$ 40,00 ainda em setembro. No mercado livre as cotações abriram fortes esta semana, depois do feriado da Independência, com oferta de R$ 39,00 por saca (58x10) sendo rejeitada na Campanha e Fronteira Oeste. Mas, no transcorrer da semana houve ligeiro aumento da oferta e muitas empresas saíram de mercado à espera do leilão da Conab. Isso levou os preços para o patamar referencial de R$ 38,00/FOB, com negócios, ainda que em pequeno volume, sendo fechados. Na última semana notou-se também uma evolução mais significativa dos preços praticados pela indústria, puxados pelos grupos concentrados no centro do País.

Em São Paulo, o preço médio de um fardo de 30 quilos de arroz branco, tipo 1, chegou a R$ 52,00. Para o parboilizado o valor varia entre R$ 54,00 e R$ 56,00 por fardo. No Mato Grosso uma saca de 60 quilos arroz em casca, referência de AN Cambará (55% acima), é cotada a R$ 52,00. Em Santa Catarina as médias de preços variam entre R$ 33,00 e R$ 36,00, de acordo com a região, para a saca de 50 quilos em casca.

LEILÕES

O que poderia determinar novo rumo ao mercado, ou a estabilização dos preços no atual patamar são os leilões de venda de arroz em casca dos estoques públicos, mas a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está agindo com cautela e aproveita o momento para ofertar produto de estoques mais antigos, de custo mais alto, e em volumes suficientes para atender o mercado sem gerar uma pressão baixista. Na semana que passou a Conab anunciou dois leilões para o dia 18 de setembro, totalizando 80 mil toneladas de arroz em casca. Mas por tratar-se de produto de safras mais antigas e menor qualidade, o interesse das indústrias tem sido apenas parcial, de acordo com corretores e agentes de mercado. E o maior interesse seria das empresas voltadas à exportação de quebrados. Ainda assim, as corretoras esperam um desempenho similar aos dois primeiros leilões do gênero ocorrido no início do mês.

O aviso 333/2012 oferta 52,7 mil toneladas de grão em casca da safra 2006/07. Já o aviso 334/2012 é para o leilão de 28,1 mil toneladas, do qual apenas um lote é da safra 2010/11 e o restante da safra 2006/07. A expectativa das empresas é de que os preços de abertura sejam similares aos do leilão passado. Ao mesmo tempo, a Conab lançou editais de leilão de compra e venda simultânea de arroz, para cerca de 40 mil toneladas em setembro. Esse volume será encaminhado para o programa de doações humanitárias, o que deve reforçar as exportações nacionais.

MERCADO EXTERNO

O relatório das exportações brasileiras em agosto, divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), ajudou a consolidar a posição de mercado do arroz gaúcho, que baliza os preços nacionais. Segundo o MDIC, o Brasil exportou 159,2 mil toneladas de arroz, em base casca em agosto e importou 61,5 mil/t. O saldo é de 97,6 mil toneladas, o equivalente a praticamente um mês de vendas externas. A Venezuela foi a grande cliente do mês.


Com isso, o Brasil acumula 996,1 mil toneladas de arroz, em base casca, exportados no ano comercial 2012/13, entre março e agosto. As importações totalizaram 524,7 mil/t no período, indicando um superávit de 471,4 mil/t na balança comercial do arroz do Brasil entre março e agosto, faltando ainda seis meses para completar o ano comercial. Sendo assim, a cadeia produtiva considera que a Conab terá que rever seu quadro de oferta e demanda para o ciclo 2012/13, que aponta a exportação de 1,2 milhão de toneladas. Com quase um milhão alcançado em seis meses, o setor acredita que a venda externa deve superar 1,5 milhão de toneladas. Isso refletiria diretamente no estoque de passagem, que já é considerado o menor dos últimos cinco anos e deve baixar mais 300 a 400 mil toneladas.

Na semana que passou alguns dos principais players internacionais registraram leve alta nos preços do arroz, inclusive no Mercosul. E o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou relatório mensal estimando a produção mundial de arroz beneficiado em 464,2 milhões de toneladas para 2012/13, com alta de 0,2% sobre o estudo divulgado em agosto.

SAFRA

Na segunda-feira passada a Conab publicou o último Levantamento da Safra de Grãos 2011/12, confirmando a queda produtiva e de área no Brasil. A expectativa agora é para o primeiro levantamento de intenção de plantio da safra de verão 2012/13, no início de outubro. O estudo não alterou os resultados divulgados em agosto, confirmando a redução de área de 13,9% e uma produção 14,8% menor. A região Sul concentra 51% da área cultivada e contribui com 77,4% da produção nacional de arroz e reduziu 122,6 mil hectares, sendo que o Rio Grande do Sul, que possui 43,4% da superfície cultivada no Brasil e contribui com 66,7% da produção, teve queda de 11,4% na área e 13,1% na produção. 

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica valorização de R$ 2,30 no preço referencial para a saca de 50 quilos de arroz em casca (58x10) no mercado gaúcho, saltando de R$ 35,50 no dia seis de setembro para R$ 37,80 nesta sexta-feira (13/9). A saca de 60 quilos de arroz branco valorizou R$ 2,00, para R$ 76,00 sem ICMS/FOB. Os quebrados de arroz também acompanharam a alta, com o canjicão referenciado em R$ 38,00 e a quirera em R$ 34,00, ambos em sacas de 60 quilos (FOB/RS). O farelo de arroz, FOB/Arroio do Meio (RS), manteve os R$ 360,00 por tonelada.
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Fonte:
Planeta Arroz

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