Trigo: Oferta ajustada e demanda aquecida devem manter preços em alta

Publicado em 14/11/2012 15:49 704 exibições
Quadro para o próximo ano continuará sendo de oferta ainda ajustada e demanda bastante aquecida.
A produção global de trigo deverá cair de 695,69 milhões para 645,3 milhões de toneladas, segundo estimativa da consultoria norte-americana AgResource divulgada nesta quarta-feira (14). 

As condições climáticas para a cultura não foram favoráveis neste ano safra e a colheita foi comprometida em importantes regiões produtoras. Os Estados Unidos, a Austrália, a Rússia e o países do Leste Europeu sofreram sérias perdas em função da seca. Com isso, a Ucrânia chegou até mesmo a cogitar uma possível restrição de suas exportações como forma de conter os preços e os estoques em seu mercado interno. 

Para o presidente da consultoria, Dan Basse, o clima adverso poderá continuar em 2013 e apertar ainda mais a oferta do grão. Paralelamente, a demanda mundial por trigo segue muito aquecida e ainda não dá sinais de retração. 

Segundo Basse, a procura pelos grãos se descolou dos problemas ligados à economia e, mesmo com algumas nações em crise, ainda permanece em alta e servindo como fator de sustentação para os preços da commodity no mercado internacional. 

Na primeira metade de 2013, de acordo com o executivo, o mercado deverá ser influenciado, principalmente, pela oferta vinda dos Estados Unidos já que o trigo soft norte-americano é um dos mais baratos do mundo. O produto do Canadá também poderá influenciar. Já no segundo semestre do ano que vem, o abastecimento do mercado deverá ficar por conta da América Latina. 

Para Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting, o mercado do trigo já é altista diante desse quadro de oferta escassa e demanda aquecida. "O potencial exportador para os Estados Unidos tende a ser menor e os produtores norte-americanos de trigo querem preços maiores, então esse é o fator principal que tem dado lastro ao mercado", disse. 

Segundo o consultor, a demanda vem também do Brasil, que é um dos grandes importadores mundiais do cereal. A produção brasileira deverá chegar a pouco mais de 4 milhões de toneladas, e parte desse trigo, principalmente do Rio Grande do Sul, é de má qualidade e, com isso, o Brasil deverá ter que importar mais cerca de 7 milhões de toneladas. 

"As perdas nessa safra mundial devem superar as 50 milhões de toneladas por conta do clima. Então, saímos de uma safra boa no ano passado para uma safra menor este ano - que deve ficar abaixo das 650 milhões de toneladas - e a demanda vai ser muito maior do que a produção. Então, o mercado do trigo está se voltando para os seus fundamentos e com os preços fortalecidos", completou Brandalizze. 
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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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