Arroz: Leilões da Conab negociam apenas 64,8% da oferta

Publicado em 07/08/2013 09:21
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Apenas 64,8% da oferta de 50,1 mil toneladas de arroz em casca dos estoques públicos, promovida pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em dois leilões nesta terça-feira (6/8) foram negociados. O restante da oferta não teve interessados. No total, foram negociadas 32.486 toneladas, sendo 31.713 (72,25%) do aviso 122/13, com preço médio ponderado de R$ 32,48 e outras 902,9 t (14%) do aviso 123/13, com preço médio ponderado de R$ 32,63.

Houve diferentes interpretações pela cadeia produtiva. Enquanto alguns analistas e produtores consideram que a baixa demanda pelo arroz do governo ratifica que a oferta é inoportuna, e esse resultado poderá levar à suspensão dos leilões, há também o entendimento de parte do segmento de que a comercialização cumpriu sua função de segurar a alta dos preços ao produtor, teve uma demanda considerável de 32 mil toneladas, principalmente para o abastecimento de pequenas indústrias, e só não teve melhor resultado porque o arroz de menor qualidade ainda tinha uma cotação considerada muito elevada por potenciais compradores. Há também o entendimento de que os estoques colocados em São Borja, com menor valorização “puxaram para baixo” as cotações.

Para a proposta do governo, o leilão mostrou certa normalidade, e efeito mais psicológico do que prático no mercado físico. Os comportamentos de produtores e indústria nos próximos dias, além da confirmação ou não de novas ofertas do governo, ditarão o novo ritmo da comercialização. Embora alguns analistas discordem, é muito provável que o governo federal mantenha sua programação de leilões, lançando edital nova intervenção em, pelo menos, 15 dias. É corrente que a Conab teria “separado” 200 mil toneladas para por à venda no RS num período de até 60 dias, como forma de controlar um maior avanço dos preços ao produtor e eventual reflexo inflacionário.

A luta da cadeia produtiva, nas próximas horas, será adiar ao máximo a realização de um segundo leilão, manter a oferta concentrada nas regiões de maiores preços e segurar uma possível “baixa” nos preços do arroz de menor qualidade, que pode ter reflexos no conjunto da média de preços das negociações. De uma maneira geral, acredita-se que a “fera não é tão feia quanto parece” e que se o produtor mantiver o fluxo de negociação dos últimos meses, terá maior poder de barganha na entressafra. Se os produtores resolverem ofertar mais grão do que demanda a indústria neste momento, como já vem sendo reportado por alguns corretores, a “manada pode estourar” e o crescimento da oferta na baixa levar os preços a um patamar indesejável, tanto pela cadeia produtiva quanto pelo próprio governo.

Na última semana, negociações de até R$ 37,00 (bruto) em Pelotas, acabaram suspensas por conta do leilão. Mas, tratava-se de arroz com mais de 60% de inteiros. Hoje, a indústria rejeitou pagar perto de R$ 32,00 por arroz de 50/56, até porque espera um segundo leilão com esse produto valendo de R$ 0,50 a R$ 1,00 abaixo do preço de abertura. O governo vem se manifestando de que o balizador da intervenção pública é o patamar de R$ 34,00.

Pois o indicador de preços do arroz em casca ESALQ/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa, para o Rio Grande do Sul, fechou nesta terça-feira em R$ 34,59, acumulando baixa de 0,37% no mês. Em dólar, a saca equivale a US$ 15,05, uma das mais baixas cotações do ano. Nesta segunda-feira (5/6), o indicador fechou em R$ 34,85, com alta de 0,37% no mês, com a saca equivalendo a US$ 15,15. Todavia, o indicador já vinha bastante descolado nos negócios realizados, principalmente nas praças de Pelotas, Camaquã, Santa Vitória do Palmar, Jaguarão e Rio Grande, com média de preços líquida aos produtores entre R$ 34,00 e R$ 35,00 e preço final entre R$ 36,00 e R$ 37,00. Poucos negócios têm sido realizados esta semana, por causa da expectativa para o comportamento do mercado frente aos leilões. Algumas negociações encaminhadas na semana anterior, suspensas por decisão da indústria, tiveram produtores tentando baixar o patamar de preços para garantir a operação, mas a indústria recuou. Por outro lado, muitos produtores que programaram negociar seus estoques agora, estão deixando a poeira baixar.

O comportamento das praças de Pelotas, Camaquã e arredores do Porto de Rio Grande, surpreendeu ao mercado, que esperava maior demanda destas, uma vez que as exportações de julho/agosto geraram uma pressão de alta nos preços e escassez de oferta na região. No entanto, nem para buscar eventuais exportações, as indústrias investiram na oferta pública. Em primeiro lugar, isso demonstra que o posicionamento inicial da rede processadora está mantida, com bom nível de abastecimento e arroz a depósito, e em segundo lugar, que esses primeiros leilões serviram para “tirar a febre” do mercado. A estratégia de aguardar os próximos movimentos do governo está adequada. Por um lado, há arroz para seu giro imediato, por outro, se o governo quer ofertar mais estoques, precisará fazer um preço que compense, já que o setor não conseguiu repassar integralmente a alta da matéria-prima ao varejo.

A negociação de apenas 64,8% da oferta da Conab, não parece ser o melhor argumento para que o setor evite novos leilões, uma vez que a proposta do governo jamais foi vender todo o arroz ofertado, mas mudar o referencial de preços para abaixo de R$ 34,00. Ao menos nos leilões, isso foi claramente percebido. Todavia, resta saber se esta referência alcançará os preços “spot”.

Resultado dos leilões da Conab desta terça-feira (6/8)

Aviso nº 122/13

Quantidade Ofertada: 43.713.072 Kg;
Quantidade Vendida: 31.583.156 Kg (72,25%),
Preço médio ponderado de fechamento: R$ 32,48/Sc.

Aviso Nº 123/13

Quantidade Ofertada: 6.434.021 Kg
Quantidade Vendida: 902.952 Kg (14,03%)
Preço médio ponderado de fechamento: R$ 32,63/Sc.

Total ofertado: 50.147.093
Total negociado: 32.486.108
% negociado: 64,78%

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Fonte: Planeta Arroz

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