As exportações de arroz do primeiro semestre de 2014 ultrapassaram as mais otimistas expectativas.

Publicado em 24/07/2014 12:42 390 exibições

Com um resultado de 813.425 toneladas base casca, segundo DECEX/SECEX, 34,52% acima do mesmo semestre do ano passado e 109% de crescimento em relação ao ano de 2010, mostram que o caminho percorrido por todos os atores da cadeia produtiva está fazendo com que o arroz do Rio Grande do Sul seja um produto de consumo na mesa dos mais diversos países. Com embarques para  África,  Américas  e Europa, a qualidade do produto originário das lavouras gaúchas, industrializado com excelência num dos parques mais modernos do mundo, tem garantido lugar na mesa de clientes com nível de exigência superior.  Se for considerada a média desses primeiros meses como parâmetro para os próximos, há expectativa de embarque de 1.500.000 ton. Números que  reforçam as expectativas de mercado firme e positivo para a recuperação das margens dos produtores, diante de constantes e significativos aumentos de custos de produção.

Por outro lado, a tão esperada copa do mundo parece não ter contribuído com as vendas do produto no varejo. Mesmo com importações 42% inferiores as de 2013 e menor das últimas cinco safras, totalizando 535.196 ton,  no mês de julho o mercado apresentou ligeira queda ou estagnação nos preços do casca. A redução nas importações está ligada principalmente por estarem Uruguai e Argentina com interesse em outros mercados de maior remuneração, como Irã e Iraque. A queda só não foi maior por conta do aumento das importações do Paraguai e de terceiros mercados, notadamente da Tailândia, que  oferece um produto com preço inferior e qualidade duvidosa, principalmente sanitária.

Outrossim, sanidade e segurança alimentar é evidentemente uma das qualidades do arroz gaúcho. Pressionado pelo rigor da ANVISA e pela intromissão de outros órgãos, que muitas vezes provocam notória perda de competitividade com a proibição de alguns defensivos e extrema burocracia para liberação de outros, o arroz brasileiro, especialmente o gaúcho, vem apresentando bons resultados. Por dois períodos consecutivos e com uma excelente expectativa para o próximo, a referida agência de vigilância sanitária considerou o arroz nacional um produto livre de resíduos de agroquímicos. Aliado a isto, o sistema de cultivo sustentável, a armazenagem, também com efetivo controle e fiscalização, transporte e a própria industrialização tornam o nosso arroz incomparável com os grandes players como Vietnã e Tailândia. Nesses países, a secagem ainda é realizada de forma muito arcaica, muitas vezes à beira de estradas e o armazenamento sem qualquer controle, principalmente  de roedores ou mico toxinas. Mesmo nossos parceiros do Mercosul, que produzem e armazenam de forma similar ao nosso, utilizam produtos proibidos no Brasil, defensivos de baixo custo, e ainda concorrem com vantagens tributárias devido a guerra fiscal dos estados. Assim, a renda no campo dos produtores brasileiros é comprometida devido a estas distorções, normalmente promovendo vantagens competitivas à outros países.

Entretanto, mesmo enfrentando todas estas  desvantagens, o cenário é positivo. O principal fato é que a produção está sendo escoada,  tanto através da exportação quanto mercado doméstico, e as importações estão apresentando declínio. Esta situação remete à reflexão que está havendo o consumo do que foi produzido e somente restará um pequeno estoque para garantir o abastecimento. O que resta é uma organização e coragem do setor industrial no enfrentamento do varejo, para que o arroz beneficiado eleve os patamares de comercialização e a cadeia desfrute de um equilíbrio.

Tags:
Fonte:
AI - Federarroz

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

0 comentário