Trigo: Preço não reage com área menor

Publicado em 20/04/2010 09:06 661 exibições
A redução no cultivo de trigo, prevista para a safra 2010/11, não é garantia de melhores preços para quem planta o cereal. Conforme avaliação da Secretaria Estadual da Agricultura (Seab), o estado dedica 157 mil hectares a menos (12%) à cultura neste ano, mas deve colher 605 mil toneladas a mais (24%). O ganho, em produtividade, deve manter o mercado regional bem abastecido, apesar do déficit nacional em relação ao consumo, que é de 5 milhões de toneladas (40%).

Se a safra fechar em 3,09 milhões de toneladas no Paraná, o preço tende a continuar desfavorável ao produtor em todo o Sul. Com previsão de produção de 2 milhões de toneladas nas lavouras gaúchas e de 300 mil nas catarinenses, a região (responsável por 90% da produção nacional) deve lançar no mercado 5 milhões de toneladas. Por questões logísticas, essa produção só chega a preços competitivos até o Centro-Sul do país, que consome cerca de 7 milhões de toneladas (60% do consumo nacional).

A questão é que as indústrias dessa região normalmente importam 3 milhões de toneladas ao ano. O gerente técnico das cooperativas do Paraná, Flávio Turra, afirma que, pelo histórico do mercado dos últimos anos, sempre que a produção supera 3 milhões de toneladas no Sul, a concorrência com o produto externo afeta os preços a ponto de o produtor enfrentar dificuldades para cobrir custos.

Sobram de 1 a 2 milhões de toneladas de trigo mesmo com a produção abaixo do consumo. No Paraná, os pre­­ços estão em R$ 23 a saca – R$ 5 a menos que há um ano e R$ 10 abaixo da média de 2008, maior valor anual já atingido pelo cereal. O custo chega a R$ 27 por saca no estado e o preço mínimo oficial é de R$ 31,80 (pão).

O governo adianta que não haverá novo reajuste do preço mínimo, o que limita as vantagens de quem apostava em programas de apoio à comercialização. Na última safra, o trigo brando teve reajuste de 5,54%, o pão de 10,42% e o melhorador de 15,63%. O aumento na safra anterior foi de 20%. Esses porcentuais estavam associados justamente à política de incentivo ao aumento da produção.

Dois anos após a retomada da campanha nacional de ampliação das lavouras de trigo, cuja produção deveria passar de 50% para 70% do consumo, o risco é de que nem mesmo o índice inicial seja atingido a partir da safra 2010/11. A produção deve ser a mesma de 2008/09, ante um consumo crescente.
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Fonte:
Gazeta do Povo

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