Trigo: STJ não concedeu liminar suspendendo redução do preço mínimo

Publicado em 03/08/2010 09:07 e atualizado em 03/08/2010 15:00 999 exibições
Enquanto as cotações do trigo explodem no cenário mundial do cereal, no Brasil a redução no preço referência do trigo ainda deve render discussão. Durante a tarde de ontem, a informação era de que o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) teria concedido liminar suspendendo a portaria emitida pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), que reduz o valor mínimo do cereal em 10%. Até então a Portaria número 324 de 2009, determinava o mínimo de R$ 31,80 para a saca de 60 quilos do trigo pão tipo 1, e R$ 26,46 para o brando tipo 1.

A assessoria de comunicação da Associação da Indústria do Trigo (Abitrigo), no entanto, informou que o STJ ainda não concedeu liminar sobre redução de preço do mínimo. A decisão publicada, ontem, no Diário da Justiça eletrônico teria caráter de despacho.

A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) entrou, no início de julho, com um mandado de segurança contra a redução, argumentando que a portaria deveria ter sido publicada com no mínimo 60 dias antes do início do cultivo. Quando o governo determinou a redução no preço referência, 91% da área já estava semeada.


MERCADO  

A semana começa com a cotação do trigo em alta de 7% - o maior avanço nos últimos 22 meses. Com a disparada de ontem(2) na Bolsa de Chicago, o preço do cereal registrou, no último mês, aumento de mais de 40%.

Para Christian Saigh, diretor superintendente do Moinho Santa Clara e vice-presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo (Sindustrigo), esse cenário vai refletir em reajuste de 7% a 10% nos valores da farinha de trigo. O que pode ameaçar o preço do pão.

De acordo com Saigh, com o fechamento de ontem, a tonelada do grão, que há um mês custava US$ 178, passou a US$ 260. "As cotações não fazem sentido frente à lei de oferta e demanda", diz, considerando os fundos de investimentos como os principais motivos da verticalização nos preços do cereal. "Toda vez que a moeda cai, os fundos de investimentos passam a comprar commodities", afirma.

Apesar da estimativa de quebra de mais de 10 milhões de toneladas na Rússia, Ucrânia e no Cazaquistão, devido à seca, além do excesso de umidade no Canadá, que deve consumir cinco milhões de toneladas, segundo Saigh, a demanda mundial não será comprometida.

Levantamento do Sindustrigo mostra que o mundo deve produzir 660 milhões de toneladas, consumir 665 milhões e ainda contar com um estoque de 190 milhões de toneladas.


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Fonte:
DCI

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