Estoques em alta seguram preço do trigo impedindo maiores avanços

Publicado em 16/08/2010 07:26 e atualizado em 16/08/2010 09:28 613 exibições
Nova safra começa a ser colhida, mas o País ainda possui 2,4 milhões de toneladas de trigo guardados, o que representa 23,53% da demanda total.
O nível dos estoques de trigo no Brasil e no exterior são os responsáveis pela perspectiva de baixa do preço desse produto nos próximos meses. Segundo estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP) as cotações do trigo tem reagido de forma lenta ou até mesmo permanecido inalteradas diante de altas expressivas no mercado internacional. Para os produtores, o quadro é preocupante já que há previsão de prejuízo. No entanto, a situação é uma boa notícia para o consumidor, que já sente no bolso o recuo do preço da farinha e do pão.

A atual situação do mercado não é promissora para os produtores. O País está com cerca de 2,4 milhões de toneladas de trigo em estoque, o que representa 23,53% da demanda total do país. Além disso este mês começa a ser colhida a safra de 2010, que deverá ter aumento de 15% em relação a de 2009, apesar do total de área plantada ter sido reduzido em 13%. A estimativa é que o país colha 5,24 milhões de toneladas até outubro.

  Segundo o Cepea, apesar da quebra da safra em países como a Rússia, os estoques de trigo ainda permanecem altos, o que deve segurar novos aumentos no preço. ‘‘No Brasil, além da safra maior a previsão é que nossos principais fornecedores – a Argentina e o Uruguai – tenham também capacidade de vender trigo para nós no fim do ano’’, aponta o pesquisador Lucilio Rogerio Alves, do Cepea. Com isso o preço do trigo não deve ter perspectiva de alta até janeiro de 2011. ‘‘Não há indicativo de que o preço no Brasil vá variar junto com o mercado externo’’, explica.

  Para o economista Pedro Loyola, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), a notícia é péssima para os produtores paranaenses, que respondem por 50% de todo o trigo produzido no país. ‘‘O custo, para o produtor, está hoje em R$ 30 por saca. Mas o mercado está pagando R$ 22 a R$ 24, o que certamente vai acarretar em prejuízo’’, destaca.

  O risco, aponta Loyola, é que a má conjuntura desanime o produtor e faça com que a área plantada de trigo no Estado encolha ainda mais. ‘‘O agricultor já vem de um ano ruim, como foi 2009, quando houve perda de produção por causa das chuvas e preço baixo’’, explica. Além do preço baixo, alerta, pesam contra o trigo a falta de oferta de seguro para a produção e a redução do preço mínimo pago pelo governo, que foi de R$ 31,20 por saca para R$ 28,60.

  O produtor também se prepara para ter que atender, já em 2011, um novo padrão de qualidade imposto pelo governo. ‘‘Quem não tem como atingir essa qualidade já vai pensar em ficar de fora’’, arrisca. Para Loyola, o que garante a manutenção de parte da área plantada no Estado é o fato do agricultor ter poucas alternativas de culturas de mesmo ciclo para substituir o trigo. ‘‘Ele pode trocar por cevada, aveia, mas são todas culturas com mercado restrito’’, diz.

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Fonte:
Folha de Londrina

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