Clima e China dão o tom no mercado de grãos

Publicado em 01/09/2010 07:31 e atualizado em 01/09/2010 12:46 788 exibições
Rússia e China deram o tom no mercado internacional de grãos em agosto. E para os preços de trigo, soja e milho, três das commodities agrícolas de maior liquidez nas bolsas, os reflexos da influência foram "altistas" em relação a julho.

É o que mostram cálculos do Valor Data baseados na comparação das médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega negociados na bolsa de Chicago, referência mais importante para o comércio do trio. O Brasil é o segundo maior exportador de soja do planeta e tem posição relevante nos embarques de milho. No caso do trigo, porém, é um dos principais importadores.

Como não poderia deixar de ser, o trigo foi o produto que mais reagiu à quebra da produção da Rússia e de outros países europeus. Uma severa estiagem derrubou a safra russa e levou Moscou a suspender as exportações de grãos até o fim do ano, o que provocou uma espiral altista que perdeu força na segunda metade do mês passado, mas acendeu o alerta inflacionário em vários países, Brasil inclusive.

Alternativa ao trigo em rações, o milho pegou carona e também subiu forte, em um movimento conjunto amenizado pelas boas condições das lavouras nos Estados Unidos - quase sempre o personagem principal do mercado quando se trata da bolsa de Chicago.

Conforme o Valor Data, os futuros de segunda posição do trigo encerraram agosto com valor médio mais de 22% superior à média de julho em Chicago. Para os papéis do milho, o salto foi de quase 10%.

"O milho acompanhou o trigo e seus problemas climáticos, mas os fundos voltaram ao mercado", ressalvou Flávia Moura, analista da Newedge radicada em Nova York. Segundo ela, os fundos já estão com cerca de 305 mil contratos comprados no mercado de milho em Chicago, patamar já próximo ao recorde de pouco mais de dois anos atrás, quando o grão atingiu máximas históricas.

No trigo o volume de contratos comprados é menor, mas porque os fundos estavam vendidos antes da seca russa prevalecer. Mas a soja também voltou a atrair o interesse dos fundos - são 113 mil contratos comprados, de acordo com Flávia Moura -, e mais do que nunca por causa das previsões de médio e longo prazo para o crescente apetite chinês pela oleaginosa.

É verdade que ontem uma repentina preocupação com o ritmo da demanda chinesa no curto prazo ajudou a derrubar as cotações do grão, mas as 15 novas esmagadoras que deverão entrar em operação no gigante asiático na safra 2010/11 - elevando sua capacidade total de processamento de soja para além de 100 milhões de toneladas anuais - seguem oferecendo sustentação às cotações.

No ano-safra que se encerra em 30 de setembro (2009/10), prevê o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a China importará 49,5 milhões de toneladas de soja, 8,4 milhões a mais que na safra anterior (2008/09). Para 2010/11, o órgão estima as compras chinesas no exterior em 52 milhões de toneladas.

Os números da temporada que se aproxima do fim podem conter alguma antecipação de compras por conta de preocupações com os efeitos do fenômeno climático La Niña no sul da América do Sul. Mas as novas esmagadoras, reforça Flávia, comprovam que não é só isso. E, com o fator China em evidência, a segunda posição do grão encerrou agosto com valor médio praticamente 4% superior ao de julho.

Setembro começa, contudo, com más notícias no campo econômico dos países desenvolvidos, o que sempre pode arrefecer a demanda e/ou levar fundos de investimentos a cobrir posições em outros mercados financeiros. Se os movimentos fortalecerem o dólar, as commodities perdem suporte. Do contrário, tendências de alta atreladas aos fundamentos de oferta e demanda podem ser maximizadas, com o inevitável temor inflacionário.

Na bolsa de Nova York, o grande destaque foi o algodão, em virtude da oferta global justa para atender à uma demanda crescente - liderada pela China. A conjunção fez o preço médio dos futuros de segunda posição fechar agosto quase 10% acima da média de julho. Na mesma comparação, o café também subiu (6,08%), influenciado pela expectativa de oferta menor que o previsto na América do Sul e o açúcar registrou salto de 5,16%, com um empurrão da estiagem no Brasil.

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Fonte:
Valor Econômico

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