Arroz: Preços mundiais mais firmes

Publicado em 09/09/2010 08:14
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Análise do mercado internacional do arroz (InterArroz), do analista Patrício Méndez del Villar mostra que em agosto os preços subiram pela primeira vez em 2009.
Em agosto, os preços mundiais subiram pela primeira vez desde o final de 2009. Há incertezas quanto às colheitas asiáticas, em decorrência das inundações que afetaram vários países produtores e exportadores importantes, tais como China e Paquistão. Ainda assim, é muito cedo para medir o impacto sobre o comércio mundial a médio prazo.

As disponibilidades exportáveis continuam relativamente importantes nos países exportadores menos afetados pelas intempéries. Por isso, a oferta global de exportação deve ser suficiente e, assim, os preços mundiais podem observar altas moderadas nos próximos meses.

Em agosto, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) aumentou 7,5 pontos para 200 pontos (base 100 = janeiro 2000) contra 192,5 pontos em julho. No início de setembro, o índice IPO marcava em torno de 215 pontos.

Produção e comércio mundiais

As novas estimativas de produção mundial, que levam em conta a situação em países asiáticos só estarão disponíveis em meados de setembro. Em 2010, a safra poderia chegar a 700 milhões de toneladas de arroz em casca (ou 467Mt de arroz branco) contra 682Mt em 2009, aumento de 2,6%.

Este aumento é devido principalmente à recuperação da produção na Índia, retornando ao seu nível de produção de 2008. No resto do mundo, as perspectivas de produção se anunciam favoráveis por causa das boas condições climáticas.

Em 2010, apesar das restrições ainda em vigor na Índia e uma redução significativa das exportações do Paquistão, as projeções do comércio mundial apontam para um aumento de 5% para 31,3 Mt contra 29,7 Mt em 2009, graças a reservas exportáveis na Tailândia e Vietnã.

Os estoques globais terminados em 2009 aumentaram para 124,5 Mt contra 110,5 Mt em 2008. Essas reservas representam 28% das necessidades globais. Em 2010, os estoques globais poderiam eventualmente não aumentar, de modo coerente com a situação dos países asiáticos.

Mercado de exportação

Na Tailândia, a recuperação dos preços em agosto foi relativamente limitada, devido à grande oferta exportável. Em contraste, os preços tailandeses no início de setembro mostraram mais firmeza. Apesar da perspectiva de uma ligeira redução na produção, devido à seca em algumas regiões arrozeiras, osestoques governamentais ainda são abundantes.

Portanto, a demanda global de importação deve ser abastecida por uma oferta de exportação suficiente. Em agosto, o Tai 100% B subiu para US$ 459/t Fob, contra US$ 453 em julho. O quebrado A1 Super também se recuperou para $ 343/t contra $ 330/t em julho.

No Vietnã, os preços de exportação aumentaram significativamente em 15%, impulsionados por uma demanda ativa da China, à qual se agregam as compras de Bangladesh. Frente a essa demanda adicional, as autoridades vietnamitas revisaram as projeções de exportação, que pode atingir 7 milhões de toneladas em 2010, ou 17% a mais que os objetivos iniciais. Em agosto, o Viet 5% marcou $ 405/t contra $ 353 em julho. O Viet 25% foi cotado a $ 361/t em comparação a $ 320 em julho.

No Paquistão, as inundações causaram uma perda de 30% da produção, impactando também o volume das exportações previstas para este ano, que poderiam cair de 20%. No entanto, essa redução seria compensada por mais exportações da Tailândia, Estados Unidos e mesmo Índia. Isto significa que não há risco, por ora, de uma escassez de arroz que possa provocar novas crises, como em 2008.

Na Índia, a proibição das exportações de arroz não aromático começa a afrouxar. Mas a abertura é ainda lenta, limitada ao envio de 50.000 toneladas para Bangladesh. Estas restrições em vigor desde o final de 2007 contribuíram para restaurar os estoques públicos.No entanto, os níveis de estoques começaram a ser criticados, porque seriam duas vezes maiores do que as necessidades estimadas. Com as atuais tensões no mercado mundial, as autoridades indianas ainda podem liberar mais arroz para exportação, evitando uma queda brutal dos preços mundiais.

Nos Estados Unidos, os preços de exportação começaram a se recuperar apenas a partir de meados de agosto. Por este motivo, o preço indicador do arroz Long Grain caiu 3% em sua média mensal, para $ 441/t, contra $ 451 em julho, colocando-o abaixo do preço da Tailândia. Em contraste, na Bolsa de Chicago, os preços futuros para setembro e novembro de 2010 subiram fortemente de 12% a 15% entre julho e agosto.

No Mercosul, os preços de exportação também começaram a se recuperar, impulsionados pela perspectiva de redução da oferta em alguns países exportadores da Ásia. Exportadores sul-americanos contam também com preços mundiais mais altos para tentar conquistar novos mercados fora do Mercosul.

Na África, a demanda de importação está progredindo, mas os importadores enfrentam dificuldades de abastecimento para o arroz de origem asiática. Exportadores sul-americanos poderiam aproveitar para aumentar suas participações nos mercados de arroz parboilizado, especialmente na região sul do continente.
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Fonte: Planeta Arroz

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