Ocepar cobra salvaguardas para o trigo

Publicado em 30/12/2010 08:36 243 exibições
Safra nacional atende apenas metade da demanda interna, mesmo assim produtores enfrentam dificuldades para comercializar produção.

A falta de mercado para o trigo está tirando o sono dos produtores brasileiros. Apesar do aumento da produção e da melhora significativa da qualidade do grão, até o mês de dezembro apenas 35% da safra nacional foi comercializada, volume abaixo do esperado pelo setor produtivo. A dificuldade nas vendas desestimula os agricultores e contraria a ideia de que o Brasil precisa buscar a autossuficiência na produção do trigo. A demanda interna pelo grão é praticamente o dobro do que o país produz. Os estados do Sul são responsáveis por 90% da safra de trigo brasileira. O Paraná é o maior produtor do País e colheu 3,37 milhões de toneladas em 2010, o que corresponde a quase 60% das 5,7 milhões de toneladas da produção nacional. Para suprir a demanda, o Brasil importa de países como Argentina, Uruguai, Paraguai, Estados Unidos e Canadá.

O que deveria ser uma ação para complementar a oferta do produto no mercado interno, no entanto, se transformou numa grande dor de cabeça para quem planta trigo no Brasil, já que as indústrias nacionais estão privilegiando a compra do produto no mercado externo. No período de janeiro a novembro de 2010, foram importadas 5,8 milhões de toneladas do produto. A preferência pelo trigo importado ficou ainda mais evidente entre os meses de agosto e novembro, pleno período de safra. Nestes meses, as importações aumentaram 29% em comparação a igual período de 2009. Somente no mês de setembro o Brasil importou 545 mil toneladas, 48% a mais em relação a setembro de 2009. “A entrada descontrolada do trigo importado traz sérias consequências de liquidez ao produtor nacional. As vendas estão num ritmo bastante lento e somente estão ocorrendo por meio dos leilões de PEPs (Prêmio de Escoamento de Produção) ou então porque o produtor necessita pagar dívidas com fornecedores”, diz o presidente do Sistema Ocepar, João Paulo Koslovski.

Garantias de renda mínima - Segundo o dirigente, somente uma intervenção do governo pode solucionar o problema com a falta de liquidez do trigo. Preocupado com o ritmo lento de comercialização do cereal, Koslovski afirma ainda que é clara a necessidade do governo intensificar as ações que garantam liquidez, mas com renda mínima ao produtor. Desde setembro, por exemplo, os preços pagos ao produtor para a saca de 60 quilos do trigo da classe melhorador é de R$ 24,80, valor abaixo do preço mínimo estipulado pelo governo que é de R$ 28,62. “É preciso apoiar a comercialização, por meio de mecanismos de garantia de preço e suporte nas vendas, bem como é necessário ofertar recursos para custeio e seguro rural”, completa o dirigente. Outra salvaguarda reivindicada pelo setor produtivo é a definição de instrumentos que regulem a importação. “Precisamos de mecanismos que cerceiem a ação predatória externa de importação de trigo, que tem prejudicado os nossos produtores. Também propusemos o diálogo permanente com o governo federal para solucionar os gargalos que dificultam o desenvolvimento da nossa triticultura", disse Koslovski.

Análise comprova qualidade do trigo do Paraná

A justificativa das indústrias brasileiras que dão preferência para o trigo importado, em detrimento ao produto nacional, é de que atualmente há mais facilidade de crédito para comprar o produto no mercado externo e que o câmbio está favorável às importações. Outro argumento refere-se à baixa qualidade do trigo nacional, fato que não condiz com a realidade, como comprova levantamento feito pela Gerência Técnica e Econômica do Sistema Ocepar (Getec). As análises das 135 amostras referentes as 550 mil toneladas de trigo do Paraná vendidas nos últimos leilões de PEP, apresentaram um valor médio de Força de Glúten (W) de 273 e de Falling Number (FN) de 319, o que caracteriza trigo de excelente qualidade.

A qualidade do trigo paranaense é resultado dos investimentos realizados nos últimos em tecnologia para cultivares. No Paraná e no Rio Grande do Sul, por exemplo, os cultivares da classe pão ou melhorador representavam 53% das áreas na safra de 2008. Em 2010, esse percentual aumentou para 79%, sendo que no Paraná para a safra 2011 a expectativa é que o cultivo de variedades da classe pão e melhorador chegue próximo a 100%.

Falta de liquidez faz produtor reduzir área plantada

Incentivados pelo governo, os produtores brasileiros iniciaram um movimento para aumentar a produção interna. A meta era atingir a esperada autossuficiência na produção de trigo, reduzindo a dependência pelo produto importado. Mas a falta de liquidez está causando um movimento inverso, marcado pela redução na intenção de plantio. Em 2010, o Paraná, estado que responde por cerca de 60% da produção nacional do cereal, diminuiu em 11% a área plantada de trigo. Segundo o superintendente estadual da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Lafayete Jacomel, a tendência para a próxima safra é que o produtor plante menos trigo que na safra 2010. “Ainda estamos trabalhando com estimativas, mas a tendência é que o percentual de redução na área de plantio varie de 10% a 15%”, calcula. Segundo Jacomel, o triticultor deve migrar para o milho safrinha, em função dos melhores preços pagos e melhor liquidez.

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Fonte:
AI Ocepar

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