As boas perspectivas do trigo para os próximos doze meses

Publicado em 21/03/2011 14:43 e atualizado em 21/03/2011 15:45 696 exibições
Matéria da Bloomberg desta segunda feira mostra as boas perspectivas do trigo para os próximos doze meses, muito importante para os triticultores brasileiros que estão tomando sua decisão sobre o plantio da próxima safra. Com os estoques mundiais diminuindo aos níveis mais baixos dos últimos quatro anos os preços mundiais devem continuar se recuperando da sua pior recessão nos últimos 25 anos.

O preço do grão no mercado futuro de Chicago deverá situar-se na média de 8 dólares/bushel, no segundo semestre de 2011, 8,9% a mais do que os 7,34 dólares/bushel negociados hoje, de acordo com a média da opinião de 22 analistas ouvidos pela Bloomberg. Os contratos para entrega daqui a um ano estão cotados a 8,60 dólares/bushel, um ganho de 17% em relação à cotação atual. A produção foi 15,4 milhões de toneladas menor do que a demanda, provocando a maior escassez dos últimos quatro anos e os estoques devem cair 7,8%, segundo o USDA.

O desempenho do trigo, porém, contrariou as expectativas iniciais e teve o pior desempenho nos últimos durante este mês de março, devido aos efeitos inesperados do tsunami sobre os mercados financeiros e as especulações de que o consumo cairia. Mas, esta preocupação não se justifica, porque a demanda por trigo caiu apenas 0,8% em 2008, que foi a pior recessão global desde a Segunda Guerra Mundial. “A necessidade mundial por alimentos é tão forte quanto era antes da crise japonesa”, disse Bill Gary, presidente da Commodity Information Systems Inc., de Oklahoma City, que trabalha nos mercados de grãos há mais de meio século. “A única perspectiva com que podemos ver o atual estado de pânico do mercado é como, eventualmente, uma boa oportunidade de compra”, concluiu.

Neste período o trigo caiu 17% em 2011 até o último dia 16 de março, seu pior início desde 1986. Os Fundos reduziram suas apostas em preços mais elevados, reduzindo as chamadas posições líquidas de compra em 58% desde o dia 08 de fevereiro último, segundo dados dos órgãos reguladores dos EUA. Mas, o trigo já está se recuperando, tendo subido 11% nas últimas três sessões, o maior salto desde dezembro último.

Índice Agrícola

O índice S&P GSCI de oito mercadorias negociadas no mercado futuro ainda é 71% maior do que um ano atrás, o que significa que nos Estados Unidos, por exemplo, o lucro da agricultura saltará 20% para um recorde de US$ 94,70 bilhões neste ano, segundo estimativas do USDA.  Isto também significa preços mais altos para todos, desde supermercados até os fabricantes de massas e biscoitos.

Os preços do trigo, milho e algodão duplicaram desde junho passado e a soja saltou 62% devido a uma mistura de secas e inundações, que arruinaram algumas colheitas importantes. Alguns governos, como a Rússia e seus vizinhos, desaceleraram as exportações e outros, como os do Norte da África e do Oriente Médio, aumentaram as importações. E no caso da Rússia, por exemplo, este corte nas exportações está mandando aos agricultores locais a mensagem errada: como não terão acesso aos preços internacionais, mas apenas a um preço estipulado pelo governo, os triticultores russos deverão reduzir o seu plantio, provocando justamente o efeito contrário ao que o governo deseja, que é o aumento da disponibilidade interna.

Produção da safra 2011/12 pode ser insatisfatória

Muito provavelmente haverá aumentos nas áreas plantadas com trigo nos principais países produtores, por conta dos preços elevados, atuais e futuros. A produção mundial deverá crescer cerca de 3,7% para 672 milhões de toneladas, segundo o Conselho Internacional de Grãos(IGC), que reúne 50 países.  O plantio nos Estados Unidos deverá aumentar 7,2% para 57,44 milhões de hectares, de acordo com levantamento feito pela Allendale, de Illinois. Os 27 países da União Européia deverão aumentar em 1,1% para 64 milhões de hectares o plantio de trigo, segundo o Copa-Cogeca, um sindicato de agricultores regionais com sede em Bruxelas. Contudo, isto pode ser muito pouco para preencher plenamente os estoques dos sete principais países produtores mais a União Européia, que deverão cair 22%, segundo o IGC, de Londres.

O preço dos alimentos

Estoques menores significam preços maiores. No último mês de fevereiro o índice de alimentos das Nações Unidas atingiu o seu recorde, contribuindo para aumentar os protestos no norte da África e no Oriente Médio, aumentando a inflação dos países e estimulando os bancos centrais a elevarem as taxas de juros, retardando o crescimento da economia global.

Os motins do Bahreim ao Marrocos contribuíram para aumentar os preços do trigo, porque a maior parte dos países decidiu elevar os seus estoques do produto para diminuir os distúrbios. Os embarques para o norte da África a partir do porto francês de Rouen, o maior centro exportador da Europa subiram ao seu volume mais alto nas últimas 16 semanas, segundo dados oficiais.
A demanda extra está drenando os estoques, justamente num momento em que as restrições quanto às exportações de trigo ainda estão em vigor na Rússia e na Ucrânia, dois dos principais fornecedores mundiais de trigo. O primeiro Vice-Ministro russo Viktor Zubkov disse em 2 de março último que esta proibição, inicialmente estabelecida até junho, deverá se estender até o final de 2011. Por seu lado a França deverá reduzir as suas exportações, como aconteceu no começo deste mês, de acordo com relatório da FranceAgrimer, escritório das safras nacionais.

Nos Estados Unidos o clima não está ajudando muito. O tempo seco do Kansas, segundo maior produtor do país, deixou apenas 26% das lavouras do trigo de inverno em estado bom/excelente, o pior nível desde 2006, segundo o USDA. No ano passado o percentual foi de 43%. Com relação ao trigo de primavera, que começa a ser plantado agora, a neve e a chuva encharcaram o solo, aumentando o risco de inundações que podem atrasar o plantio no estado de Dakota do Norte, maior estado produtor americano.

Produtos de padaria
O salto do trigo significa custos mais elevados para os produtos de panificação e para as carnes, segundo Brian Cornell, presidente do Sam’s Club, em conferência aos investidores no último dia 8 de março. Por conta disso, algumas indústrias de massas, biscoitos e assemelhados elevaram seus preços.

Os custos dos alimentos nos EUA deverão subir 4%, mais do que os 2% ou 3% estimados em janeiro último.

No mercado futuro, os investidores em opções na Bolsa de Chicago podem antecipar uma nova grande elevação dos preços do trigo. A opção mais difundida dá aos seus titulares a opção de comprar trigo a 10 dólares/bushel em abril. Os Fundos de hedge (cobertura) e os especuladores aumentaram a sua posição líquida de compra em trigo em Chicago em 4,6%, a maior desde meados de fevereiro, de acordo com dados da CFTC-Comissão de Controle dos Mercados Futuros.

“As pessoas precisam comer trigo, não importa o que aconteça”, disse Keith Flury, uma das analistas da equipe do Rabobank International, de Londres, que previu corretamente a elevação dos custos dos alimentos neste ano. “Os fundamentos subjacentes do mercado ainda estão lá”, concluiu.

Tradução: Trigo & Farinhas

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Bloomberg

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