Trigo: Com retomada das exportações russas, mercado despenca em Chicago

Publicado em 31/05/2011 15:15 e atualizado em 31/05/2011 17:50 353 exibições
Depois do feriado do Memorial Day nos Estados Unidos, comemorado nesta segunda-feira (30), os futuros do trigo não encontraram boas notícias para continuar subindo na Bolsa de Chicago. Hoje, o mercado reagiu às notícias de que a Rússia irá retomar suas exportações de grãos a partir do dia 1º de julho.

A suspensão das vendas russas aconteceu em agosto do ano passado, quando a pior seca em cem anos atingiu o país provocou uma significativa quebra na produção local, reduzindo-a a apenas um terço do previsto.

Já este ano, com a expectativa de um aumento da produção, as exportações serão retomadas e, segundo a consultoria AgResource, poderão tomar mercado dos Estados Unidos pelo menos nos próximos meses.

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), estima que a Rússia exporte, ao menos, 10 milhões de toneladas de trigo, um incremento de 150% em relação ao ciclo passado.

Já o ministro russo aposta em 20 milhões de toneladas, o que tira não só a competitividade dos Estados Unidos, mas também da França nos mercados no norte da África e do Oriente Médio, como explica o editor do boletim Trigo & Farinhas, Luiz Carlos Pacheco.

Por outro lado, ainda segundo Pacheco, "vai faltar trigo de boa qualidade - trigo pão ou trigo duro - no mercado, já que os maiores produtores - o Canadá, os EUA e a Austrália - estão com problemas na produção", explica.

O que poderia limitar as perdas no mercado do trigo no momento são os, ainda recorrentes, problemas climáticos. Importantes regiões produtoras da commodity sofrem com uma severa estiagem que já castiga as lavouras e compromete a produção global do grão.

Brasil - No Brasil, os preços que terão mais chances de subir serão os do trigo pão em relação ao trigo brando, uma vez que as exportações gaúchas, que dobraram neste ano, terão mais dificuldades de se concretizar em 2012. Enquanto isso, os preços do trigo pão produzido no Paraná e um pouco no Rio Grande do Sul tendem a ter uma demanda maior e por isso se deparar com preços melhores, tanto nas importações quanto no mercado externo, explica o editor do Trigo & Farinhas.

"Uma outra consequência é que as importações, porque o Brasil precisa justamente de trigo duro, serão mais caras no ano que vem", completa. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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