Mercado mundial tem alta brusca de olho na Tailândia

Publicado em 14/07/2011 08:29 357 exibições
Em outros mercados asiáticos, os preços registraram estabilidade ou altas moderadas. Portanto, os importadores tendem a se afastar do mercado tailandês, mostrando maior interesse pelas ofertas vietnamitas

Em junho, os preços mundiais subiram bruscamente devido à situação política na Tailândia. As promessas eleitorais do principal partido de oposição de revalorizar fortemente o preço pago ao produtor provocaram comportamentos especulativos com compras preventivas no mercado interno. Em outros mercados asiáticos, os preços registraram estabilidade ou altas moderadas. Portanto, os importadores tendem a se afastar do mercado tailandês, mostrando maior interesse pelas ofertas vietnamitas.

No final de junho, o mercado parecia corrigir as pressões do início do mês. Mas com o anúncio da vitória do partido de oposição, os preços tailandeses se reafirmaram novamente no início de julho. As disponibilidades mundiais de exportação continuam sendo abundantes e a demanda mundial deve se manter relativamente estável. Porém, existem incertezas quanto à futura política de preços internos do novo governo tailandês. Esta poderia, ao ser aplicada, ter um sobrecusto de 2 bilhões de dólares.

Em junho, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) subiu 6,1 pontos para 233,5 pontos (base 100 = janeiro 2000) contra 227,4 pontos em maio. No início de julho, o índice IPO marcava 236 pontos.

Produção e comércio mundiais

Segundo a FAO, a produção mundial em 2010 alcançou volume recorde de 696 milhões de toneladas (464Mt base arroz branco) contra 683Mt de arroz em casca em 2009, aumento de 1,8%. As colheitas têm crescido em quase todas as regiões arrozeiras do mundo, graças a uma extensão das áreas de cultivo, as quais alcançariam cerca de 162Mha. O aumento da produção tem ocorrido principalmente nas regiões asiáticas, especialmente na China, India, Indonésia e Bangladesh, os maiores produtores mundiais. Eles totalizam dois terços da produção mundial. As primeiras projeções para a temporada 2011/2012 indicam um novo incremento da produção, graças a boas condições climáticas, para 713Mt (476 Mt base arroz branco), alta de 2,6%.

Em 2010, o comércio mundial subiu 6% para 31,4Mt, ante 29,6Mt em 2009. Em 2011, os fluxos de comércio deverão permanecer relativamente estáveis em 31,8Mt. As disponibilidades de exportação em grandes exportadores devem ser amplamente suficientes para atender a demanda global.

Os estoques mundiais de arroz até o final de 2010 aumentaram 4,6% para 132,3Mt, frente às 126,6Mt em 2009. Essas reservas representam 30% das necessidades mundiais. Em 2011, as
projeções para os estoques mundiais indicam um novo aumento para 136,7 Mt.

Mercado de exportação

Na Tailândia, os preços se reafirmaram depois das declarações do principal partido da oposição, que prometeu, em caso de vitória nas eleições gerais, aumentar o preço pago aos produtores em 40%, para US$ 495/t de arroz em casca, frente aos US$ 300 hoje. As perspectivas de novos aumentos
provocaram comportamento especulativo, com compras preventivas por parte dos operadores nacionais. As vendas externas ainda permanecem bastante ativas, com as exportações mais uma vez ultrapassando um milhão de toneladas em junho.

Nos primeiros seis meses do ano, as vendas tailandesas progrediram 50% em comparação ao ano passado. No total, as exportações poderiam exceder as 10Mt planejadas para 2011. Em junho, o Tai 100% B foi cotado a US$ 520/t FOB, contra US$ 506 em maio. No início de julho, marcava US$ 535. O Parboilizado Tai também subiu para US$ 519/t ante US$ 506 em maio. O quebrado A1 Super subiu para US$ 424/t frente aos US$ 416/t de maio.

No Vietnã, os preços de exportação mantiveram-se relativamente estáveis, com um ligeiro declínio em comparação com o mês de maio. A oferta doméstica é significativa e o preço do arroz em casca ainda está caindo. Com a valorização dos preços tailandeses, os principais importadores do mundo mostram maior interesse pelo arroz vietnamita. As vendas vietnamitas progrediram em 15% em  relação ao ano anterior, atingindo 4Mt para os primeiros seis meses. No total, as exportações poderiam exceder o volume recorde de 7Mt em 2011. Em junho, o Viet 5% foi cotado a US$ 468/t contra US$ 473/t em maio. O Viet 25% caiu para US$ 435/t ante US$ 438 anteriormente.

Na Índia, a produção de arroz deve aumentar devido a fortes chuvas durante o ciclo vegetativo das plantas. Mas, apesar da perspectiva de uma safra recorde, estimada em cerca de 100Mt, as autoridades centrais mantêm as restrições à exportação de arroz não aromático. No entanto, as exportações de arroz aromático tipo Basmati não têm restrições e devem aumentar devido à forte demanda do Oriente Médio.

Nos Estados Unidos, os preços de exportação se mantêm firmes devido à oferta mais reduzida. Em junho, as projeções de produção foram baixadas e podem cair 15%. Condições climáticas adversas têm afetado as principais regiões produtoras do sul do país. Em contraste, na Bolsa de Chicago, os preços futuros tiveram uma tendência inversa, caindo 5% em um mês. Os operadores parecem estar mais otimistas quanto à oferta futura de arroz dos EUA. Em junho, o preço de arroz Long Grain 2/4 foi $ 543/t contra US$ 520 em maio.

No Mercosul, os preços de exportação foram valorizados em média a 5%. A desvalorização do dólar, em parte, explica a força dos preços americanos. A região, contudo, continua
enfrentando problemas de mercado para vender seus excedentes para exportação, como resultado de colheitas recordes em 2010/2011.

Na África, o aumento da produção de arroz tende a estabilizar as importações. Países como Nigéria e Senegal esperam reduzir significativamente suas importações. Mas, mesmo assim, a auto-suficiência para a África subsaariana continua a ser um objetivo distante, pelo menos a médio prazo. A África subsaariana representa o principal centro de importação, com quase um terço das importações mundiais.

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Fonte:
Planeta Arroz

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