Suporte do governo acelera recuperação dos preços do arroz

Publicado em 14/07/2011 08:31 314 exibições
Indicador de preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul já acumula 7,4% de alta em julho e encosta na paridade com o Mercosul. Mecanismos do governo sustentam recuperação das cotações

O conjunto de medidas, como a prorrogação de dívidas, reparcelamento do custeio e EGFs, além dos mecanismos de comercialização PEP, Pepro, Opções, leilões de troca para ajuda humanitária e instrumentos de compra de arroz da agricultura familiar sustentam recuperação de 7,4% nos preços do arroz no Rio Grande do Sul em julho. E já puxam para cima as cotações do Sul Catarinense.

A alta artificial, bancada pelo conjunto de medidas governamentais, refletiu em 10 dias mais do que a recuperação de 5,56% registrada em todo o mês de junho, que já foi a maior desde a safra. Em consequência os 13 dias de julho acumularam 7,4% de valorização nos preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul, segundo o Indicador de Preços do Arroz em Casca Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias (BVMF). A saca de arroz de 50 quilos (58x10) encerrou a quarta-feira cotada a R$ 21,80, em média, no mercado gaúcho. A média semanal, segundo o mesmo indicador, foi de R$ 21,63 nos três primeiros dias da semana. A cotação desta quarta-feira ainda se mantém R$ 4,00 abaixo do preço mínimo de garantia do governo federal.
No mercado livre, há indicativo referencial acima de R$ 22,00 por parte das corretoras do RS. Entretanto, a média dos negócios realizados está abaixo de R$ 21,00 ao produtor e com baixo volume de oferta. Boa parte dos produtores reduziu a oferta e a procura é maior por indústrias de fora do RS, que já começam a direcionar seu interesse ao produto do Mercosul. A procura está mais aquecida pelas variedades nobres na Fronteira e, principalmente, no Litoral Norte. Este aquecimento do mercado já reflete no Sul Catarinense, onde as cotações finalmente deixaram a casa dos R$ 19,00 para R$ 20,00.

A tendência é a manutenção desta trajetória de recuperação. Na próxima semana, dia 21, um leilão de PEP ofertará negócios para 140 mil toneladas, e o de Pepro mais 25 mil toneladas.

Mercado internacional

O valor de fechamento desta quarta-feira equivale a 13,84 dólares norte-americanos pela cotação do dia, cotação que equivale à referência de paridade dos preços do arroz do Mercosul, que deve ampliar a oferta no mercado brasileiro. Ainda assim, é excelente o desempenho das exportações nacionais, 171.473 toneladas (base casca) no mês de junho. Desde o início deste ano comercial, as exportações já acumularam 493.790 toneladas vendidas para o exterior, com uma média mensal de 123,4 mil toneladas por mês, segundo a Agrotendências Consultoria.

As importações também aumentaram, segundo a mesma fonte. Segundo o MDIC, foram internalizadas 61.144 toneladas (base casca), 20,6 mil toneladas (50,8%) a mais do que no mês maio. A tendência é de o mercado brasileiro tornar-se mais atraente ao produto do Mercosul, à medida que recuperam-se as cotações do produto interno.

A preocupação de parte dos produtores agora é comercializar o arroz a partir do momento em que o preço de mercado superar seu custo de produção, com alguma rentabilidade. Outra parte aguarda o governo anunciar novo pacote de renegociação de dívidas históricas, e por fim, uma minoria, aguarda uma alta mais significativa para comercializar. Estes, em geral, estão aproveitando os mecanismos do governo.

A sorte dos arrozeiros, este ano, foi que apesar de uma safra recorde que superofertou o mercado, apenas este setor agrícola enfrenta dificuldades de comercialização e todo o orçamento do governo para mecanismos de suporte de preços agrícolas está sendo direcionado ao setor. Uma sorte que pode não durar para 2012, apesar do bom desempenho das commodities em 2011. Neste momento, uma das preocupações dos produtores deve ser a redução de custos para a próxima safra, em busca da rentabilidade.

Os analistas alertam para que o custo de produção acima de 10 dólares por saca pode inviabilizar o negócio, pois a média do mercado internacional está entre 10 e 13 dólares. Uma realidade da qual o cereal brasileiro não poderá fugir muito, exceto no caso de suporte artificial de preços pelos mecanismos do governo federal.

Resta saber se o impacto psicológico das ações de governo alcançará a próxima safra com esta tendência de alta. Ainda assim, sob a tutela governamental, o arroz gaúcho ainda tem espaço para alcançar o preço mínimo no mercado livre. O volume de oferta e, principalmente, o fluxo de entrada do arroz do Mercosul e, a partir de agosto com a chegada da safra norte-americana, ditarão o tempo que este patamar vai durar, bem como o fôlego do governo para injetar dinheiro em socorro aos arrozeiros. O preço do arroz beneficiado é que está retardando uma reação, seja pela resistência dos atacadistas, seja pelo uso de estoques comprados a preços baixos (ou de arroz a depósito).

MERCADO

Segundo a Corretora Mercado, de Porto Alegre, os preços médios do arroz e seus derivados apresentaram alta na última semana, com destaque para os derivados. A saca de arroz de 50 quilos, em casca, valorizou R$ 2,00 e alcançou a média de R$ 22,00, enquanto o saco de 60 quilos de arroz beneficiado - sem ICMS – marcou passo em R$ 43,00. Entre os derivados, alta ainda mais significativa. A tonelada (FOB) do farelo de arroz saltou para R$ 270,00, ante os R$ 250,00 da semana passada, em razão dos preços do milho e da soja, principalmente, e o canjicão valorizou 50 centavos para R$ 31,50 por a saca de 60 quilos (FOB/RS). A quirera, também em 60 quilos, pulou de R$ 27,00 para R$ 28,50.

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Planeta Arroz

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