CTNBio decide hoje futuro do feijão transgênico

Publicado em 15/09/2011 07:59 e atualizado em 15/09/2011 11:02 318 exibições
O cultivo do feijão transgênico desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) – capaz de bloquear o vírus do mosaico-dourado e impedir quebras que passam de 40% – depende de votação marcada para hoje (15) na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) em Brasília. Pesquisadores esperam aprovação imediata para que o plantio comercial comece em 2014.

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e a Embrapa Arroz e Feijão desenvolveram variedades transgênicas de feijão resistentes ao vírus do mosaico dourado, considerado o pior inimigo dessa cultura no Brasil e na América do Sul. As variedades aguardam pela aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e, se aprovadas, podem chegar ao mercado em 2014.

No Brasil, essa doença está presente em todas as regiões produtoras e, ao atingir a plantação ainda na fase inicial, pode causar perdas de até 100% na produção.

As variedades transgênicas de feijão, batizadas de Embrapa 5.1, garantem vantagens econômicas e ambientais, com a diminuição das perdas, garantia das colheitas e redução da aplicação de produtos químicos no ambiente. Além disso, carregam um predicado inédito: são as primeiras plantas transgênicas totalmente produzidas por instituições públicas de pesquisa no Brasil.

Para chegar às variedades geneticamente modificadas (GM), os pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Francisco Aragão e da Embrapa Arroz e Feijão Josias Faria modificaram geneticamente a planta para que ela produzisse pequenos fragmentos de RNA responsáveis pela ativação de seu mecanismo de defesa contra o vírus mosaico dourado.

Desde 2006, os pesquisadores da Embrapa repetem pesquisas de campo com o feijão transgênico em Sete Lagoas (MG), Londrina (PR) e Santo Antônio de Goiás (GO), regiões de alta produção no país. Em todos os casos, os grãos foram infectados naturalmente pelo mosaico dourado. Os transgênicos, diz Aragão, não apresentaram sintomas da doença. Os convencionais tiveram de 80% a 90% das plantas afetadas.

Além de testar a eficiência das variedades transgênicas, essas análises avaliaram a biossegurança para comprovar a sua inocuidade ao ambiente e à saúde humana, em parceria com a Embrapa Agroindústria de Alimentos, Embrapa Agrobiologia e a UNESP.

No Brasil o feijão é uma cultura de extrema importância social, já que é produzido basicamente por pequenos produtores, com cerca de 80% da produção e da área cultivada em propriedades com menos de 100 hectares.

A produção mundial de feijão é superior a 12 milhões de toneladas. O Brasil ocupa o segundo lugar, mas sua produção ainda não é suficiente para suprir a demanda interna.

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Fonte:
Gazeta do Povo + Embrapa

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