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Cultivo de cebola com irrigação por gotejamento anima produtores do Nordeste

Publicado em 15/10/2012 12:34 1206 exibições
A perspectiva de alta produtividade com redução de custos está animando produtores de cebola do sertão do Nordeste. Com a introdução de técnicas acessíveis, como a irrigação por gotejamento e a fertirrigação, os resultados são bastante superiores aos alcançados pelos sistemas tradicionais de cultivo na região.

Na área do produtor Neuwilton de Sousa, no Distrito de Bem Bom, em Casa Nova (BA), a implantação deste sistema resultou em um rendimento de quase 500%, em quatro meses de cultivo. Com o custo de produção em torno de R$ 11.000,00 por hectare, o retorno chegou a R$ 5,70 para cada real investido.

Esse cultivo funciona como um Campo de Aprendizagem Tecnológica (CAT) do Projeto Lago de Sobradinho. Nele, a Embrapa Semiárido oferece a parte técnica, fazendo a implantação do sistema de irrigação e o acompanhamento do cultivo, com financiamento da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) e apoio de um técnico cedido pela Prefeitura Municipal de Casa Nova. Já o produtor participa com a área, a energia elétrica e a mão de obra, e em troca fica com a produção.

“O sistema permanece nessa propriedade durante um ano, e a proposta é que, com a venda da produção, o agricultor adquira seu próprio sistema”, explica o coordenador do Projeto Sergio Azevedo, da Embrapa Semiárido. Mas o objetivo principal é fazer desta experiência um veículo multiplicador das tecnologias para a região.

Demonstração – Os bons resultados alcançados com o cultivo de cebola na propriedade do Sr. Neuwilton foram demonstrados para mais de 120 produtores da região, que participaram de um Dia de Campo. Na oportunidade, os pesquisadores da Embrapa Semiárido Nivaldo Duarte, José Maria Pinto e Jony Eishi Yuri apresentaram informações sobre o manejo da cultura, da irrigação e nutrição aplicados no cultivo.

De acordo com os pesquisadores, são muitas as vantagens deste sistema de produção de cebola, em comparação com a irrigação tradicionalmente utilizada na região. Entre elas está a economia de água, que gira em torno de 50%, a de fertilizantes, em 80%, e de mão de obra, em 30%. Isso representa um menor custo de produção, que, aliado à melhor qualidade e rendimento comercial dos bulbos, tem como consequência uma maior lucratividade para o produtor.

Participando do Dia de Campo, o agricultor Josivan Pereira da Silva identificou ainda outra vantagem: a facilidade na execução das atividades. “Esse sistema é bom demais, e fica melhor pra gente, porque o trabalho na enxada é muito duro”, avalia. Ele cultiva cebola com o sistema de irrigação por sulco, e já se diz animado para adotar a nova alternativa.

A satisfação do Sr. Neuwilton também é prova de que o sistema é promissor: “Esse trabalho aqui é maravilhoso, tenho certeza que se alguém de vocês participar nunca vai se arrepender”, declarou. No entanto, os pesquisadores ressaltam que os bons resultados só foram obtidos graças ao grande esforço e dedicação do produtor.

Resultados – Quem também se animou com os resultados do cultivo foram os financiadores do Projeto Lago de Sobradinho. O Assessor de Gestão de Projetos Sociais para as Comunidades da Chesf, Ivaldo de Oliveira, se disse feliz em ver tanta gente disposta a mudar. “Nós sabemos que dá para melhorar a situação desses municípios, se fizermos a coisa certa. Com o ganho de produção, o Senhor Neuwilton vai conseguir comprar um sistema desse pra ele, então ele vai passar a produzir anualmente mais do que produzia antes, e consequentemente vai ter uma condição de vida melhor. É isso o que a gente espera com o projeto”, declara.

Para o administrador do convênio pela Chesf, Rodolfo de Sá Cavalcanti, o Dia de Campo é uma oportunidade singular de repassar aos produtores, através de uma “aula a céu aberto”, tecnologias que, se utilizadas, propiciam mais economia no sistema de cultivo e produtividade por hectare cultivado.

Representando a Embrapa Semiárido, o pesquisador Rebert Coelho também declarou ser gratificante esse projeto, “porque nos permitiu tirar muitas tecnologias dos Campos Experimentais e trazer para os produtores, que são os principais usuários dos trabalhos que nós desenvolvemos”.
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Fonte:
Embrapa Semiárido

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