Variedade anterior de abacaxi, em gomos, frustra produtores

Publicado em 23/03/2010 08:56 1531 exibições
Na contramão das promessas acerca do IAC fantástico, outra variedade de abacaxi lançada pelo IAC (Instituto Agronômico) nos anos 1990 -o IAC gomos de mel- pode estar com os dias contados nas plantações brasileiras. 

O gomos de mel ganhou destaque em 2005 e se tornou, então, a nova aposta dos produtores de abacaxi. Seu diferencial era o consumo em gomos, que acabava com a necessidade de descascar a fruta. 

Outra característica marcante era o alto índice brix -aferição de teor de açúcar-, que chegava a 26, contra 13, em média, das outras variedades. 

O que pareceu extremamente atrativo ao consumidor, contudo, se tornou problemático para os produtores. A alta suscetibilidade do novo tipo à frutariose -doença típica do abacaxi- e o tamanho reduzido dos frutos tornou a produção pouco ou nada rentável em função das perdas. 

José Guedes, produtor da região de Rio Claro que hoje investe no IAC fantástico, vai "erradicar totalmente" a plantação do gomos de mel. "É uma cultura que não valeu a pena. De que adianta usar fungicida e não resolver?", questiona. 

Além da doença, outro aspecto negativo apontado por produtores é o excesso de espinhos, o que dificulta o consumo e a colheita, que passou a exigir roupas especiais para proteger os trabalhadores. 
"Machuca muito e o consumidor não gosta", diz Shoji Korin, presidente da associação de produtores de abacaxi de Guaraçaí, grande município produtor no oeste de São Paulo. 

Além dos problemas de produção, Korin diz não ser possível comer o gomos de mel com facilidade. "Não é igual à fruta de pinho, também tem que descascar", afirma, contrariando a principal publicidade da fruta. 

No entanto, segundo Ademar Spironello, técnico do IAC que participou do desenvolvimento do IAC fantástico e do IAC gomos de mel, a produção do gomos não irá se extinguir. 

"Pode ser uma fruta de renda muito boa e alguns produtores estão desenvolvendo bem o produto", afirma. 

Ele ressalva, porém, que a variedade deverá manter como característica a produção em pequenas quantidades. O motivo é o custo maior pelo alto percentual de frutos pequenos e pela necessidade de mais investimento em fungicidas. 

Spironello garante que ainda existe procura por mudas do IAC gomos de mel e que, hoje, a variedade já é produzida fora de São Paulo, mas não soube apontar em quais localidades. "Não deixa de ser um nicho, principalmente para grandes redes de supermercados. É um fruto de qualidade extraordinária", diz.
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Fonte:
Folha de São Paulo

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