Terminal de cargas da ALL no Estado passará por vistoria

Publicado em 03/02/2010 08:29 1310 exibições
Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) deverá realizar uma inspeção emergencial na empresa concessionária da Ferronorte no Estado, América Latina Logística (ALL) nos próximos dias. A vistoria é a pedido do Ministério Público Federal em Mato Grosso (MPF/MT) que enviou um ofício em caráter emergencial à agência reguladora na segunda-feira (1º).

O objetivo é averiguar se a quantidade de grãos e farelo entregues nos terminais ferroviários de Alto Araguaia e Alto Taquari não é superior à capacidade de descarregamento e armazenamento da empresa.

Na quinta-feira passada (29), caminhoneiros realizaram protesto ao longo da BR-364 reivindicando melhorias, o que gerou congestionamento de aproximadamente 40 quilômetros na estrada.

As linhas ferroviárias das duas cidades são responsáveis por fazer o escoamento dos grãos produzidos no Estado, destinados à exportação, a partir do Porto de Santos. Ao solicitar a inspeção emergencial à ANTT, a intenção das procuradoras da República, Ana Carolina Oliveira Tannús e Vanessa Ribeiro Scarmagnani, foi a de identificar se uma possível falta de estrutura da empresa ALL para descarregar os caminhões nos silos e, posteriormente, dos silos para os vagões de trem, não seria a causa das frequentes filas de caminhões na margem da rodovia, no trecho próximo ao terminal ferroviário.

A suspeita é de que a empresa ALL, sem condições de transportar em tempo razoável, estaria utilizando os caminhões como silos, provocando uma espera por parte dos caminhoneiros que supera 48 horas, na margem da rodovia, segundo o MPF/MT.

Outra preocupação das procuradoras está relacionada aos acidentes que ocorrem na região. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF/MT), até o dia 29 de janeiro, entre os quilômetros 0 e 30, da BR-364, já haviam sido registrados 81 acidentes relacionados aos congestionamentos na localidade.

O gerente de Terminais da ALL, André Cruz Dias, negou que o congestionamento provocado na BR-364 esteja relacionado à capacidade do terminal. Segundo ele, houve uma manifestações de caminhoneiros sem carregamento em prol de várias reivindicações como, por exemplo, sobre o preço do óleo diesel, aumento do valor pago pelo frete, entre outros. "Sobrevoamos duas vezes o local. Eles fecharam a estrada a 10 quilômetros do terminal. Todos os que operam na região pararam, mas nenhum deles estava carregado".

Ele ressalta que a média de espera dos motoristas é de 6 horas, tempo que deve ser melhorado com a conclusão das obras de ampliação do terminal ferroviário. "Já temos 95% das obras concluídas e reduzimos esse tempo de espera que era de 17 horas".

A ALL já opera, desde o final do ano passado, com o dobro da capacidade de descarregamento em função da aquisição de mais dois tombadores, espécie de prancha que levanta o caminhão para derrubar a carga por meio da gravidade.

O gerente garante ainda que opera dentro da capacidade instalada. Atualmente, a média diária é de descarregamento de 600 caminhões, chegando a picos de 700, que é o máximo comportado pelo terminal, número que ainda não foi registrado este ano.

A previsão é de que, para a safra do ano que vem, a ALL já esteja operando também com o Terminal de Itiquira e em 2012 em Rondonópolis. Ambos estão dentro do cronograma previsto de obras, segundo Dias. Eles serão interligados pela ferrovia, dividida em três trechos.

O primeiro, segundo ele, já está concluído e o segundo, está em andamento. Ele não soube precisar se a última etapa já conta com a licença ambiental do Ibama. "Ao todo, com os trilhos e os terminais, o investimento em Mato Grosso será em torno de R$ 700 milhões". (Steffanie Schmidt)
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Fonte:
A Gazeta

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