Estiagem compromete a produção de metade das lavouras de milho no RS

Publicado em 22/12/2011 16:56 839 exibições
A cada dia, são mais visíveis as consequências da estiagem que ocorre no Rio Grande do Sul desde o início do mês de novembro. O potencial produtivo de lavouras e pastagens está declinando e os níveis dos mananciais hídricos, como barragens e rios, vêm diminuindo de forma acentuada. Em algumas localidades, ou mesmo regiões, os produtores já começam a contabilizar os prejuízos e o número de pedidos de Proagro aumenta a cada dia.

Conforme o Informativo Conjuntural divulgado hoje (22/12) pela Emater/RS-Ascar, as lavouras de milho, juntamente com as de feijão, são as mais afetadas pela severa deficiência hídrica que assola o Estado nestes dois últimos meses. Entre 40% e 50% das lavouras terão atravessado as fases de floração e enchimento de grãos em condições críticas quanto à presença de umidade no solo, fator indispensável para se garantir uma boa produtividade. Isso seguramente trará sérios reflexos na produção total deste ano, uma vez que os danos em termos de diminuição do potencial produtivo podem ser considerados irreversíveis em 50% da área projetada. Entretanto, os prejuízos só serão conhecidos a partir do início de janeiro, quando os dados referentes à segunda quinzena deste mês serão tabulados no Sistema de Monitoramento das Condições das Culturas. As lavouras que se encontram em desenvolvimento vegetativo, cerca de 34% do total cultivado, também apresentam problemas na sua evolução, como murchamento das folhas basilares e crescimento deficiente.

Em algumas regiões produtoras de feijão, o déficit hídrico já afeta seriamente a cultura. Nos vales do Taquari e Rio Pardo, as perdas são significativas. Mais da metade da área cultivada com feijão no Estado ainda se encontra em fase crítica quanto à necessidade de boa umidade do solo, o que vêm preocupando os agricultores. Se não ocorrerem chuvas de boa intensidade nos próximos períodos, a produtividade das lavouras deverá ser muito afetada.

Ao contrário das demais culturas, as lavouras de arroz evoluem de maneira satisfatória. A deficiência hídrica, que se intensifica em todas as regiões, não chega a deflagrar maiores prejuízos para o arroz. Até o momento, a irrigação tem sido satisfatória na maioria dos casos, fruto da adequação entre a área plantada e a quantidade de água armazenada. Somente aqueles produtores que dependem de arroios e rios para irrigar as suas áreas é que enfrentam alguns problemas. Com o cenário de normalidade para a cultura, 2% das lavouras estão na fase de floração e 98%, em fase de desenvolvimento vegetativo, apresentando bom padrão.

O forte calor e a insolação, somados à menor umidade existente no solo, estão prejudicando algumas culturas de hortigranjeiros, em especial, as hortaliças folhosas. Essa situação prejudica a qualidade dos produtos e restringe a produção, o que deve influir nos preços dos mercados e feiras.

Devido ao baixo volume de chuvas e às altas temperaturas do período, as forrageiras apresentam taxas de crescimento vegetativo bastante reduzidas, com algumas plantas secando devido à falta de umidade do solo. Os campos nativos, assim como as áreas cultivadas com espécies forrageiras perenes e anuais, já apresentam sintomas do déficit hídrico, como enrolamento de folhas nas horas mais quentes do dia.

A redução do volume das chuvas também está dificultando a continuidade da implantação das pastagens de verão, como sorgo forrageiro, capim-sudão, milheto, assim como das lavouras de milho destinadas à elaboração de silagem, especialmente nas regiões com temperaturas médias mais baixas, onde os cultivos são realizados mais tarde.

O estado corporal do rebanho bovino de corte ainda é bom, mas o ganho de peso dos animais está reduzindo consideravelmente. O estado sanitário, por sua vez, também é bom, mas, devido ao aumento das temperaturas, aumentou a incidência de moscas do chifre e carrapatos.

Com a reduzida oferta de pasto para o rebanho leiteiro, os produtores estão utilizando alimentos volumosos conservados (silagem e feno) para suplementar a dieta dos animais. Os produtores que não possuem grande quantidade de silagem para fornecer ao rebanho e que tiveram perdas significativas nas lavouras de milho destinadas à produção de grão estão encaminhando pedido de Proagro para utilizá-las na elaboração de silagem.

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Fonte:
Emater/RS-Ascar

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