Exportações, dólar e vendas restritas sustentam preços do milho no Brasil

Publicado em 08/11/2013 10:35 1366 exibições

Enquanto o mercado interncional do milho busca definir uma direção e sente, aos poucos, a chegada de uma grande safra norte-americana, no Brasil, o atual momento configura uma boa janela de oportunidade de comercialização para os produtores. Nas últimas semanas, as exportações,  a restrição vendedora e a boa taxa de câmbio foram os principais fatores de suporte para as cotações no mercado interno. 

Em outubro, as exportações brasileiras de milho somaram 3.953,3 milhões de toneladas, um volume 4,6% maior do que em setembro, quando foram exportadas 3.449,3 milhões. Em receita, o aumento foi ainda mais expressivo e as vendas do último mês somaram US$ 806,9 milhões, contra US$ 772,8 milhões de setembro. De janeiro a outubro, o Brasil já exportou 19.510,316 milhões de toneladas do cereal, volume próximo do que foi exportado durante todo o ano passado. 

Exportações do Brasil - Outubro - Tabela

Exportações do Brasil - Outubro - Gráficos

Fonte: SIM Consult

Para o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, há ainda uma estimativa de que em novembro as vendas brasileiras somem 3 milhões de toneladas, reforçando e confirmando essa boa demanda atual pelo produto. "Estamos jogando o nosso excedente para o exterior e isso já fez com que as cotações no mercado de exportação, nos portos, desde a semana passada, tenha evoluído cerca de R$ 1,00 por saca", explica. Assim, a média de preços nos portos brasileiros esteja entre R$ 24,50 e R$ 25,50 uma saca de milho. 

A expressiva alta do dólar e os bons patamares da moeda norte-americana também estimulam esse avanço das cotações. "Nós estávamos com um dólar entre R$ 2,12 e R$ 2,15 e agora em R$ 2,28, podendo superar os US$ 2,30 no futuro, então, essa transferência de valor também é em função do dólar", explicou Ênio Fernandes, consultor em agronegócio. 

Este momento, portanto, favorece também o mercado interno, uma vez que, diante de uma alta de preços, os produtores de milho seguram um pouco mais suas vendas, reduzindo a oferta e, assim, a pressão sobre as cotações. "Há uma pressão menor de venda", diz Brandalizze, e os preços no interior do país também são favorecidos. 

"As origens não estão vendendo. No interior de Goiás e do Paraná, há comprador por R$ 20,00 por saca, no Mato Grosso, onde o preço era de R$ 9,50 está R$ 11,00, e mesmo assim as ofertas são pequenas. O produtor está vendendo muito pouco do milho que ele tem. O milho valendo R$ 24,50 no Porto de Paranaguá contém um prêmio de US$ 1,00 por bushel sobre o vencimento dezembro de Chicago", explica Fernandes. Há pouca oferta e, ao mesmo tempo, navios contratados com as empresas precisando cumprir estados de produção. 

Para o consultor, esse é um momento que deveria ser aproveitado pelos produtores brasileiros de milho, uma vez que, nos próximos meses, as atençãos dos importadores deverão se voltar para o mercado norte-americano. Nessa época, os custos são menores, a oferta é maior e a logística é mais eficiente. "A tendência é termos dificuldade de vender em dezembro e janeiro. Mas, isso vai depender se o produtor americano vai continuar segurando as vendas do grão", acredita. 

Outro fator que contribui com esse bom momento dos preços do milho é o mercado aquecido no setor de aves e suínos. Essa época de final de ano é o período no qual se registra o maior consumo de carne no mercado interno em função das festividades. "Assim, é difícil dizer que haverá uma redução no alojamento de frangos, de peru, pois agora é um momento de maior mercado", explica Fernandes. Além disso, as exportações brasileiras de carnes também segue bastante expressiva e influenciando positivamente tanto o mercado de aves como o de milho, uma vez que o cereal é um dos principais componentes na produção da ração dos animais. 

No link abaixo, confira a íntegra do levantamento feito pelo SIM Consult:

>> Exportações Brasileiras - Portos

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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