Milho: Na CBOT, preços operam em campo misto, próximos da estabilidade

Publicado em 23/04/2014 08:33 477 exibições

Os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam em campo misto nesta quarta-feira (23). Depois das altas registradas no pregão anterior, as cotações recuam e, por volta das 8h08 (horário de Brasília) exibiam pequenas perdas de mais de 0,75 pontos. O vencimento dezembro/14 é o único que trabalha do lado positivo da tabela, cotado a US$ 4,96 por bushel.

Após os ganhos registrados na última sessão, o mercado realiza lucros e registra ligeiras quedas. As cotações têm oscilado conforme as previsões climáticas para os Estados Unidos, que podem atrasar ou impulsionar o plantio da safra 2014/15 no país.

No início da semana, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou o plantio em 6% da área projetada até o dia 20 de abril. O índice está bem abaixo da média dos últimos cinco anos.

Mas, ainda assim, analistas destacam que os produtores norte-americanos conseguem cultivar uma grande extensão em curto espaço de tempo. Paralelo a esse cenário, os fundamentos continuam positivos ao mercado de milho e a tendência é que os preços oscilem próximos de US$ 5,00 por bushel.

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Milho: Frente à demanda aquecida e dados do plantio dos EUA, preços fecham em alta em CBOT

As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram o dia do lado positivo da tabela. Ao longo das negociações, as principais posições da commodity ampliaram os ganhos e fecharam o pregão com altas entre 5,4 e 8 pontos. O contrato maio/14 encerrou o cotado a US$ 4,96 por bushel, valorização de 1,58% em relação à última sessão.

Durante o pregão, os números de acompanhamento de safras divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) deu suporte aos preços do cereal em Chicago. Nesta segunda-feira, o departamento reportou o plantio do milho no país em 6% da área projetada, até o dia 20 de abril.

O índice é superior ao anunciado na última semana, de 3%. No entanto, o número está bem abaixo da média dos últimos cinco anos, de 14%. O plantio do cereal está mais lento, principalmente, nos estados de Iowa e Illinois, que no mesmo período, tinham plantado em torno de 5% e 2% da área, respectivamente.

Para os próximos seis a dez dias, as previsões climáticas ainda indicam ocorrência de chuvas em partes do cinturão produtor norte-americano. Cenário, que se confirmado, poderá prejudicar a evolução da semeadura. Ainda assim, analistas destacam que, o atraso no plantio em relação à média dos últimos anos ainda não pode ser considerado uma situação grave, já que os produtores norte-americanos conseguem cultivar uma área extensa em curto espaço de tempo. 

De acordo com o economista da Agrogt Corretora de Cereais, Rodrigo Della Pace, caso as condições climáticas melhorem ao longo desta semana, teremos os reflexos do avanço do plantio norte-americano no relatório da próxima semana.  Por enquanto, as especulações de clima nos EUA nas próximas semanas deverá ser o principal fator e trará volatilidade aos preços. 

Mesmo assim, o economista sinaliza que os fundamentos são positivos ao mercado de milho. “A área cultivada nos Estados Unidos deverá ser menor nesta safra e caso tenhamos problemas climáticos no país, que possa comprometer a produtividade das lavouras, poderemos ver os preços romper o patamar de US$ 5,50 por bushel, em longo prazo. Já no curto prazo, as cotações podem testar o nível de US$ 5,10 por bushel", destaca Pace.

Frente a esse quadro, a demanda firme pelo produto norte-americano também contribui para a formação desse cenário. Nesta segunda, o USDA anunciou as vendas semanais de milho em 1.599 milhão de toneladas, número maior do que o divulgado na semana anterior, de 1.448,812 toneladas. Ainda hoje, o departamento norte-americano reportou a venda de 240 mil toneladas para o México, o volume deverá ser entregue na safra 2014/15.

No acumulado no ano safra, o país já vendeu cerca de 42.567,3 milhões de toneladas, número próximo ao projetado pelo USDA, de 44.450,0 milhões de toneladas.

Mercado interno

No Brasil, os preços do milho seguem estáveis nas principais praças do país. E diante da preocupação com o clima para a safrinha, os produtores, que estão capitalizados, seguem cautelosos nas vendas à espera de cotações melhores. 

“E durante os meses de abril e maio temos mais disponibilidade de milho no mercado interno, entretanto, em plena safra, os produtores seguram as vendas. Já os compradores não estão agressivos esta semana e compram da mão pra boca, pois sabem que há milho. Talvez, esse cenário possa mudar na próxima semana”, diz Pace. 

A tendência para os preços do cereal é de suporte e a expectativa é que as cotações se mantenham em níveis maiores do que os registrados no ano anterior. Ainda na visão do economista, não há fatores que indiquem uma explosão nos preços do grão, pelo menos, por enquanto. Em contrapartida, se as condições climáticas forem desfavoráveis ao desenvolvimento da safrinha brasileira, as cotações podem apresentar nova valorização.

Nesta terça-feira, a saca é negociada a R$ 31,80 em Campinas (SP) CIF. Já em Campo Mourão (PR), o valor é de R$ 27,00, no MT, em Lucas do Rio Verde, o valor de negociação é de R$ 19,50. Em Cristalina (GO), a saca é negociada a R$ 25,00, já em Uberlândia (MG), a saca é vendida a R$ 27,50.

Ainda hoje, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, informou que as exportações de milho do Brasil somaram 478,4 mil toneladas até a terceira semana do mês de abril, com média de 36,8 mil toneladas. O número representa uma alta de 21% em comparação com o mês de março.

As exportações do cereal renderam ao país US$ 105 milhões, com média diária de US$ 8,1 milhões. O preço médio da tonelada do produto ficou em US$ 219,4. 

Já na BMF&Bovespa, os contratos do milho trabalham com leves quedas nesta terça-feira. O economista explica que, o movimento é um reflexo do recuo no indicador Cepea, de cerca de 0,21 centavos reportado na semana anterior, a volatilidade é ocasionada pela baixa liquidez no mercado de milho, uma vez que parte dos produtores brasileiros ainda seguram as vendas à espera de preços melhores. 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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