Milho: Em Chicago, preços avançam frente aos números de plantio nos EUA e previsão de chuvas

Publicado em 29/04/2014 13:44 487 exibições

Nesta terça-feira (29), as cotações futuras do milho trabalham em alta na Bolsa de Chicago (CBOT). Pelo terceiro dia, os preços da commodity avançam e, por volta das 12h48 (horário de Brasília), registravam ganhos entre 4,00 e 7,00 pontos. O contrato maio/14 era negociado a US$ 5,14 por bushel. 

O principal fator de suporte aos preços em Chicago são os números de acompanhamento de safras do país divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta segunda-feira. Até o último dia 27, cerca de 19% a área destinada ao plantio do milho já havia sido semeadas. Os investidores esperavam um percentual de cultivo próximo a 30%. 

Na semana passada, o número estava em 6%. Em relação à temporada anterior, na qual, nesse mesmo período o índice era de 5%, há uma expressiva evolução, entretanto, o percentual está abaixo da média dos últimos cinco anos de 28%. O Texas é o estado onde a semeadura do grão está mais avançada, com 64% da área semeada.

De acordo com informações divulgadas pela agência internacional Bloomberg, as condições climáticas devem ser desfavoráveis aos trabalhos nos campos e plantio no Centro-Oeste norte-americano, esta semana, com condições de chuvas e temperaturas mais frias. E não há uma boa oportunidade para a continuidade do cultivo do milho nos EUA durante os próximos 7 a 10 dias.

Em Madison, capital do estado de Wisconsin, o tempo ficará nublado e há possibilidade de precipitações nos próximos 10 dias, conforme previsões do site internacional de meteorologia, AccuWeather. As temperaturas deverão ficar entre 11ºC até 18ºC. Já em Des Moines, em Iowa, também há possibilidade de chuvas nos próximos dias. 

Frente a essa situação, os investidores já especulam sobre uma possível transferência de área de milho para a soja. Os produtores norte-americanos têm até o final do mês de maio para terminar a semeadura do grão. É preciso ressaltar que os americanos tem capacidade de plantar uma área extensa em um curto espaço de tempo.

Em contrapartida, a demanda pelo milho dos EUA segue firme, uma vez que em outras origens como Argentina e Brasil as vendas seguem lentas. Ainda nesta segunda-feira, o USDA divulgou que as vendas semanais somaram 1,156.332 milhões de toneladas na semana encerrada no dia 24 de abril. Número pouco abaixo do reportado na semana anterior, de 1,633.180 toneladas (número revisado).

No mesmo período do ano passado, as vendas totalizaram 295.795 toneladas. Já no total acumulado no ano safra, com início em 1º de setembro, as vendas somaram 27,991.018 toneladas, contra 12,247.293 toneladas acumuladas no ano safra anterior.

Mercado interno

No Brasil, o cenário permanece sem grandes alterações, uma vez que, os produtores estão capitalizados e seguram as vendas à espera de melhores cotações. Na outra ponta, os compradores saem do mercado e esperam uma oferta maior no segundo semestre, com o avanço da colheita da safrinha.

Com isso, a comercialização da safra permanece em ritmo lento, mas os preços do produto continuam sustentados. O Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia e Agropecuária) informou que no MT, as vendas são lentas frente à produtividade incerta das lavouras do cereal.

Além disso, a diferença entre os preços futuros, registrados na última semana no estado, com média de R$ 15,40/sc, para entrega em agosto e pagamento e setembro, também contribui para diminuir o ritmo das negociações. A situação se repete no PR, onde a comercialização da safrinha atinge 2% da produção, conforme dados do Deral (Departamento de Economia Rural). 

A tendência para os 4 a 5 meses é de estabilidade nos preços, com o mercado equilibrado e sem prevalecer nenhuma das pontas da cadeia, compradora ou vendedora, segundo o pesquisador do Cepea, Lucílio Rogério Alves. 

Desde o final do ano passado, as cotações do cereal já subiram em torno de 15% a 18% em algumas praças, frente às projeções que indicam uma redução na produção da safrinha. As projeções para a safra brasileira de milho ainda são divergentes, muitos analistas acreditam em uma produção ao redor de 70 até 76 milhões de toneladas, mas a expectativa é que esse número fique próximo de 74 até 75 milhões de toneladas.

Nesta terça-feira, a saca do milho é negociada a R$ 31,00 em Campinas (SP) CIF, preço estável. As praças de Cristalina (GO), Campo Mourão (PR) e Unaí (MG) também mantiveram os valores praticados ontem, de R$ 24,50, R$ 27,00 e R$ 26,00, respectivamente. Em Lucas do Rio Verde (MT), as cotações do produto recuaram de R$ 19,00 para R$ 18,50.

Confira as previsões para os próximos dias nos estados de Iowa e Wisconsin:

Des Moines, Iowa

Madison, Wisconsin

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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