Milho: Após perdas expressivas, mercado busca recuperação em Chicago

Publicado em 06/06/2014 09:00 465 exibições

Após as quedas expressivas registradas durante essa semana, os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam com ligeiros ganhos no pregão desta sexta-feira (6). Por volta das 8h44 (horário de Brasília), as principais posições da commodity exibiam altas entre 0,50 e 1,50 pontos. O vencimento julho/14 era negociado a US$ 4,49 por bushel. 

De acordo com informações divulgadas pela agência internacional de notícias Bloomberg, os futuros do cereal operam próximos do menor nível desde fevereiro. Cenário decorrente das previsões chuvas para os EUA, que aumentaram as perspectivas de uma safra recorde no país.

Segundo pesquisa realizada pela Bloomberg News, a produção de milho norte-americana poderá totalizar 354,07 milhões de toneladas na safra 2014/15. No último relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a safra foi projetada em 353,97 milhões de toneladas. O órgão irá divulgar novas estimativas no dia 11 de junho.

Consequentemente, a expectativa é que os estoques mundiais somem 182,2 milhões de toneladas, ainda segundo pesquisa da agência. A projeção do USDA para os estoques globais é de 181,73 milhões de toneladas.  

Veja como fechou o mercado nesta quinta-feira:

Milho: Mercado reflete clima favorável ao desenvolvimento da safra dos EUA e fecha em queda na CBOT

As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o pregão desta quinta-feira (5) do lado negativo da tabela. Durante os negócios, as principais posições da commodity ampliaram as perdas e terminaram o dia com quedas entre 6,25 e 8,00 pontos. O contrato julho/14 registrou uma redução de 1,6% e encerrou a sessão cotado a US$ 4,49 por bushel.

Segundo a analista de mercado da FCStone, Ana Luiza Lodi, as cotações refletem o clima, considerado favorável ao desenvolvimento das lavouras norte-americanas. Diante dessa situação, a expectativa dos participantes do mercado é que a safra dos EUA será cheia.

Em contrapartida, o mercado já tem precificado esse cenário e somente no mês de maio, as cotações do cereal acumulam perdas de mais de 10%. Nas últimas sessões, os futuros do milho têm perdido importantes patamares de suporte em Chicago. "No curto prazo, as cotações ainda têm espaço para recuar um pouco mais. Porém, não acredito que possam retornar ao nível de US$ 4,00 por bushel, como já vimos anteriormente", diz Ana Luiza.

Ainda na visão da analista, as notícias do lado da demanda poderiam ocasionar uma modificação nesse quadro, principalmente, por parte da China. Entretanto, o novo relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que será divulgado na próxima semana não deverá trazer números expressivos.

Nesta quinta-feira, o USDA reportou as vendas para exportação de milho referente à safra 2013/14 em 550.700 mil toneladas até o dia 29 de maio. O número representa uma queda de 5% em relação à semana anterior, porém uma alta de 39% sobre a média das últimas semanas. Para a safra 2014/15, as vendas totalizaram 19.600 toneladas.

Ainda hoje, o Sistema de Informação do Mercado Agrícola (AMIS), órgão do G-20 para divulgar dados de oferta e demanda das principais commodities agrícolas, informou que a produção mundial de milho em 2014/15 deverá totalizar 988 milhões de toneladas, contra 1,007 bilhão no ano anterior. Em maio, a projeção era de 967 milhões de toneladas.

Já os estoques finais deverão somar 169 milhões de toneladas, frente as 162 milhões de toneladas estimadas em maio. O aumento nas previsões é decorrente da expectativa favorável em relação à safra norte-americana e das produções acima do esperado na América do Sul.

Segundo dados do USDA, a produção global de milho da safra 2014/15 deverá totalizar 979,08 milhões de toneladas, conforme dados do último boletim de oferta e demanda. Por outro lado, os estoques são estimados em 181,73 milhões de toneladas.

BMF&Bovespa

Os futuros do milho na BMF&Bovespa trabalham em campo negativo nesta quinta-feira. O vencimento julho/14, que era cotado a R$ 26,76 na manhã de hoje, recuou e por volta das 17h08 (horário de Brasília) era negociado a R$ 26,60. O mercado brasileiro também acompanha as perdas em Chicago. 

O aumento na oferta disponível, já que os produtores avançaram nas vendas da safra de verão, e a proximidade da colheita da segunda safra pressionam negativamente as cotações do milho. De acordo com levantamento realizado pela Scot Consultoria, na região de Campinas (SP), a saca de 60 quilos do grão está cotada a R$ 25,00, uma queda de 12,5% frente ao valor médio registrado em maio. 

Ainda na visão da analista, o mercado brasileiro ainda dependerá das exportações. A safra de milho é estimada em 75 milhões de toneladas, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Já o consumo interno, deve ficar entre 53 a 54 milhões de toneladas, enquanto que os estoques são projetados em 8,6 milhões de toneladas. 

“Com as exportações ganhando ritmo no segundo semestre, os preços deverão se manter próximos dos atuais patamares, ainda assim não é cenário que vimos no ano passado, de cotações baixas. Mas se as exportações ficaram abaixo de 20 milhões de toneladas, podemos ter uma pressão maior nos preços”, destaca Ana Luiza. 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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