Milho: Em movimento técnico, mercado amplia perdas em Chicago

Publicado em 09/06/2014 13:31 269 exibições

No pregão desta segunda-feira (9), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam do lado negativo da tabela. Ao longo das negociações, as cotações ampliaram as perdas e, por volta das 12h43 (horário de Brasília), as principais posições da commodity exibiam quedas entre 11,25 e 11,75 pontos. O vencimento julho/14 era cotado a US$ 4,47 por bushel, mais cedo o contrato atingiu o patamar de US$ 4,48 por bushel, desvalorização de 2,4% e menor nível desde 30 de setembro.

Segundo o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, o mercado passa por um movimento técnico, após os ganhos registrados na sessão da última sexta-feira. Além disso, a safra norte-americana de milho tem desenvolvimento satisfatório depois das preocupações iniciais com o frio.  Segundo o último relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), até o dia 1º de junho, cerca de 76% das lavouras apresentavam boas ou excelentes condições. O departamento deve divulgar novo boletim no final da tarde desta segunda-feira.

Diante desse cenário, a expectativa é que o país colha uma safra recorde na próxima safra. A projeção do USDA é de 353,97 milhões de toneladas de milho, no entanto, a perspectiva dos participantes do mercado é que esse número possa ser ainda maior. Na próxima quarta-feira (11), o departamento norte-americano deverá apresentar novo boletim de oferta e demanda.

Consequentemente, os preços do cereal têm oscilado no intervalo de US$ 4,50 por bushel e US$ 5,00 por bushel. Por outro lado, a agência internacional de notícias Bloomberg divulgou que as cotações do cereal têm sido pressionadas pelas especulações de uma possível queda na demanda pelo produto dos EUA por parte da China, após o país anunciar a suspensão das licenças de importação de grãos de destilaria norte-americano, conhecido como DDGS, que é um subproduto utilizado na alimentação do gado.

Ainda segundo dados da agência, a medida foi adotada, pois o governo da China considera o DDGS de alto risco de conter o MIR 162, uma cepa geneticamente modificada de milho não aprovada pela nação asiática. “Esse não é um fator de grande peso ao mercado, uma vez que os chineses deverão comprar o produto em outras origens”, explica Brandalizze. 

Ainda na visão do consultor, após a fase inicial de plantio nos EUA e consolidação de valores, os preços poderão voltar a subir, especialmente no segundo semestre, com notícias de demanda. “Temos que considerar as produções do Leste Europeu, que foram prejudicadas pelas inundações, e na Ucrânia, onde os produtores não conseguiram plantar toda a área projetada devido à crise política. Então, a partir de agosto, as cotações poderão ter fôlego para alcançar novos patamares”, afirma Brandalizze.

Nesta segunda-feira, o USDA reportou os embarques semanais de milho em 1.147,968 milhão de toneladas na semana encerrada no dia 5 de junho. Na semana anterior, o número divulgado foi de 980.053 mil toneladas de milho. Já no mesmo período do ano passado, o total embarcado foi de 162.569 mil toneladas. Até o momento, no acumulado no ano safra, com início em 1º de setembro, os embarques totalizam 34.824,911 milhões de toneladas, contra 13.887,191 milhões de toneladas do ano safra anterior. 

BMF&Bovespa

Nesta segunda-feira, as cotações do milho na BMF&Bovespa também operam em queda. As principais posições da commodity acompanham a movimentação de Chicago e registram perdas expressivas. O contrato julho/14 é negociado a R$ 26,20, desvalorização de 1,84%, no último pregão, o vencimento era cotado a R$ 26,69.

A proximidade da colheita do milho segunda safra, em algumas localidades os produtores até iniciaram os trabalhos nos campos, também contribui para pressionar os preços. No mercado interno, as cotações recuaram durante o último mês. Em Campinas (SP) CIF, a saca é negociada a R$ 27,50 nesta segunda. Já em Campo Mourão (PR), o valor de negociação é de R$ 24,50, em Rio Verde (GO), o valor da saca é de R$ 22,00. Em Mato Grosso, em Rondonópolis, a saca é cotada a R$ 18,00.

A perspectiva dos analistas, é que a partir do segundo semestre com as exportações brasileiras mais aquecidas, os produtores ainda poderão ter boas oportunidades de negociação. A expectativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) é que sejam colhidas 75 milhões de toneladas, entre primeira e segunda safra. O consumo é estimado em 54 milhões de toneladas. A companhia deverá divulgar novo relatório nesta terça-feira (10). 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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