Milho: Com foco no clima nos EUA, mercado amplia perdas em Chicago

Publicado em 16/06/2014 13:08 e atualizado em 16/06/2014 17:24 597 exibições

Sem conseguir sustentar o movimento de alta, as cotações do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) voltaram a recuar no pregão desta segunda-feira (16). Por volta das 12h35 (horário de Brasília), as principais posições da commodity registravam perdas entre 4,00 a 4,25 pontos. O contrato julho/14 era cotado a US$ 4,43 por bushel. 

O mercado tem sido pressionado pelo clima favorável nos EUA, que contribui para o desenvolvimento das lavouras do cereal. E para os próximos dias, a previsão é de chuvas e temperaturas adequadas para as plantações. Segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), cerca de 75% das lavouras apresentavam condições boas e excelentes até o dia 8 de junho. O órgão irá divulgar novo boletim no final desta segunda-feira.

Apesar das previsões favoráveis, o consultor em agronegócio, Ênio Fernandes, afirma que é preciso acompanhar as notícias de clima nos EUA e, principalmente, os dados das condições das plantações do cereal. “É natural que o clima seja próximo do perfeito no momento do plantio, mas temos que ver o clima, que irá determinar o rumo dos preços. Além disso, o mercado tem encontrado suporte em US$ 4,35 por bushel, porém pode cair para US$ 4,00 por bushel. Mas será que nesse nível os produtores norte-americanos irão querer vender?”, questiona Fernandes.

Diante dos preços mais baixos, a tendência é que haja uma diminuição da oferta, conforme destaca o consultor. Por outro lado, as cotações em patamares menores acabam estimulando os compradores. “Podemos ter investidores entrando no mercado somente para obter lucros, então os limites de baixa devem durar pouco”, diz.

Ainda nesta segunda, o USDA reportou os embarques semanais de milho em 1.102.514 milhão de toneladas até a semana encerrada no dia 12 de junho. O número é pouco menor do que divulgado na última semana, de 1.153.135 milhão de toneladas. No mesmo período do ano passado, o total embarcado foi de 359.193 mil toneladas. Já no acumulado no ano safra, com início em 1º de setembro, os embarques totalizam 35.932.592 milhões de toneladas, contra 14.246.384 milhões de toneladas no acumulado no ano safra anterior.

BMF&Bovespa

As cotações do cereal negociadas na BMF&Bovespa também operam do lado negativo da tabela nesta segunda-feira. O mercado acompanha o movimento de queda registrado em Chicago. Outro fator que também tem exercido pressão negativa nos preços futuros e no mercado interno é a chegada da safrinha de milho no mercado. 

Fernandes sinaliza que a situação acaba deixando os produtores rurais menos otimistas em relação aos preços, porém, em contrapartida, deixa os compradores mais tranquilos. “O que faz com os demandadores comprem o produto da mão pra boca para evitar valorizações nos preços. Podemos ter uma pressão maior nos preços, mas as exportações irão acontecer, em torno de 20 milhões de toneladas, que poderão ajudar a equilibrar o mercado”, acredita o consultor.

Já o analista de mercado da FCStone, Glauco Monte, destaca que é preciso preços internacionais mais atrativos para que compense ao produtor rural a exportação. “Caso isso não aconteça, poderemos ter a intervenção do Governo no mercado, com leilões, para facilitar o escoamento da produção”, explica. 

Nesta segunda-feira, o milho é negociado a R$ 26,80 em Campinas (SP) CIF, já em Campo Mourão (PR), o valor da venda da saca do produto é de R$ 24,00. Em Rio Verde (GO), o preço é de R$ 19,50, enquanto que, em Sapezal (MT), o valor é de R$ 13,50. 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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