Milho: Com fundamentos negativos, mercado dá continuidade às quedas na CBOT

Publicado em 31/07/2014 10:36 411 exibições

Nesta quinta-feira (31), as principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) trabalham novamente em campo negativo. Por volta das 10h34 (horário de Brasília), os contratos do cereal exibiam perdas entre 1,75 e 2,25 pontos. O vencimento setembro/14 era cotado a US$ 3,59 por bushel.

Segundo informações da agência internacional de notícias Bloomberg, os preços futuros do milho já acumulam perdas de 13%, somente em julho. A terceira queda mensal seguida desde o mês de setembro de 2011. 

O mercado permanece pressionado frente às perspectivas de maior disponibilidade da oferta decorrente da expectativa de grande safra nos Estados Unidos na temporada 2014/15. As culturas do milho estão amadurecendo em sua maioria em boas condições aumentando as perspectivas de que a produção pode alcançar a previsão do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), de 353,97 milhões de toneladas, a segunda maior safra da história, conforme dados da agência.

As chuvas deverão aumentar em agosto, após as preocupações com a seca em algumas localidades do Centro-Oeste. "O clima é perfeito nas áreas de cultivo do Centro-Oeste dos EUA, o que significa que altos rendimentos são antecipados", disse o analista da Commerzbank AG, Carsten Fritsch, em entrevista à Bloomberg.

Veja como fechou o mercado nesta quarta-feira:

Milho: Mercado reage e fecha pregão com leves ganhos, mas tendência é de pressão nos preços

Em sessão de extrema volatilidade, os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o dia com ligeiros ganhos. Durante as negociações, as principais posições da commodity registraram perdas, porém fecharam o pregão com leves altas entre 0,25 e 0,50 pontos. O vencimento setembro/14 era cotado a US$ 3,61 por bushel.

Após as quedas recentes, somente no mês de julho, os preços do milho acumulam perda de 13%, o mercado esboçou uma recuperação. Além disso, o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, explica que as cotações do cereal são influenciadas pela alta registrada nos contratos do trigo. Frente às sanções à Rússia, os compradores retornaram com mais força ao mercado, situação que tem dado suporte aos preços da commodity. Nesta quarta-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou a venda de 205,5 mil toneladas do produto para a Nigéria.

No entanto, o mercado permanece precificando as estimativas de grande produção de milho nos EUA. E, apesar da recente preocupação com o clima no país, o analista de mercado da Safras & Mercado, Paulo Molinari, as lavouras de milho estão praticamente salvas no Meio-Oeste.

"Em algumas regiões ainda são necessárias algumas chuvas para o enchimento de grãos. Mas a expectativa é que a produtividade das plantações do cereal, em torno de 179,92 sacas por hectare, acima do estimado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), de 174,95 sacas por hectare. Temos, inclusive, lavouras em Illinois com duas espigas", disse Molinari.

Análise técnica

Para ao analista de mercado da Smartquant Fundos Investimentos, Antônio Domiciano, a tendência é de queda forte para os preços do cereal. Após perder o patamar de suporte de US$ 4,00 por bushel, o vencimento setembro/14 alcançou o nível de US$ 3,50, preço que tem se mantido nos últimos seis pregões.

“Mas se perder o nível de US$ 3,50, deve buscar os US$ 3,20 e em seguida os US$ 3,00 por bushel. Só aí pode oferecer uma reação maior de longo prazo, o que observamos nos últimos 3 meses, sempre que o mercado tentou exibir uma reação, o movimento durou no máximo 2 ou 3 dias e novamente tivemos uma pressão vendedora. Nesse momento, o mercado não consegue subir e precisará de um período de acomodação, entre os US$ 3,50 a US$ 3,80 por bushel, para depois iniciar uma tendência de alta”, afirma Domiciano.

BMF&Bovespa 

Influenciados pelo movimento de recuperação em Chicago, os futuros do milho trabalham com ligeiros ganhos no pregão desta quarta-feira. O vencimento setembro/14 era negociado a R$ 23,30, com valorização de 0,17%. No mercado interno, o cenário permanece sem alteração. Os preços continuam pressionados negativamente devido ao avanço da colheita da segunda safra de milho, que apesar dos problemas pontuais, registra boa produtividade nas principais regiões produtoras do país.

Enquanto isso, apesar dos representantes do setor já terem solicitado ao Governo a realização de leilões de Pepro para dar ritmo ao escoamento e comercialização do produto, nenhuma medida foi divulgada até o momento.

Segundo levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, em Não-me-toque (RS), o preço ficou estável em R$ 21,00. Em Londrina (PR), a cotação também se manteve em R$ 18,00, situação que se repete em Tangará da Serra (MT) e a cotação é de R$ 12,50. Em São Gabriel do Oeste (MS), o preço estável em R$ 16,00. Em Jataí (GO), o valor registrou leve valorização de 0,63% e a saca é cotada a R$ 15,90, no Porto de Paranaguá, o produto é comercializado a R$ 24,50, com alta de 0,82%.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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