Milho: Na CBOT, mercado tenta continuar movimento de alta e tem leves ganhos

Publicado em 13/08/2014 08:20 e atualizado em 13/08/2014 09:07 433 exibições

Na sessão desta quarta-feira (13), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam em campo misto. Por volta das 8h01 (horário de Brasília), as primeiras posições da commodity exibiam ligeiros ganhos entre 0,25 e 0,50 pontos, já os mais distantes registravam perdas de 0,25 pontos, ambos próximos da estabilidade. O vencimento setembro/14 era cotado a US$ 3,59 por bushel.

O mercado tenta dar continuidade às altas registradas no pregão anterior. Nesta terça-feira, os preços apresentaram leves ganhos influenciados, principalmente pelo novo relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Diante do clima favorável nos EUA, que tem contribuído para o desenvolvimento das lavouras, os investidores esperavam uma projeção mais elevada em relação à produtividade das plantações. O órgão informou o rendimento das plantas em 177,17 sacas por hectare, abaixo das expectativas, mas acima do previsto no último boletim, de 174,95 sacas por hectare.

O USDA tem reportou um aumento na estimativa da safra norte-americana de milho da safra 2014/15. Agora, a perspectiva é que os produtores estadunidenses colham 356,43 milhões de toneladas, contra as 352,06 milhões de toneladas estimadas em julho. 

Em contrapartida, os analistas também destacam que a demanda pelo cereal permanece firme. E que a cada vez que os preços registram uma queda mais expressiva, os investidores retornam à ponta compradora da tabela.

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Milho: Mercado reflete relatório do USDA e fecha o dia em alta, no Brasil preços também registram valorizações

Os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram o pregão desta terça-feira (12) com ligeiras altas. Ao longo das negociações, as principais posições da commodity reverteram as perdas e encerraram o dia com altas entre 0,50 e 1,75 pontos. O contrato setembro/14 era cotado a US$ 3,58 por bushel.

O principal fator que movimentou os preços do milho no mercado internacional foi o novo relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), reportado nesta terça-feira. A safra norte-americana foi estimada em 356,43 milhões de toneladas, contra 352,06 milhões de toneladas projetadas no boletim de julho.

A produtividade das lavouras dos EUA também foi revisada para cima e passou de 174,95 sacas por hectare para 177,17 sacas por hectare. A situação é decorrente das condições climáticas favoráveis registradas no país desde o início do plantio e que beneficiam o desenvolvimento das plantações.

Para o consultor em agronegócio, Ênio Fernandes, o relatório já tinha sido precificado pelos investidores. "E com essa estimativa de produtividade abaixo do que o mercado estava esperando, os participantes do mercado acabaram recomprando as posições, por isso, vimos esses leves ganhos", explica.

Além disso, o consultor ressalta as projeções para a produção de etanol nos EUA. Segundo o USDA, o país deverá destinar 128,91 milhões de toneladas à produção de etanol, número pouco maior do que o divulgado anteriormente, de 128,3 milhões de toneladas do cereal.

"A margem de processamento é positiva, assim como os números da economia norte-americana. A demanda é boa e é preciso ressaltar que os preços em patamares mais baixos estimulam a demanda", explica Fernandes.

Desde o início do ano, os preços do cereal já recuaram mais de 13% devido à perspectiva de safra cheia nos EUA, conforme reportaram as agências internacionais de notícias recentemente. Ainda na visão do consultor, as cotações do milho já estão baixas e podem ceder ainda mais com o início da colheita norte-americana, porém, o movimento não deve ter uma duração prolongada, em função do estímulo da demanda.

"Acredito que o preço pode ceder ainda próximo de 30 cents e chegar próximo de US$ 3,20 por bushel. Mas, já estamos perto de um limite de queda e o produtor norte-americano irá reter o milho, o que é natural", destaca o consultor.

Mercado interno

O anúncio de leilão de Pepro para 1,05 milhão de toneladas de milho já refletiu no mercado interno brasileiro. De acordo com consultor, os preços do cereal praticados no mercado doméstico já pararam de cair. Somente nos últimos 90 dias, as cotações do milho recuaram 20% na região de Cascavel (PR) e a saca é cotada a R$ 18,50 na localidade.

O Cepea reportou nesta terça-feira que os preços do cereal registraram pequenas altas no início de agosto na maioria das praças pesquisadas. Valorização impulsionada, pelo anúncio das operações por parte do Governo, que fez com que os produtores retraíssem as vendas e as exportações que cresceram no mês de junho.

Consequentemente, a comercialização do milho está travada no mercado interno. Enquanto os produtores aguardam os leilões, os compradores estão em uma posição mais confortável, já que fizeram parte dos seus estoques, conforme sinaliza Fernandes. E também já rumores no mercado de que o Governo poderá adquirir mais de 1,2 milhão de toneladas através de AGF, por enquanto, as informações não foram confirmadas oficialmente.

Segundo levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, o preço da saca cotada em Campo Novo do Parecis (MT), registrou um aumento de 4,17% e terminou a terça-feira negociada a R$ 12,50. Em São Gabriel do Oeste (MS), os valores também reagiram e apresentaram alta de 3,13%, cotada a R$ 16,50 a saca. Em Jataí (GO), o crescimento de 0,49%, a R$ 16,30. Já no Porto de Paranaguá, a saca fechou o dia cotada a R$ 24,50, com valorização de 2,08%. 

Exportações brasileiras

Até a segunda semana de agosto, as exportações brasileiras de milho somaram 315,6 mil toneladas, com média diária de 52,6 mil toneladas, já o preço médio ficou em US$ 203,5. Em relação ao mês anterior, o volume representa um crescimento dos embarques de 104,5%. Já em comparação com o mesmo período do ano passado, a quantidade embarcada ainda é 62% menor. 

No mesmo período, os embarques de milho renderam ao Brasil US$ 64,2 milhões, com média diária de US$ 10,7 milhões. Um aumento de 107,6% em comparação com o mês de julho e uma valorização de 1,5% no preço médio. Em relação a agosto de 2013, há um recuo de 66,7% no valor total exportado e 12,2% na cotação média.

“Temos que exportar entre 19 a 20 milhões de toneladas esse ano. O produtor deve acompanhar os volumes embarcados, principalmente a partir de agosto. Além disso, o dólar é um componente importante para a comercialização e também deve ser observado, assim como o frete, que já começaram a cair. Acredito que o pior momento do mercado já passou, mas os produtores devem fazer as contas”, orienta Fernandes. 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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