Milho: Com foco na safra dos EUA, mercado recua pelo 2º dia consecutivo

Publicado em 09/09/2014 09:33 220 exibições

As principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) operam com leves quedas na sessão desta terça-feira (9). Por volta das 9h21 (horário de Brasília), os contratos do cereal exibiam perdas entre 3,00 e 3,50 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,45 por bushel. 

Novamente, os contratos da commodity se aproximam dos níveis mais baixos dos últimos quatros anos. O mercado é pressionado negativamente pelas perspectivas de melhor rendimento e consequentemente maior safra nos Estados Unidos na temporada 2014/15, conforme informações da agência internacional de notícias Bloomberg.

A expectativa dos investidores é que os produtores norte-americanos colherão cerca de 363 milhões de toneladas. Ainda nesta segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou que cerca de 74% das lavouras estão em boas ou excelentes condições, mesmo índice registrado na semana anterior. 

Por outro lado, os participantes do mercado aguardam o relatório de oferta e demanda do USDA, que será reportado na quinta-feira (11). "Os operadores estão esperando um relatório do USDA, que generosamente irá revisar as estimativas de produção para cima na quinta-feira", escreveu o conselheiro agrícola em entrevista à Bloomberg. "Além disso, as preocupações relacionadas às baixas temperaturas esperadas para o final da semana estão sumindo um pouco", completa.

Veja como fechou o mercado nesta segunda-feira:

Milho: Perspectiva de safra recorde nos EUA pesa e mercado tem novo dia de queda na CBOT

No pregão desta segunda-feira (8), as principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram o dia em campo negativo. Durante as negociações, os futuros intensificaram as perdas e fecharam a sessão com perdas entre 7,25 e 7,50 pontos. O contrato dezembro/14 era cotado a US$ 3,48 por bushel. 

Em relação à última sessão, os preços registraram perdas entre 1,92% e 2,09% nas principais posições. Mais um dia, o mercado foi pressionado negativamente pelas perspectivas de safra recorde nos Estados Unidos na temporada 2014/15. Os participantes do mercado já apostam em uma safra ao redor de 363 milhões de toneladas do grão, número bem acima do projetado no último boletim de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), de 356,43 milhões de toneladas. 

Além disso, os investidores também esperam o novo boletim de acompanhamento de safras. O boletim será reportado no final da tarde de hoje, pelo USDA. Na semana anterior, o órgão informou que cerca de 74% das plantações exibiam boas ou excelentes condições. Outro relatório que deverá influenciar o mercado é o boletim de oferta e demanda, que será anunciado pelo USDA nesta quinta-feira (11). 

Em contrapartida, os números dos embarques semanais do milho dos EUA contribuíram para limitar as perdas na sessão desta segunda-feira. De acordo com os dados do USDA, os embarques ficaram em 1.197,385 milhão de toneladas até a semana encerrada no dia 4 de setembro. 

Na última semana, o número reportado foi de 884.986 mil toneladas de milho. Já no mesmo período do ano passado, o total embarcado foi de 253.586 mil toneladas. No acumulado do ano safra, com início em 1º de setembro, os embarques totalizam 725.552 mil toneladas, contra 207.385 mil toneladas acumuladas no ano safra anterior. 

Apesar do crescimento no volume, o analista de mercado da Novo Rumo Corretora, Mário Mariano, ressalta que, nesse momento, a demanda é insuficiente para ocasionar uma valorização nos preços do cereal. "A demanda para farelo ou para produtos para ração da Ásia não tem sido suficiente para manter as compras e, consequentemente, uma estabilidade nas cotações. Portanto, tanto a produção quanto a demanda fazem o mercado caminhar para uma baixa no curto prazo", ratifica.  

Mercado interno

A segunda-feira foi mais um dia de preços estáveis, na maioria das praças pesquisadas pelo Notícias Agrícolas. Em Londrina (PR), houve pequena desvalorização no preço da saca, de 1,71% e o preço ficou em R$ 17,20 a saca. Em Cascavel (PR), o recuo foi pouco maior, de 2,70% a saca e a cotação terminou a segunda-feira a R$ 18,00.

Por outro lado, em Tangará da Serra (MT), o valor da saca aumentou 3,57% e, subiu para R$ 14,50, em Jataí (GO), a valorização foi de 2,01%, com preço da saca a R$ 15,20. Enquanto isso, os analistas destacam que o mercado ainda caminha de lado, com  recuo nos preços da saca, em algumas praças.
Frente a esse quadro, a comercialização segue lenta e a expectativa é que apenas 30% da safrinha tenham sido negociadas até o momento. Boa parte dos agricultores ainda segura o produto, estocado, em sua maioria em silo bag, à espera de melhores oportunidades de negociações. 

Ainda na visão do analista, a decisão do produtor em reter as vendas já refletiu em uma redução nos valores dos fretes. “O que é uma coisa atípica para essa época do ano. A consciência elevada de poucas vendas poderia ser traduzida em uma melhora sensível dos preços, mas isso não acontece, pois a força maior é traduzida através dos valores praticados na Bolsa de Chicago”, afirma. 

Enquanto isso, parte dos agricultores também aguardam o próximo leilão de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor). A próxima operação será realizada na quinta-feira (11), com volume ofertado de 1,8 milhão de toneladas. Mais uma vez, o estado de Mato Grosso terá a maior quantidade ofertada, com 1,5 milhões de toneladas.

Exportações brasileiras

Nos cinco primeiros dias de setembro, as exportações brasileiras de milho totalizaram 340,5 mil toneladas, com média diária de 68,1 mil toneladas. A receita total foi de US$ 63,1 milhões, com média diária de US$ 12,6 milhões. 

Em comparação com o mês anterior, o volume embarcado representa uma queda de 41,8% e uma diminuição de 4,1% no preço médio. As informações são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e foram reportadas pela Secretaria de Comércio Exterior.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, quando tento acompanhar as previsões de mercado das commodities, sinto-me um alienígena, penso, para os produtores brasileiros conseguirem “alguma renda” na atividade, seria producente a adoção de cursos, no sistema SENAR, de física quântica.

    Explico! Como é impossível determinar qual vai ser a próxima posição de valor das commodities no mercado, visualizo esta característica como das partículas elementares, onde é impossível determinar a sua posição no momento seguinte. Seria um passo inicial para conhecer os grávitons, glúons, fotons e bósons, palavras comuns na física quântica.

    Além do modelo padrão, podem-se aplicar cursos, apoiados nas teorias de Supersimetria, Teoria das Cordas . Quem sabe as fórmulas e os cálculos poderiam auxiliar para encontrar um ponto de equilíbrio na atividade agrícola, pois com esta ciência disponível, os produtores rurais são uma espécie em extinção.

    QUEM VIVER VERÁ !

    ....”E VAMOS EM FRENTE” ! ! !....

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