Milho: Mercado sente pressão do início da colheita nos EUA e recua na CBOT

Publicado em 17/09/2014 09:51 320 exibições

Na Bolsa de Chicago, os preços do milho voltam a recuar na sessão desta quarta-feira (17) e a baixa reflete os grandes números estimados para a nova safra dos Estados Unidos, a qual já começa a ser colhida no Meio-Oeste. Somente este ano, os futuros do grão já amargam um recuo de 19% na CBOT. 

Assim, por volta das 9h40 (horário de Brasília), as baixas das posições mais negociadas eram de pouco mais de 2 pontos, com o dezembro/14 valendo US$ 3,41 e o março/15 US$ 3,53 por bushel. 

De acordo com o último boletim de acompanhamento de safras divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), até o último domingo (14), 4% da área de milho já havia sido colhida no país, número que fica em linha com o registrado no mesmo período do ano passado. A média dos últimos anos, entretanto, é de 9%. 

"O clima continua bem próximo do perfeito e a colheita que está começando pode e vai se acelerar ao longo dos dias", disse o economista Dennis Gartman em sua newsletter diária reproduzida pela agência internacional de notícias Bloomberg. 

Outro fator que começa a ganhar mais peso nos negócios em Chicago são as especulações sobre o clima no Corn Belt. As temperaturas estão mais baixas em boa parte do cinturão de produção e algumas geadas já foram registradas. Porém, especialistas seguem afirmando que são fenômenos menos severos do que se esperava e a produção, até esse momento, não está ameaçada, tão pouco os trabalhos de campo. 

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Milho: Após sessão volátil, mercado tenta recuperação e fecha com leve alta

Os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago, nesta terça-feira (16), registraram um pregão de volatilidade, mas conseguiram encerrar o dia em campo positivo. Os principais vencimentos terminaram o dia com ganhos de 0,50 a 1 ponto. O mercado conseguiu reverter parte das baixas registradas mais cedo para fechar em campo positivo, com o contrato dezembro valendo US$ 3,43 por bushel. 

Alguns números sobre a área de plantio nos Estados Unidos, divulgados pela Farm Service Agency (FSA) - órgão do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) responsável pelo seguro agrícola - trouxeram pressão aos preços, uma vez que confirmaram que a área destinada ao cultivo do cereal deverá alcançar um número expressivo. 

Atualmente, a área total coberta pelo seguro nos EUA corresponde a 34,97 milhões de hectares e, nesta temporada 2014/15, foi acionado o seguro para 639,82 mil hectares, os quais não puderam ser cultivados por seus proprietários. Dessa forma, a área plantada com seguro foi reduzida para 34,33 milhões de hectares.

O USDA, por sua vez, estima a área total plantada para o milho em 37,09 milhões de hectares.

São números como esses que, segundo analistas, continuam confirmando a severa pressão feita pelas grandes projeções para a nova safra de milho dos Estados Unidos no mercado futuro internacional. Somente este ano, os preços do milho já recuaram 23% até esta última segunda-feira (15). 

"Nós estamos focados agora na oferta ao invés de observar o lado da demanda. Há, definitivamente, um tom baixista no mercado e isso não irá mudar de repente, de uma hora para outra. Todos os movimentos positivos dos preços são vistos como uma nova oportunidade de venda", disse o editor da publicação agrícola Professional Farmers of America. 

Para Ricardo Stasinski, consultor de mercado da ODS Serviços em Agronegócio, a tendência de baixa para os preços do milho no mercado internacional deve se manter até o final deste ano e início do próximo, em meados de março e abril. 

Nesta segunda-feira (15), o USDA atualizuou seu boletim de acompanhamento de safras e já trouxe os primeiros números para a colheita dessa nova safra. De acordo com o relatório, 4% da área com o cereal já foi colhida e o número ficou dentro das expectativas do mercado, mas ligeiramente abaixo dos 9% de média dos últimos anos para esse mesmo período.

Além disso, o departamento informou ainda que 74% das lavouras de milho dos Estados Unidos estão em boas ou excelentes condições, mantendo o índice reportado na semana anterior. "As lavouras de milho pegaram toda a fase de clima favorável para a cultura e consolidou todo o seu pontecial produtivo", afirma Stasinski. 

Mercado Interno

Ainda de acordo com o consultor de mercado da ODS, no Brasil, apesar de uma grande safra e de estoques elevados, os preços podem exibir um comportamento diferente e indicar, até mesmo, alguma recuperação. Nos próximos meses as exportações deverão ser alavancadas e trazer algum ganho aos preços no cenário interno. 

Entretanto, as cotações seguem pressionadas de uma forma geral e nem mesmo os leilões de Pepro que vêm sendo promovidos pelo Governo Federal têm sido suficientes para dar um suporte ao mercado. 

"Na verdade, os leilões são mais como um auxílio para o produtor para garantir uma margem de rentabilidade, mas ele não vai, necessariamente, garantir preços. O que nós vemos agora é um quadro de grande oferta e, consequentemente, os preços continuam se desvalorizando", explica Stasinski. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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