Milho: No Brasil, preços continuam pressionados e negócios são lentos

Publicado em 24/09/2014 13:21 511 exibições

No mercado interno brasileiro, os preços do milho permanecem pressionados e sem perspectiva de melhora, conforme destacam os analistas. Nas principais praças pesquisadas pelo Notícias Agrícolas, os valores têm se mantido estáveis e os negócios caminham a passos lentos, já que boa parte dos produtores ainda seguram o produto à espera de novas oportunidades de comercialização.

Cenário confirmado pelos números de comercialização da safra indicadas pelas entidades de cada estado. No Paraná, por exemplo, apenas 31% da safrinha foi negociada até o momento, segundo dados reportados pelo Deral (Departamento de Economia Rural). E com a recente queda nos valores praticados, próximos do valor mínimo fixado em R$ 17,47 a saca do cereal, os representantes do setor buscam junto ao Governo o EGF (Empréstimo do Governo Federal), para contribuir com o escoamento da segunda safra. 

Ainda de acordo com o departamento, os produtores paranaenses colheram em torno de 10,2 milhões de toneladas de milho na segunda safra. No Mato Grosso, a situação é semelhante, já que foram colhidas em torno de 17,22 milhões de toneladas do grão, de acordo com informações do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária).  

E, do mesmo modo, os preços praticados no estado recuaram e, em muitas regiões, bem abaixo do preço mínimo fixado, de R$ 13,52 a saca. Com isso, os agricultores relatam a dificuldade em cobrir os custos de produção que, para a safra 13/14 atingiram R$ 1.723,46/ha, conforme números do Imea. E, considerando a produtividade, em média de 91,6 sacas por hectare, o preço necessário para que os custos fossem cobertos seria de R$ 18,82 a saca.

Consequentemente, os leilões de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor) tem sido de extrema importância para o escoamento da produção. Até o momento, em torno de 21% da safra 2013/14 de milho mato-grossense já foi comercializada através das operações.

Já no Mato Grosso do Sul, os produtores colheram em torno de 7.807,7 milhões de toneladas de milho, conforme reporte da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). E, assim como nos dois outros estados, a comercialização do cereal é lenta e há muito produto estocado. No total, o Brasil colheu cerca de 48.252,6 milhões de toneladas do grão somente na segunda safra, ainda segundo a companhia. 

Em contrapartida, as exportações ainda estão ganhando ritmo e somaram 1,817 milhão de toneladas, com média diária de 121,2 mil toneladas até a terceira semana de setembro (15 dias úteis). Em comparação com o mês anterior, a quantidade embarcada representa uma alta de 3,5%, mas em relação ao mesmo período do ano anterior, a queda é de 26,2%. 

No entanto, a perspectiva dos analistas é que os embarques não alcancem a projeção da Conab, de 21 milhões de toneladas. Isso deverá impactar nos estoques brasileiros, que poderão totalizar 17 milhões de toneladas no final de 2014, segundo o analista de mercado da Cerrado Corretora, Mársio Antônio Ribeiro.

Frente a esse quadro, o analista destaca que os produtores brasileiros devem estar atentos, pois a estratégia de postergar as vendas do milho precisa ser bem avaliada. "Até porque, no início do ano começa a pressão da soja sobre os armazéns e o produtor de milho será colocado em uma situação difícil", completa.

Safra 2014/15

O atual cenário conjuntural do milho tem influenciado a decisão dos produtores rurais e, por enquanto, as projeções indicam redução na área destinada ao cereal na safra 2014/15. Com o término do vazio sanitário, no último dia 15 de setembro, no PR os agricultores iniciaram o cultivo do cereal e cerca de 24% da área já foi semeada. 

Segundo o Deral, a área cultivada deve ser de 572,7 mil hectares, redução de 90 mil hectares em relação à temporada anterior, equivalente a 14%. No Rio Grande do Sul, a redução prevista pela Emater é de 5,74% na área. Ainda segundo as entidades, essas áreas deverão ser destinadas, principalmente, para a cultura da soja.

Nos demais estados, a área destinada ao milho também serão menores. E nas localidades onde é possível realizar duas safras, o cereal será cultivado na safrinha. Porém, com o quadro, alguns agricultores já sinalizam que poderão reduzir a área do milho também na segunda safra em 2015.

Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Chicago (CBOT), a sessão têm sido de recuperação aos futuros do milho. Os preços voltaram a subir depois de dois pregões consecutivos de queda e, por volta das 13h12 (horário de Brasília) exibiam ganhos entre 3,50 e 3,75 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,29 por bushel.

O mercado esboça uma reação depois das recentes perdas. Na última semana, os preços recuaram fortemente devido ao avanço da colheita do grão nos Estados Unidos. Por enquanto, os trabalhos nos campos alcançam 7%, contra 4% divulgado na semana anterior, conforme dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

"O tempo permanece ideal para as culturas de maturação tardia e para aqueles que estão colhendo", disse Matt Ammermann, gerente de risco de commodities do INTL FCStone, em entrevista à agência internacional de notícias Bloomberg. "O mercado está agora em modo de espera para confirmar os rendimentos das lavouras", completa.

Com isso, analistas sinalizam que o vencimento dezembro/14 pode alcançar o patamar de US$ 3,00 por bushel. "E a perspectiva é que a demanda não absorva essa produção maior tanto nos EUA, como no mundo. Então, não vejo possibilidade de alteração neste quadro no curto a médio prazo. Salvo algum problema climático muito sério", destaca o analista de mercado da Cerrado Corretora, Mársio Antônio Ribeiro.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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