Milho: Na BM&F, preços sobem nesta 4ª feira com foco no clima no Brasil

Publicado em 29/10/2014 08:39 e atualizado em 29/10/2014 12:43 390 exibições

No início do pregão desta quarta-feira (29), os futuros do milho na BM&F Bovespa dão continuidade ao movimento de alta. Por volta das 9h10, as principais posições registravam ganhos entre 0,38% a 1,62%. O vencimento março/15 era cotado a R$ 29,18 a saca.

Os investidores ainda observam o clima no Brasil e, consequentemente a evolução do plantio da soja da safra 2014/15. Para essa semana, os institutos meteorológicos indicam que as chuvas deverão permanecer especialmente na região Centro-Oeste. Com isso, a expectativa é que os produtores consigam evoluir com os trabalhos nos campos.

Segundo dados do IMEA (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), até o momento, cerca de 20% das áreas foram cultivadas com o grão no estado. No mesmo período do ano passado, a área semeada era de 50%. Porém, apesar do atraso, o boletim do instituto indica que a produtividade das lavouras da oleaginosa não é uma preocupação, ao contrário, a redução do potencial da área segunda safra,  principalmente com o milho.

Já nos estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo, como as precipitações ainda não foram regulares, o atraso no cultivo do grão ainda é maior em comparação com a safra anterior. No Paraná, local onde cerca de 40% da área já foi semeada, as chuvas retornarão a partir do dia 1º de novembro, conforme dados dos meteorologistas.

A situação é tão preocupante que, em algumas localidades os produtores sinalizam que poderão cancelar, ou até mesmo diminuir as compras da próxima safrinha de milho.

Bolsa de Chicago

As principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) operam do lado positivo da tabela na sessão desta quarta-feira (29). Pelo terceiro dia consecutivo, o mercado sobe e, por volta das 9h12 (horário de Brasília), os vencimentos da commodity exibiam leves altas entre 3,75 e 4,25 pontos. O contrato dezembro/14 era cotado a US$ 3,68 por bushel.

De acordo com informações reportadas pela agência internacional de notícias Bloomberg, os preços caminham para aumento de 15% somente em outubro. Se confirmado, esse será a maior evolução mensal desde julho de 2012. No último pregão, os futuros do cereal foram impulsionados pelos ganhos do farelo de soja, que encontra suporte na demanda aquecida do setor de rações.

Os investidores também acompanham o avanço da colheita do milho norte-americano. Apesar da melhora no clima nos Estados Unidos, a colheita alcançou 46%, conforme dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O número ainda é menor do que a média dos últimos cinco anos, de 65% da área colhida.

Em contrapartida, os relatos vindos dos campos norte-americanos indicam que a produtividade das lavouras possa ficar acima do esperado inicialmente. Inclusive, alguns analistas apostam que, no próximo relatório de oferta e demanda que será reportado no início de novembro, o USDA revise para cima as projeções dos rendimentos e da produção do país.

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Milho: Frente às especulações com o clima, preços avançam no mercado interno e na BM&F

Na BM&F, a sessão foi de ganhos aos contratos futuros do milho. Em mais um dia de alta, as principais posições do cereal conseguiram avançar e terminaram o pregão com valorizações entre 0,07% e 0,65%. O vencimento março/15 se manteve em R$ 29,00 a saca.

Como principal fator de suporte às cotações do cereal está a especulação em relação ao clima. Em muitas regiões, principalmente no Centro-Oeste os trabalhos nos campos estão atrasados devido às chuvas irregulares. Cenário que, além de preocupar os produtores rurais, também afeta a janela ideal do milho safrinha do próximo ano. 

Algumas regiões produtoras do país até receberam algumas precipitações nos últimos dias, mas não foi o suficiente para dar tranquilidade aos agricultores, uma vez que o atraso já está consolidado. Na localidade de Santa Terezinha do Itaipu (PR), as lavouras de soja estão sem chuvas há mais de 22 dias, situação que, juntamente com o sol forte têm afetado o desenvolvimento das plantas, conforme escreveu o produtor rural do município, Emerson Luiz Romanha, no espaço do Fala Produtor.

Em Nova Mutum (MT), a semeadura da soja também permanece atrasada e até o final da última semana apenas 15% da área havia sido cultivada. No mesmo período dos anos anteriores, cerca de 50% da área já tinha sido plantada. A situação se repete nas principais regiões produtoras pelo país. 
Por enquanto, as previsões climáticas apontam para a chegada de uma nova frente fria entre quinta e sexta-feira. O evento irá provocar chuvas e baixar a temperatura na Região Sul e avançar para o Sudeste e Centro-Oeste durante o final de semana, de acordo com informações reportadas pela Climatempo.

"Deveremos ter uma redução na área cultivada com o milho segunda safra. Ainda não está claro, pois não tivemos a regularização do clima. E com essa situação, teremos uma menor oferta mais adiante. Na composição dos preços do milho temos fatores sustentáveis", sinaliza o consultor em agronegócios, Ênio Fernandes.

Mercado interno

Segundo levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, as cotações registraram valorizações em algumas praças nesta terça-feira. Em Londrina (PR), a valorização foi de 2,78%, com a saca do cereal cotada a R$ 18,50, já em Tangará da Serra (MT), o preço avançou para R$ 15,00, com ganho de 3,45%. Em Campo Novo do Parecis (MT), o dia também foi de alta, de 3,70%, com a saca negociada a R$ 14,00, em São Gabriel do Oeste (MS) a alta foi de 5,56%, para R$ 19,00 a saca.

Na contramão desse cenário, as cotações recuaram levemente em Jataí (GO), 0,41% para R$ 19,25. Já no Porto de Paranaguá, o dia foi de queda de 1,89%, com a saca negociada a R$ 26,00. Nas demais praças pesquisadas o dia foi de estabilidade nos valores praticados. O cenário é decorrente da queda registrada no dólar, que terminou o dia com perda de 2%, cotado a R$ 2,47.

Nas últimas semanas, o mercado já vem mostrando uma firmeza maior. A retração nas vendas por parte dos produtores rurais, assim como, a demanda mais aquecida dão suporte aos preços também. Com a pior seca dos últimos 70 a 80 anos, os pecuaristas estão alimentando os animais com ração, o que aumenta a demanda pelo cereal.

"Isso sem contar o valor do frete que recuou, especialmente no Centro-Oeste. Consequentemente, o preço do cereal se tornou mais competitivo e a perspectiva é que fechemos o mês de outubro com as exportações acima dos 3 milhões de toneladas", acredita Fernandes.

Ainda assim, para o consultor, Flávio França, o produtor deve estar atento às retenções de vendas no milho, principalmente porque temos um excedente de produção no Brasil. “Agora com a melhora nos valores, os agricultores devem negociar o milho também, pois precisamos exportar pelo menos 19 milhões de toneladas para ficarmos com estoques próximos de 10 milhões de toneladas. Precisamos embarcar o cereal para limpar os armazéns e receber a soja mais adiante”, orienta França. 

Bolsa de Chicago

As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram a sessão desta terça-feira (28) em campo positivo. Pelo segundo dia consecutivo, os futuros do cereal terminaram o dia com altas entre 1,00 e 1,50 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,64 por bushel.

Assim como os futuros da soja, os do milho também foram influenciados positivamente pelos ganhos registrados no farelo de soja, conforme destaca o site internacional Farm Futures. A commodity tem sido impulsionada, especialmente pela demanda vinda do setor de rações, frangos e suínos.

Enquanto isso, a colheita em ritmo mais lento nos Estados Unidos também dão sustentação aos preços futuros do cereal. Nesta segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou que a colheita está completa em 46% da área. O número ainda está abaixo da média dos últimos cinco anos, de 65% da área colhida no mesmo período. 

A situação é decorrente, especialmente das chuvas registradas recentemente no país, que interromperam os trabalhos nos campos. E também deu sustentação aos preços do milho no mercado internacional. No entanto, o consultor da França Junior Consultoria, Flávio França Junior, destaca o tempo deve permanecer favorável nos próximos dias.

"E, até o momento, os relatos vindos dos campos apontam para a uma boa produtividade das lavouras norte-americanas. Com isso, a perspectiva é que o USDA possa trazer um novo ajuste para cima na projeção para a safra de milho dos EUA, que será reportado no início de novembro. O que seria um fator negativo aos preços do cereal", explica o consultor.

Paralelo a esse cenário, outro fator que também contribui para a firmeza dos preços futuros registrados na sessão anterior foi o relatório de embarques semanais do departamento norte-americano.  Até o último dia 23 de outubro, os embarques do cereal totalizaram 702.906 mil toneladas. O volume ficou abaixo do indicado na semana anterior, de 717.653 mil toneladas do grão.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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