Milho: Em Chicago, preços iniciam sessão em alta e dez/14 alcança US$ 3,79/bu

Publicado em 30/10/2014 08:28 e atualizado em 30/10/2014 12:43 159 exibições

Os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciaram a sessão desta quinta-feira (30) em campo positivo. As principais cotações da commodity sobem pelo quarto dia consecutivo e, por volta das 9h11 (horário de Brasília), os contratos exibiam altas entre 3,00 e 3,75 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,79 por bushel. 

Segundo informações da agência internacional de notícias Bloomberg, os preços futuros do cereal caminham para o aumento de 17% somente no mês de outubro. Se confirmado, esse será o maior avanço mensal desde julho de 2012. Nos dois últimos pregões, as cotações foram impulsionadas pela alta registrada no farelo de soja que, por sua vez, é alavancado pela demanda do setor de rações.

Enquanto isso, o atraso da colheita do cereal norte-americano também dá suporte aos preços. Até o último domingo, cerca de 46% da área cultivada havia sido colhida, segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O número está bem abaixo da média dos últimos cinco anos, de 65% da área colhida.

Outro fator que deve influenciar os preços nesta quinta-feira é o relatório de vendas para exportação, que será divulgado pelo departamento norte-americano. O boletim é um importante indicativo da demanda.

Veja como fechou o mercado nesta quarta-feira:

Milho: Na BM&F, preços sobem e março chega a R$ 30,46; no Porto de Paranaguá, valor é de R$ 26,30

Os futuros do milho negociados na BM&F Bovespa terminaram a sessão desta quarta-feira (29) com forte alta. Ao longo dos negócios, as principais posições da commodity consolidaram as altas e fecharam o dia com valorizações entre 4,85% e 5,04%. O vencimento março/15 encerrou o pregão cotado a R$ 30,46, com alta de 5,00%, após ter operado a R$ 29,65 durante as negociações.

Segundo o analista de mercado da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro, o principal fator de suporte Às cotações é a redução na área destinada ao cereal na safra de verão. Diante da relação desfavorável dos preços de soja e milho, os agricultores brasileiros decidiram por diminuir a área do cereal na primeira safra, optando pelo cultivo da oleaginosa nas principais regiões produtoras do país. 

Para essa safra, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima uma área cultivada com milho próxima de 5.898,6 milhões de hectares, contra 6.618,0 milhões de hectares da safra anterior. Com isso, a produção do cereal na safra de verão deverá ficar entre 27 a 29 milhões de toneladas. Na safra anterior, os produtores colheram 31.652,9 milhões de toneladas. Ainda assim, alguns analistas destacam que o número para essa temporada possa ficar abaixo do previsto pela companhia.

Ribeiro destaca que, com essa situação deveremos ter uma oferta menor, fator positivo para os preços. Entretanto, também  é preciso destacar que a Conab revisou para cima a projeção para os estoques finais da safra 2014/15, para 18.338,4 milhões de toneladas, uma variável negativa para a formação dos valores. Do mesmo modo, a projeção para as exportações recuou de 21 para 19,5 milhões de toneladas de milho.

Consequentemente, os preços do cereal praticados no mercado interno registraram uma forte valorização também. "Em Campinas, há três semanas tínhamos um valor próximo de R$ 21,00 pela saca do cereal e agora o preço é de R$ 24,50. No MT, as cotações saíram de R$ 10,00 a R$ 11,00, para R$ 13,00 a R$ 14,00, dependendo da região, valorizações entre 12% a 15%. Mesmo assim, as cotações estão abaixo dos patamares registrados no ano passado, temos uma desvalorização de quase 7,1% em comparação com o mesmo período de 2013", explica Ribeiro.

Outro fator que também contribui para a firmeza dos preços futuros é a preocupação em relação à safrinha. Os investidores ainda observam o clima no Brasil e, consequentemente a evolução do plantio da soja da safra 2014/15. Para essa semana, os institutos meteorológicos indicam que as chuvas deverão permanecer especialmente na região Centro-Oeste. Com isso, a expectativa é que os produtores consigam evoluir com os trabalhos nos campos.

Segundo dados do IMEA (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), até o momento, cerca de 20% das áreas foram cultivadas com o grão no estado. No mesmo período do ano passado, a área semeada era de 50%. Porém, apesar do atraso, o boletim do instituto indica que a produtividade das lavouras da oleaginosa não é uma preocupação, ao contrário, a redução do potencial da área segunda safra, principalmente com o milho.

Já nos estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo, como as precipitações ainda não foram regulares, o atraso no cultivo do grão ainda é maior em comparação com a safra anterior. No Paraná, local onde cerca de 40% da área já foi semeada, as chuvas retornarão a partir do dia 1º de novembro, conforme dados dos meteorologistas.

A situação é tão preocupante que, em algumas localidades os produtores sinalizam que poderão cancelar, ou até mesmo diminuir as compras da próxima safrinha de milho. Claro que, segundo os analistas, essa situação dependerá das condições climáticas e da evolução da semeadura da soja nos próximos dias.

De acordo com economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter, com a valorização nos preços praticados também no mercado interno, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) cancelou o leilão de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor). A 5ª operação seria realizada na semana passada, com oferta de 910 mil toneladas do cereal.

"Essa situação também fez com que o produtor recuasse ainda mais nas vendas, ele adotou uma postura ainda mais defensiva. E o entendimento do agricultor é que é possível esperar um pouco para fazer a comercialização", conforme explica o economista.

Além disso, o aumento dos embarques foi inviabilizado pelos ganhos no mercado internacional, segundo destaca Motter. "Claro que o câmbio também contribuiu para essa situação. Com isso, tivemos negócios até a R$ 22,50 pela saca do milho na região Oeste do estado", diz o economista.

Mercado interno

Apesar da queda do dólar nesta quarta-feira, os preços subiram em algumas praças pesquisadas pelo Notícias Agrícolas. Em Ubiratã (PR), a alta foi de 2,78%, com a saca do cereal negociada a R$ 18,50, mesmo valor praticado em Cascavel (PR). Em São Gabriel do Oeste (MS), a alta foi de 2,63%, com a saca cotada a R$ 19,50.

Em Jataí (GO), também houve valorização de 2,13% no preço da saca do milho, que subiu para R$ 19,66. Já no Porto de Paranaguá, o dia foi de ganho de 1,15%, com a saca do grão negociada a R$ 26,30. A demanda aquecida nesse momento e a oferta restrita, já que os produtores seguram as vendas, dão suporte às cotações do cereal no mercado disponível.

Bolsa de Chicago

Na sessão desta quarta-feira, os futuros do milho na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram o dia com valorizações expressivas. As principais posições do cereal registraram ganhos entre 9,75 e 10,75 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,75 por bushel. Esse foi o terceiro pregão de alta para os preços da commodity no mercado internacional.

As altas registradas no farelo de soja também alavancaram os preços do milho, conforme dados do site Farm Futures. Os preços da commodity permanecem sustentados pela demanda aquecida, principalmente do setor de rações.

O mercado ainda encontra suporte no atraso da colheita norte-americana do cereal. Apesar da melhora no clima nos Estados Unidos, a colheita alcançou 46%, conforme dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O número ainda é menor do que a média dos últimos cinco anos, de 65% da área colhida.

Porém, a perspectiva é que os trabalhos evoluam durante essa semana, fator que deverá ser visto no próximo relatório de acompanhamento de safras, reportado na próxima segunda-feira. Enquanto isso, os participantes do mercado já apostam em um aumento nas projeções de produtividade e produção da safra dos EUA no próximo boletim de oferta e demanda.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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