Milho: À espera do USDA, mercado opera com leves quedas em Chicago

Publicado em 10/11/2014 07:23 e atualizado em 10/11/2014 13:16 343 exibições

As principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) operam com leves quedas no início do pregão desta segunda-feira (10). O mercado dá continuidade às perdas registradas na última sessão e, por volta das 8h10 (horário de Brasília), os contratos exibiam perdas entre 1,25 e 2,00 pontos. O contrato dezembro/14 era cotado a US$ 3,66 por bushel.

Nesse momento, os investidores estão mais cautelosos, já que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga nesta segunda-feira o novo boletim de oferta e demanda. E, por enquanto, as perspectivas é que o órgão irá revisar para cima a projeção para a safra de milho dos EUA, que pode chegar a 369 milhões de toneladas nesta temporada. A produtividade das lavouras norte-americanas também deve ser ajustada positivamente.

Além disso, o mercado também aguarda o relatório de embarques semanais, importante indicador de demanda. E o boletim de acompanhamento de safras, reportado no final da tarde de hoje, ambos serão anunciados pelo USDA. 

De acordo com informações da agência internacional de notícias Bloomberg, a expectativa é que haja um avanço nos trabalhos nos campos no país, uma vez que o clima mais seco favorece a colheita. Até a semana anterior, cerca de 65% da área cultivada havia sido colhida, conforme dados do departamento norte-americano.

"Temos previsão de tempo bom nos EUA para os próximos 10 dias ou mais, o que deve favorecer a colheita", disse o analista da Australia & New Zealand Banking Group Ltd., Paul Deane, em entrevista à Bloomberg. "Os agricultores ainda estão olhando com mais conforto no lado da oferta", completa.

Veja como fechou o mercado na última sexta-feira:

Milho: Semana positiva aos preços com ganhos entre 4,09% e 5,21% e março/15 a R$ 30,51

Na sessão desta sexta-feira (7) na BM&F Bovespa, as principais posições do milho terminaram o dia do lado positivo da tabela. Em mais uma sessão de alta, os contratos futuros do cereal exibiram valorizações entre 0,51% e 2,09%. O vencimento março/15 era cotado a R$ 30,51 a saca. No acumulado da semana, os contratos registraram ganhos entre 4,09% e 5,21%.

De acordo com o analista de mercado da Céleres Consultoria, Anderson Galvão, a alta na bolsa reflete a escassez observada no mercado paulista. "Em São Paulo, temos um quadro ajustado de oferta e demanda. No Brasil, temos esse cenário, em alguns bolsões com abundância de milho e outros nem tanto", explica. 

Ainda assim, as especulações sobre uma possível redução na oferta de milho na próxima safra também contribuem para dar firmeza ao mercado. Segundo estimativas de algumas consultorias, a produção brasileira deverá totalizar entre 68,6 milhões  a 69 milhões de toneladas, entre primeira e segunda safra. A projeção está bem abaixo da última estimativa da Conab (Companhia Nacional do Abastecimento), de 77,78 milhões de toneladas. 

O que representa uma redução entre 30% a 35%, de acordo com o relato dos analistas. A redução é decorrente da diminuição da área cultivada na safra de verão e da incerteza em relação à safrinha brasileira. Na primeira safra, os agricultores optaram por destinar a maior área à oleaginosa, em função da diferença de preços entre o milho e a soja. No entanto, com as chuvas irregulares, o plantio ainda permanece mais lento.

Entretanto, a Céleres Consultoria, manteve a projeção para a safra de verão e segunda safra do cereal. Para a primeira safra, a perspectiva é que sejam cultivados 6,65 milhões de hectares e, até o momento, em torno de 50,3% da área foi semeada, número em linha com o registrado em anos anteriores. Já a safrinha, deverá ocupar uma área ao redor de 8,54 milhões de hectares, resultando em uma produção de 49,1 milhões de toneladas.

Apesar a projeção, em Sinop (MT), importante região produtora, a perspectiva inicial é que haja uma diminuição de até 30% na área semeada com o cereal, de acordo com o presidente do Sindicato Rural, Antônio Galvan. "E dos 70% que serão cultivados, acreditamos que, pelo menos 50% será plantado com baixa tecnologia. E, se o clima for favorável, a estimativa é que a produção fique em 50% do que foi colhido na safra anterior", afirma Galvan.

Mercado interno

A semana foi de valorização aos preços praticados no mercado interno brasileiro. Conforme dados apurados pelo Notícias Agrícolas, as cotações subiram em todas as praças pesquisadas. No Porto de Paranaguá, o valor terminou a semana cotada a R$ 27,50, com ganho de 3,77%. Em Não-me-toque (RS), a saca subiu para R$ 22,00, com alta de 2,33%.

No Paraná, em Ubiratã, Londrina e Cascavel, os preços subiram para R$ 19,00 a saca do milho, com ganho de 2,70%. Em Tangará da Serra (MT), a cotação subiu R$ 0,50, para R$ 16,00, com alto de 3,23%, em Campo Novo do Parecis (MT), também houve alta de R$ 0,50, para R$ 15,00, com ganho de 3,45%. Em São Gabriel do Oeste (MS), a valorização da semana foi de 1,56%, com a saca cotada a R$ 19,50 nesta sexta-feira. Em Jataí (GO), os preços subiram 3,30% durante essa semana, com a saca do milho negociada a R$ 20,66. 

Ainda na visão do analista da Céleres Consultoria, a movimentação de alta nas últimas semanas é um reflexo de que os preços mais baixos estimulam a demanda. "Especialmente do setor de rações, e esse estímulo chega ao produtor rural através de uma recuperação de preços. Em Lucas do Rio Verde (MT), temos um valor próximo de R$ 15,00, bem acima do registrado há 2 meses", afirma Galvão. 

O analista também destaca que o mercado está com boa liquidez e as exportações já esboçaram uma reação. Em outubro, os embarques de milho totalizaram 3,178 milhões de toneladas, um aumento de 13,3% em relação ao mês de setembro. A expectativa é que em novembro, o número ultrapasse os 3,5 milhões de toneladas exportadas. E no acumulado de janeiro a setembro, o Brasil já exportou mais de 11 milhões de toneladas.

"A perspectiva é que consigamos alcançar a projeção em torno de 20 milhões de toneladas. Esse é um cenário que traz alento aos produtores, mas o preço ainda está bem longe do que tivemos no ano passado", acredita Galvão.

No entanto, o analista ainda tem uma visão cautelosa em relação às altas, uma vez que as projeções para os estoques globais de milho são elevadas. "Com isso, para o agricultor que tiver condições, a orientação é que façam uma fixação ou um contrato a termo, para assegurar os custos de produção. O nosso temor é que, ao menor sinal de desaceleração econômica a gente possa ter uma nova rodada de baixa nos preços das commodities", alerta.

Bolsa de Chicago 

Depois de duas sessões em alta, os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram o pregão em queda. As principais posições do cereal exibiram perdas entre 3,25 e 3,75 pontos. O vencimento dezembro/14 era negociado a US$ 3,67 por bushel.

Segundo informações reportadas pelo site internacional Farm Futures, o mercado terminou o dia em queda frente aos investidores buscando um melhor posicionamento para o relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O boletim será reportado na próxima segunda-feira (10). 

As expectativas dos participantes é que o departamento revise para cima as projeções de produção de milho dos EUA e também da produtividade das lavouras. Os investidores apostam em um número próximo de 369,74 milhões de toneladas, contra 367,69 milhões de toneladas projetadas em outubro. 

Do mesmo modo, o progresso da colheita norte-americana também pesa sobre o mercado. Inclusive, esse foi um dos fatores que fizeram com que o mercado reduzisse os ganhos no final do pregão anterior. Em seu último boletim, o USDA apontou que cerca de 65% da área cultivada já havia sido colhida até o último domingo. Os números também serão atualizados na próxima segunda-feira.

"Todo mundo está segurando o produto à espera do relatório do USDA", disse o corretor de grãos, Dave Norris, em entrevista à Bloomberg. "Todo mundo parece pensar que eles vão aumentar as estimativas de produção de novo para o milho e soja e as projeções dos rendimentos das plantas também", completa.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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