Na CBOT, preços recuam pelo 3º dia consecutivo com avanço da colheita norte-americana

Publicado em 19/11/2014 08:19 e atualizado em 19/11/2014 12:37 225 exibições

Na manhã desta quarta-feira (19), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam do lado negativo da tabela. Os preços do cereal recuam pelo 3º dia consecutivo e, por volta das 8h49 (horário de Brasília), as principais posições da commodity exibiam perdas entre 3,00 a 3,25 pontos. O contrato dezembro/14 era cotado a US$ 3,69 por bushel. 

Segundo informações da agência internacional de notícias Bloomberg, os preços recuam e caminham para o nível mais baixo em uma semana, com o avanço da colheita do grão no país. O contrato março/15 perdeu 0,8%, para US$ 3,81 por bushel, o menor preço desde 11 de novembro.

Até o último domingo, cerca de 89% da área plantada havia sido colhida, conforme dados reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Enquanto a cobertura de neve continua a ser generalizada em todo o Centro-Oeste dos EUA, adiando a colheita, temperaturas devem ficar mais altas nos final de semana e ajudar a derreter a neve em áreas centrais e do sul, conforme destaca a agência Bloomberg.

"Os meteorologistas esperam que as condições mais quentes e secos na próxima semana, o que deverá permitir que os agricultores voltem os campos", disse o Commonwealth Bank of Australia, em entrevista à agência.

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Com incertezas sobre a safra no Brasil, preços sobem no mercado interno e registram valorizações entre 1% e 6,25%

No mercado interno, a terça-feira (18) foi de ganhos aos preços do milho. De acordo com levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, nas principais praças pesquisadas, as cotações do cereal subiram. Em Ubiratã (PR), o valor subiu para R$ 20,20, com ganho de 1,00%. Em Londrina e Cascavel, cidades do Paraná, os preços também registraram valorização de 1,00%, com saca também cotada a R$ 20,20.

Em Tangará da Serra (MT), o valor aumentou para R$ 18,00, com alta de 2,86%, já em Campo Novo do Parecis (MT), os ganhos foram de 6,25%, com a saca do cereal negociada a R$ 17,00. Na região de São Gabriel do Oeste (MS), os preços subiram para R$ 21,00 a saca do grão, com alta de 2,44%. Em contrapartida, em Jataí (GO), os preços recuaram 4,20%, com saca cotada a R$ 20,75 e no Porto de Paranaguá, o preço caiu para R$ 28,00, uma queda de 1,06%. A queda do dólar foi o principal fator de pressão sobre os preços do milho nos portos do país. 

Os analistas destacam que a firmeza no mercado é decorrente da recente valorização registrada no câmbio, o que permitiu o avanço nas exportações brasileiras. Para o mês de novembro, a perspectiva é que os embarques fiquem próximos de 3,5 milhões de toneladas. A alta nas cotações também fez com que o Governo cancelasse os leilões de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor) para o mercado do cereal.

"De janeiro a outubro, as exportações totalizam 12 milhões de toneladas de milho, mas precisamos embarcar mais produto para enxugar o mercado brasileiro", destaca o economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter. O economista também sinaliza que, além desse cenário, as incertezas em relação à produção de milho do Brasil também dão suporte ao mercado. 

BM&F Bovespa

Mais uma vez, os preços do milho na BM&F Bovespa encerraram a sessão em campo misto. As primeiras posições do cereal recuaram entre 1,38% e 1,19%. Já os contratos mais distantes tiveram um dia positivo, com valorizações entre 0,33% e 0,07%. O vencimento março/15 era negociado a R$ 32,30 a saca. 

A queda registrada no dólar nesta terça-feira, assim como as perdas observadas no mercado internacional influenciaram negativamente os preços na bolsa brasileira. A moeda norte-americana fechou o dia cotada a R$ 2,5903 na venda, com perda de 0,49%.  Segundo informações da agência Reuters, o câmbio recuou depois de acumular uma alta de quase 5% desde o início de novembro até a última segunda-feira (17).

Entretanto, as especulações em relação à produção brasileira também exercem pressão positiva aos preços do milho. A redução da área cultivada na primeira safra e as incertezas sobre a safrinha contribui para dar firmeza às cotações. 

Para o economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter, boa parte da safra de verão brasileira já foi implantada, porém, o clima permanece irregular, especialmente nos estados de GO e MG. "As indústrias poderão ter uma dificuldade em se abastecer, pois há dúvidas em relação à safra de verão e com o plantio da soja, também temos incertezas sobre a safrinha", destaca Motter.

E, apesar da janela de plantio do milho na segunda safra ter ficado estreita, devido ao atraso no cultivo da soja, o economista destaca que os preços devem estimular a semeadura do cereal. "Mesmo com as dificuldades técnicas, temos o estímulo por conta dos preços", completa.

Paralelamente, as análises gráficas indicam tendência de forte alta  às cotações do milho na BM&F. Os preços têm subido desde meados de setembro e recuou apenas em três dias, porém, já voltou a registrar ganhos, conforme destaca o analista de mercado da SmartQuant, Antônio Domiciano.

"O cenário é muito bom para o produtor e isso deve ter ocorrido por conta da estiagem. Os agricultores devem estar atentos, pois a tendência é de forte alta e não é hora de vender. Se o contrato janeiro/15 se mantiver acima dos R$ 32,00, a tendência é de continuação no processo de alta", afirma o analista.

Bolsa de Chicago

Os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o pregão desta terça-feira (18) do lado negativo da tabela. As principais posições da commodity ampliaram as perdas ao longo dos negócios e terminaram a sessão com perdas entre 5,25 e 5,50 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 372 por bushel.

Segundo informações reportadas agência internacional de noticias Bloomberg, o avanço na colheita do cereal reportado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta segunda-feira pressionou o mercado. O órgão atualizou os números do boletim de acompanhamento de safras e, ampliou de 82% para 89% da área colhida com o cereal até o último domingo.

"Com a colheita se encerrando nos EUA, os agricultores estão vendendo um pouco mais", disse Jack Scoville, vice-presidente da Futures Group Price, em entrevista à Bloomberg. "O armazenamento está ficando mais apertado, também ajudando a trazer um pouco mais de produto ao mercado", completa.

Ainda assim, os analistas destacam que o mercado do cereal tem operado de técnica, respeitando os intervalos de US$ 3,30 a US$ 4,00. E, apesar da queda registrada na sessão de hoje, as análises gráficas também apontam uma tendência de alta aos preços do cereal no mercado internacional. Ainda de acordo com o analista de mercado SmarQuant, as cotações do cereal estão desenvolvendo um movimento de alta, melhor do que no caso da soja.

"Se os valores romperem o patamar de resistência de US$ 3,90 por bushel, podemos ver uma alta mais forte, e a cotação atingir US$ 4,50 e até US$ 5,20 por bushel. Isso é um processo de alta que leva algumas semanas", afirma.

Porém, caso os preços percam o nível de US$ 3,50 por bushel, as cotações podem buscar as mínimas, próximas de US$ 3,20 por bushel, conforme sinaliza o analista de mercado.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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